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Política

Em apenas 44 cidades mulheres serão maioria nas câmaras municipais

7 de dezembro de 2020 Política
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urna de votação TSE
Representatividade feminina na política é mínima (Foto: Roberto Jayme/TSE)
Por João Pedro Pitombo e Guilherme Garcia, da Folhapress

SALVADOR – A partir de fevereiro, Marília, Sônia, Solange, Marieli, Cleonice, Rejane e Andreia irão ocupar o púlpito e o painel de votação da Câmara Municipal de Floriano Peixoto, cidade de 1.700 habitantes do norte do Rio Grande do Sul. Elas vão compor sete das nove cadeiras do Poder Legislativo da cidade, que terá maior proporção de mulheres dentre todas as cidades brasileiras.

Das 5.567 cidades brasileiras que já realizaram as eleições deste ano, apenas 44 terão maioria de mulheres na Câmara Municipal. Em sua maioria, são cidades pequenas, com menos de 20 mil habitantes, e quase sempre governadas por prefeitos homens.

Os dados revelam que os legislativos municipais brasileiros ainda estão distantes de ter uma paridade de gênero. Do total de vereadores eleitos no pleito deste ano, cerca de 16% são mulheres.

Medidas para mudar este quadro vem sendo tomadas nos últimos anos, caso da obrigatoriedade de ter pelo menos 30% de candidaturas de mulheres e o entendimento do STF (Supremo tribunal Federal) de que 30% do valor do fundo eleitoral também deve ser destinado a candidatas mulheres.

Apesar dos avanços, somente três cidades brasileiras terão o raro cenário de maioria feminina nas Câmaras Municipais e uma mulher no comando do Poder Executivo. Cada uma está em uma ponta do Brasil: Maçambará, no Rio Grande do Sul, Paraú, no Rio Grande do Norte, e Beruri, no Amazonas.

Em Maçambará, a maioria feminina já existia desde a legislatura passada, quando a prefeita Adriane Schramm (PSDB) foi eleita pela primeira vez, e a Câmara teve cinco mulheres nas nove vagas. Neste ano, a prefeita se reelegeu, e a maioria feminina permaneceu no Legislativo. “É um feito. Estamos em uma cidade pequena, em região de fronteira, onde há uma cultura tradicionalista e a política é muito machista”, afirma a prefeita Adriane Schramm.

A maioria feminina também se estendeu ao primeiro escalão da prefeitura: das sete secretarias municipais, cinco são ocupadas por mulheres. Apenas as pastas da Agricultura e Obras são tocadas por homens.

Na Câmara Municipal, a expectativa é de que a vereadora eleita Cátia Belmonte (PP) assuma o comando da Casa Legislativa. Pela tradição na cidade, este cargo é normalmente ocupado pelo vereador ou vereadora com mais votos na eleição.

Para chegar ao cargo máximo da cidade, Adriane foi subindo degrau a degrau: foi vereadora por três mandatos, vice-prefeita por dois mandatos e, finalmente, prefeita eleita em 2016 e reeleita este ano.

Ela diz que participa ativamente da política local desde a emancipação da cidade, em 1995. E lembra que nem sempre a cidade foi aberta para a participação das mulheres na política.

Quando se candidatou à prefeitura em 2016, Adriane diz ter enfrentado a resistência de eleitores homens, que questionavam a sua capacidade para lidar com temas como infraestrutura e manutenção de estradas.

“Achavam que eu não saberia lidar com determinados assuntos. O resultado é que as estradas reformadas na nossa gestão se tornaram uma referência no município”, afirma a prefeita.

Com 4.500 habitantes, Maçambará tem a economia baseada na agricultura, como cultivo de arroz e soja. Por isso, as estradas são consideradas cruciais para garantir o transporte e o escoamento da produção.

O principal desafio da gestão municipal nos próximos quatro anos, diz a prefeita, é atrair empresas para gerar empregos em setores como a indústria e comércio. Atualmente, a própria prefeitura é a principal empregadora do município.

Além de Maçambará, a cidade gaúcha de Floriano Peixoto também terá maioria feminina na Câmara. E será quase maioria absoluta: serão sete vereadoras nas nove vagas.

Este número, contudo, pode chegar a oito no próximo ano. O prefeito reeleito Orlei Guiaretta (MDB) pretende convocar um dos vereadores eleitos para o secretariado, abrindo uma vaga para mais uma mulher.

A Câmara Municipal com maioria feminina será uma novidade na cidade. Na eleição passada, foram eleitas apenas duas mulheres, para as nove vagas. As sete mulheres eleitas neste ano – todas em primeiro mandato – tem perfis parecidos, mas histórias distintas.

A maioria era servidora municipal e já tinha algum tipo de atuação nas comunidades. Entre as eleitas, há uma professora, uma chefe de posto de saúde, uma auxiliar de enfermagem e uma conselheira tutelar.

Por outro lado, são de linhas ideológicas distintas. Quatro serão da base aliada, sendo duas do MDB e duas do PP. Outras três são filiadas ao PT e serão da oposição ao prefeito Orlei Guiaretta.

Vereadora mais votada na cidade, Marília Vitali (MDB), 53, é professora aposentada da rede municipal e ocupará uma cadeira na Câmara ela primeira vez.

Em 2016, ela já tinha disputado a eleição. Acabou na segunda suplência, mas foi nomeada para a Secretaria Municipal de Educação. Diz que a possibilidade de ter uma participação mais ativa na comunidade a motivou a entrar na política.

Marília diz que o resultado nas urnas em Floriano Peixoto foi resultado de um desejo de renovação da Câmara Municipal por parte da população. Tanto que, dos nove vereadores eleitos em 2016, apenas um foi reeleito.

“Imaginava que teria uma mudança grande na Câmara, mas confesso que sete mulheres foi uma surpresa”, diz Marília Vitali.

Na contramão de cidades como Floriano Peixoto, Maçambará, Paraú e Beruri, outras 937 cidades brasileiras não terão nenhuma mulher representada nas Câmaras Municipais a partir de 2021. Outras 1.809 Câmaras terão apenas uma vereadora.

Dentre as capitais, São Paulo será a com maior número absoluto de mulheres na Câmara Municipal – 13 ao todo – seguida de Porto Alegre e Belo Horizonte com 11 vereadoras cada.

A que terá menor proporção de mulheres é João Pessoa. Das 27 cadeiras do Poder Legislativo da capital da Paraíba, apenas uma será ocupada por uma mulher. Na sequência aparecem Campo Grande, Cuiabá, Rio Branco, Vitória e Porto Velho, com duas mulheres cada.

As maiores cidades brasileiras sem representação feminina na Câmara serão Campos dos Goytacazes (RJ), Mauá (SP), Sumaré (SP) e Volta Redonda (RJ).

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Assuntos câmaras municpais, mulheres na política, representatividade
Cleber Oliveira 7 de dezembro de 2020
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