
Do ATUAL
MANAUS – Mesmo frequentes na última semana de dezembro de 2024 e início deste mês de janeiro, as chuvas nas bacias dos rios Negro, Solimões e Madeira, com registros entre 136 e 282 milímetros, estão “atrasadas”. O motivo é o aquecimento dos oceanos pelo ‘El Niño’” na América do Sul, segundo o Departamento de Geografia da Ufam (Universidade Federal do Amazonas).
Segundo Adorea Rebello, doutora em Geografia Física e professora da Ufam, o processo de aquecimento aconteceu no Oceano Atlântico e no Pacífico e retardou as chuvas no Amazonas. “O aquecimento das águas retardou a entrada da umidade na Amazônia e também o início do ciclo das chuvas, que deveria ter começado em novembro. As chuvas vão ocorrer, mas estão atrasadas”, disse Rebello.
As chuvas em janeiro serão mais intensas e a especialista alerta sobre medidas de prevenção a desastres naturais. “Agora é o momento de começar a política de prevenção contra os acidentes causados pela chuva, principalmente na área leste da cidade, o que inclui os deslizamentos e inundações em toda a capital, principalmente na parte central”.
Adorea Rebello defende que os moradores devem ser avisados pelas autoridades sobre riscos. “Margens de rios, encostas e fundos de vale são as unidades geográficas que necessitam de maior atenção das autoridades locais e as pessoas que moram nesses lugares são as mais vulneráveis aos desastres. Então, os serviços de monitoramento de chuvas devem avisar com antecedência”, diz.
Boletim
Segundo o Boletim de Monitoramento Climático de Grandes Bacias Hidrográficas, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), do dia 1º de janeiro, as chuvas vão se manter na Bacia do Rio Negro com variações entre 178 e 217 milímetros. Na Bacia do Solimões, a análise indica chuvas entre 244 e 282 milímetros e no Madeira a estimativa também é de chuvas intensas.
Para o SGB (Serviço Geológico do Brasil), as quotas dos rios estão abaixo da normalidade, mas passam por um processo de recuperação depois de uma estiagem severa.
“O Rio Negro apresenta subidas entre 18 e 20 centímetros por dia. Mas as quotas são consideradas abaixo da normalidade, aproximadamente 50 centímetros abaixo. No Alto Rio Negro também registramos um processo de subida das águas. O Rio Madeira e o Purus apresentam oscilações e o Rio Solimões apresenta subidas de 11 ou 15 centímetros”, diz Jussara Cury, pesquisadora do SGB.
