
SÃO PAULO – O ministro das Finanças da França, Michel Sapin, pediu nesta terça-feira uma investigação do setor automobilístico na Europa, após na semana passada a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos revelar que a companhia alemã Volkswagen teria manipulado testes de emissão.
“Parece necessário. Nós precisamos fazer isso no nível europeu”, disse Sapin na rádio francesa, acrescentando que as companhias francesas do setor também devem passar por alguma investigação. “Mas não tenho nenhuma razão para acreditar que as companhias de carro francesas se comportaram da mesma maneira que a Volkswagen”, notou.
O escândalo com a montadora alemã pode levar a um foco maior na regulação no setor pelo continente. A Volkswagen não contestou o comunicado da agência norte-americana. A companhia, em vez disso emitiu um pedido de desculpas por trair a confiança do consumidor, no fim de semana, mas não admitiu publicamente a culpa por manipular os resultados dos testes.
As montadoras da França apoiaram o pedido de Sapin para uma investigação abrangente do setor na Europa. A associação francesa dos fabricantes de automóveis disse que a apuração confirmará que as companhias francesas respeitam todos os procedimentos de testes nos países em que operam.
As montadoras francesas também pediram a criação de testes adicionais de emissão de poluentes em situações reais de uso dos carros, além dos testes atualmente feitos em laboratório. A Renault e a Peugeot Citroën vendem vários modelos de carros compactos, com motores mais eficientes e que segundo elas emitem menos gases poluentes na atmosfera.
Economia alemã
A suposta manipulação realizada pela Volkswagen em testes de emissões de poluentes nos Estados Unidos pode causar danos substanciais à economia da Alemanha, devido ao corte de empregos e prejudicar ainda outras exportadoras do país, afirmou o presidente do centro de estudos alemão DIW, Marcel Fratzscher, em entrevista ao tabloide alemão Bild.
“O dano para a imagem da VW será custoso, não apenas nos EUA, mas globalmente”, afirmou Fratzscher. “Como resultado, empregos na VW e em muitas de suas fornecedoras na Alemanha estão ameaçados”, disse o especialista.
Uma possível multa para a montadora “é o menor dos problemas”, segundo Fratzscher, acrescentando que agora o essencial é limitar os estragos para outras exportadoras alemãs, porque a Volkswagen vinha sendo até agora uma espécie de garota propaganda dos produtos feitos no país.
Fonte: Dow Jones Newswires.
(Estadão Conteúdo/ATUAL)
