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Política

Eleitores revelam intenção de ‘vender o voto’ para vereador em Manaus

29 de dezembro de 2023 Política
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Urna eletrônica
Eleitor ouvida em pesquisa revela que vai querer algo em troca do voto na eleição de 2024 (Foto: Nelson Jr./TSE)
Por Teófilo Benarrós de Mesquita, do ATUAL

MANAUS – Em pesquisa da Perspectiva Opinião e Mercado sobre a eleição municipal de 2024, 37,3% dos eleitores disseram que votarão para vereador em “troca de algo ou para atender indicação de alguém próximo”. A prática de troca de voto por favores ou vantagens é classificada na legislação eleitoral brasileira como “captação de sufrágio”, a popular compra de votos.

A sondagem apresentou a seguinte pergunta: “Atualmente, Manaus possui 41 vereadores e estão previstos aproximadamente 700 candidatos nas eleições de 2024. O que você pretende fazer?”. A pesquisa ofereceu cinco respostas prontas aos entrevistados e 373 (37,3% dos 1 mil ouvidos) responderam que votarão “por indicação de alguém próximo ou que me dê alguma coisa em troca”.

A legislação define compra de votos como a “doação, o oferecimento, a promessa, ou a entrega, pelo candidato, ao eleitor, com o fim de obter-lhe o voto, de bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública, desde o registro da candidatura até o dia da eleição”. Esse é o texto do artigo 41-A da Lei 9.504/97.

O parágrafo primeiro do artigo 41-A diz que “para a caracterização da conduta ilícita, é desnecessário o pedido explícito de votos, bastando a evidência do dolo, consistente no especial fim de agir”.

A prática do crime de compras de votos pode custar ao candidato a cassação do registro de candidatura, se o julgamento ocorrer dentro do prazo de campanha eleitoral, ou do diploma e, consequentemente do mandato, caso o agente público esteja no exercício do mandato conquistado de forma irregular.

Tanto a compra como a venda de votos são consideradas crimes eleitorais, puníveis com prisão por até 4 anos e pagamento de multa.

Respostas de eleitores ouvidos pela Perspectiva sobre critérios para escolha de quem votar para vereador em 2024
Respostas de eleitores ouvidos pela Perspectiva sobre critérios para escolha de quem votar para vereador em 2024

O alto índice de eleitores que manifestaram, “sem pudor”, trocar o voto para vereador por favor ou vantagem é “gravíssimo”, diz o sociólogo Luiz Antonio Nascimento, professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas).

“Isso é grave, gravíssimo do ponto de vista da Democracia, mas compreensível do ponto de vista da cidadania incompleta. Agora, isto não é do nada, isto tem origem, as elites políticas tem interesse nessa alienação pois na eleição aparecem com a solução: vote no candidato do Pastor, no indicado pelo prefeito etc”, afirma Nascimento.

O sociólogo usa uma metáfora para explicar o que leva os eleitores a essa atitude de desvalorização do próprio voto. “Ao visitar um amigo vejo uma bike jogada no fundo do quintal em meio a entulhos. Vejo que é uma Pegeaut dos anos 80, raríssima. Pergunto e meu amigo diz que era do filho, que se mudou há anos e tá ali jogada, esperando pra ir pro lixo. Proponho comprar e o amigo diz que não precisa pagar, que eu pegue aquela tranqueira que não vale nada. O voto é assim”, compara.

Para Nascimento, “o voto só tem valor para aquelas pessoas que reconhecem nele qualidades e significados. Quem não pode ou não consegue fazer isto, porque não tem informações qualificadas e mesmo que tenha acesso a informação, não é capaz de compreender o valor daquele bem (a bike ou o voto), o despreza, dando à quem pedir ou vendendo à quem estiver disposto”.

A desvalorização do voto pelo titular do exercício do ato, o eleitor, tem como fatores o baixo grau de cidadania e a ausência de políticas públicas, na opinião de Nascimento.

Sociológo e professor da Ufam, Luiz Antônio Nascimento (Foto: Divulgação)
Sociológo e professor da Ufam, Luiz Antônio Nascimento (Foto: Divulgação)

“A disposição do eleitor em vender seu voto tem mais relação com o baixo grau de cidadania, com a ausência do poder público na vida ordinária das pessoas que não têm transporte público descente, não tem saneamento, não tem nada… Assim, já que o Poder Público (o Estado) não tem compromissos com aquele cidadão, porque ele teria com o Estado?!”, argumenta o professor.

Outras respostas

A pesquisa ofereceu outras 4 respostas prontas. A segunda mais indicada pelos entrevistados, com 30,2% foi “ainda não decidi em qual candidato irei votar pois reconheço a importância de pesquisar mais sobre todos os concorrentes antes de tomar uma decisão informada e consciente”.

Com 20,1%, a resposta “sou consciente que a maioria dos eleitores não escolhem candidatos preparados e competentes. Particularmente já tenho alguns nomes em mente” ficou em terceiro lugar na pesquisa.

O voto ideológico teve registro de 33 dos 1 mil entrevistados (3,3%). A resposta pronta apresentada pela empresa dizia “prefiro votar em um partido que esteja alinhado com meus valores e ideias, dando mais importância às propostas e plataformas partidárias do que a um nome específico.

Responderam que preferem votar em branco, nulo ou até mesmo não votar, como forma de protesto, 91 entrevistados pela Perspectiva.

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Assuntos Câmara Municipal de Manaus, compra de votos, Eleições 2024, manchete, pesquisa eleitoral, vereador
Redação 29 de dezembro de 2023
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1 Comment
  • Francis Silva disse:
    31 de dezembro de 2023 às 13:25

    Também quero vender o meu… só não garanto a entrega rsrsrs.

    Responder

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