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José Ricardo

E cresce o sofrimento do povo

2 de novembro de 2017 José Ricardo
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tiago paiva

É surpreendente o que acontece no Brasil. A cada dia surgem mais surpresas negativas que afetam a vida do povo.

O ministro da Fazenda do Governo Federal anuncia que haverá redução do Bolsa Família e com isso, milhares de pobres deixarão de receber o benefício. Ele diz que é para combater fraudes, como se não tivesse instrumentos modernos para cruzar informações e detectar possíveis irregularidades.

Na verdade, mais famílias deveriam receber o Bolsa Família, pois aumentou o desemprego, a miséria e a fome no país, desde que o atual grupo político (PMDB e PSDB) se apossou do poder, sem o voto popular. Até o mês de setembro deste ano, o desemprego chegou a 12,4% da população em idade de trabalhar. São 13 milhões de pessoas sem trabalho. Há muita desesperança.

A política de segurança alimentar, de acesso à alimentação de qualidade, em quantidade suficiente para uma boa nutrição, não é mais prioridade do atual governo. Daí a redução dos recursos para a produção de alimentos por meio da Agricultura Familiar, dos pequenos agricultores. O prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), aliado do Temer, propõe distribuir ração para as crianças das escolas. Isso é um grande retrocesso.

Além disso, o Governo Temer abandonou a política de valorização do salário mínimo. Em agosto, o valor proposto para 2018 era de R$ 979,00. Em setembro, baixou para R$ 969,00 e agora cortou para R$ 964,00.

Enquanto isso, os gastos para ele se segurar no poder não param de subir. Já foram mais de R$ 24 bilhões em emendas e cargos, para evitar que o presidente e seus cúmplices sejam presos.

E não há escrúpulos nas ações do governo ilegítimo e corrupto. O deputado federal Bonifácio de Andrade (PSDB), que fez relatório com parecer na CCJ pelo arquivamento da 2ª denúncia contra Temer, recebeu do presidente R$ 11 milhões para sua universidade particular em Minas Gerais. E assim, muitos foram beneficiados para manter o presidente corrupto no poder.

O salário mínimo não cresce, mas aumenta as tarifas públicas. O combustível já aumentou bem acima da inflação, onerando as despesas de transporte das famílias. Por esses dias, o Governo também autoriza reajustes nas contas de energia.  Para as residências o aumento será de R$ 12,68% e para as indústrias de 25,17%. Um absurdo. As empresas vão aumentar os custos e, logicamente, aumentar os preços dos produtos que serão repassados aos consumidores. Resultado: aumento do custo de vida.

Um grande prejuízo ao país está em andamento pelo governo golpista do Temer, que são os leilões para a exploração do petróleo do pré-sal. No Governo Lula, a exploração dessa riqueza seria pela Petrobrás. O Temer e o ministro José Serra (PSDB), abriram para empresas estrangeiras.  Quem está interessado? Empresas dos EUA. Além disso, foi aprovada a redução de impostos para essas empresas, o que equivale a uma renúncia fiscal de R$ 40 bilhões anuais, chegando a R$ 1 trilhão em 25 anos.

Trata-se do maior roubo da história do Brasil. No dia 28 de outubro de 2017, venderam aos estrangeiros, por R$ 6 bilhões a exploração do pré-sal, que vale mais de R$ 800 bilhões, menos de 1% do valor. Além disso, a Petrobrás vai emprestar a tecnologia que desenvolveu e que só ela possui, para retirar petróleo de até 7km de profundidade. Também vai emprestar para eles R$ 20 bilhões do BNDES. O regime de exploração mudou de partilha para concessão. Com isso, o Estado não tem parte na extração e não tem parte na exploração do petróleo.

Estava aprovado pela Dilma que 75% dos recursos arrecadados pelo pré-sal seria para a educação e 25% para a saúde. Mas com essas mudanças do Temer e Serra, nada mais vai para a educação e saúde, e não iremos alcançar 10% do PIB a ser investido na educação, conforme previsto no Plano Nacional de Educação. Lamentável. Um prejuízo incalculável para o futuro do país.

Neste mês de novembro começa a vigorar as mudanças na legislação da Reforma Trabalhista. Mais de 100 alterações foram aprovadas pelos deputados federais e senadores que mudaram as leis do trabalho. Todas para retirar direitos e nenhuma para aumentar direitos. Conquistas dos trabalhadores dos últimos 80 anos foram eliminadas. Além de enfraquecer os sindicatos.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em nota publicada mês passado, sobre o atual momento político, afirma: “Repudiamos a falta de ética, que há décadas, se instalou e continua instalada em instituições públicas, empresas, grupos sociais e na atuação de inúmeros políticos que, traindo a missão para a qual foram eleitos, jogam a atividade política no descrédito A barganha na liberação de emendas parlamentares pelo Governo é uma afronta aos brasileiros. A retirada de indispensáveis recursos da saúde, da educação, dos programas sociais consolidados, dos Sistema Único de Assistência Social (SUAS), do Programa de Cisternas no Nordeste, aprofunda o drama da pobreza de milhões de pessoas. O divórcio entre o muno político e a sociedade brasileira é grave”.

A CNBB diz que cresce no meio do povo a apatia, o desencanto e o desinteresse pela política, devido os que privilegiam os seus próprios interesses. Muitas pessoas não tem esperança, não acreditam na transformação e renovação através do voto. E diz, “É grave tirar a esperança de um povo e situações como essa abre espaço para salvadores da pátria, radicalismos e fundamentalismos que aumentam a crise e o sofrimento, especialmente dos mais pobres, além de ameaçar a democracia do País”.

Por isso, não é à toa que o ex-presidente Lula cresce mês a mês nas pesquisas de intenção de voto para presidente da República nas eleições de 2018, atingindo 35% do eleitorado, podendo ganhar ainda no primeiro turno.

O povo reconhece as políticas públicas e sociais que foram implantadas para beneficiar a população e que agora estão sendo reduzidas ou encerradas, atingindo os mais pobres. O povo sonha em ter novamente um governo que olhe pela população mais sofrida. Por isso, as caravanas do Lula pelo Nordeste e em Minas Gerais são acompanhadas por multidões.

O sofrimento do povo cresce, mas também cresce a esperança de mudanças. Lutar contra o golpe e suas consequências é fundamental.


José Ricardo Wendling é formado em Economia e em Direito. Pós-graduado em Gerência Financeira Empresarial e em Metodologia de Ensino Superior. Atuou como consultor econômico e professor universitário. Foi vereador de Manaus (2005 a 2010), deputado estadual (2011 a 2018) e deputado federal (2019 a 2022). Atualmente está concluindo mestrado em Estado, Governo e Políticas Públicas, pela escola Latina-Americana de Ciências Sociais.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Cleber Oliveira 2 de novembro de 2017
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