

Por Milton Almeida, do ATUAL
MANAUS – As eleições municipais deste ano têm 22.399 profissionais de Saúde na disputa pelo cargo de prefeito, vereador e vereadora em todo o país. Representam 4,96% dos 442.477 candidatos registrados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) considerando candidaturas para prefeito e vereador.
De acordo com o Cofen (Conselho Federal de Enfermagem), a categoria com mais candidaturas é a de enfermagem: 8.359, soma que inclui enfermeiros [4.928] e técnicos de enfermagem [4.331]. Mais de 90% deles disputam a eleição para câmaras municipais. Apenas 0,06% almejam o cargo de prefeito.
Houve inclusive um crescimento proporcional: com 8,3 mil candidaturas registradas, enfermeiros, técnicos e auxiliares representam sozinhos 1,85% de todos os candidatos a prefeito e vereador de todo o país, enquanto na eleição de 2020 eles eram apenas 1,54%.
Nas 26 capitais, 14 trabalhadores da Saúde disputarão a eleição para prefeito. Desses, 9 deles (64,2%) são médicos.
Por partidos considerados de direita, são quase todos médicos e homens, exceto uma candidata, também médica, em Porto Velho (RO).
Nas legendas de esquerda, além de a quase paridade entre os sexos, cada um dos candidatos é de uma categoria diferente como farmacêutico, assistente social, odontólogo, auxiliar de enfermagem e enfermeira. No total, são 19 categorias da Saúde representadas por candidatos.
O Cofen considera que haja mais candidatos trabalhadores da saúde do que os 22,4 mil que se identificaram formalmente como tal, se for contabilizado os que se inscreveram como aposentados ou servidores públicos municipais, estaduais e federais da Saúde.
Além disso, os que possuem mandatos eletivos e são da área da Saúde podem ter registrado sua ocupação como “prefeito”, “vereador” ou outro cargo similar.
Apesar das profissões e opções partidárias distintas, os trabalhadores da saúde candidatos a um mandato municipal coincidem na necessidade urgente de defender o SUS (Sistema Único de Saúde), com mais investimentos e fortalecimento da presença da saúde pública nos municípios.
incríveis 98% dos auxiliares de enfermagem e agentes de saúde (1ª e 3ª categoria com mais candidatos) concorrerão à vereança – enquanto apenas 54% dos médicos candidatos tentarão o Legislativo. Isso sugere a manutenção, neste pleito, da velha dinâmica em que indivíduos de profissões mais “prestigiadas” e bem-remuneradas vêm de uma origem social mais politicamente influente e mais rica – e consequentemente, têm maior tendência de disputar os cargos do Poder Executivo.
Em entrevista ao site Outra Saúde, Solange Caetano, enfermeira e presidenta do Fórum Nacional da Enfermagem, diz que o aumento de candidaturas na categoria se deve ao “amadurecimento da categoria, principalmente ao longo da pandemia, em que os trabalhadores perceberam que era necessário se organizar politicamente para se fortalecer para a busca de direitos”.

