
Do ATUAL
MANAUS – A família da artista venezuelana Julieta Ines Hernández, assassinada em Presidente Figueiredo (município a 120 quilômetros de Manaus) no fim do ano passado, quer reclassificar o crime contra ela como feminicídio, que é o assassinato de mulheres por serem mulheres, que tem punição maior.
Na segunda-feira (10), a irmã de Julieta, Sophia Hernández, buscou a DPE-AM (Defensoria Pública do Amazonas) para pedir apoio para condenar os acusados pelo assassinato da artista. A Defensoria atua na defesa dos acusados, Thiago Agles da Silva, 32 anos, e Deliomara dos Anjos Santos, 29.
O público geral do Amazonas, Rafael Barbosa, afirmou que a instituição também vai atuar em defesa da vítima. Rafael afirmou que, além do crime envolver a questão de gênero, envolve também “a xenofobia e a agressão a uma pessoa que é uma defensora dos Direitos Humanos”.
“Em razão disso, a Defensoria Pública vai atuar além do seu papel defender os acusados, trabalho que será feito pelo defensor que hoje atua na Defensoria de Presidente Figueiredo, mas também vai atuar em defesa da vítima”, disse Rafael Barbosa.
Sophia Hernández está à frente de uma mobilização que tem objetivo de reclassificar o crime cometido contra Julieta como feminicídio. Nesse tipo de crime, a punição é maior. O crime de homicídio simples tem pena de seis meses a 20 anos de prisão, e o de feminicídio, um homicídio qualificado, de 12 a 30 anos de prisão.
A irmã de Julieta esteve na DPE-AM acompanhada da defensora Carol Carvalho, que atua junto à Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa do Amazonas, da deputada Alessandra Campelo, que lidera a procuradoria, além dos advogados da família e representantes da UBM (União Brasileira de Mulheres), que articula a mobilização. Na manhã de segunda-feira, a comitiva esteve no TJAM (Tribunal de Justiça do Amazonas).
Sobre o crime
Julieta, conhecida como “Palhaça Jujuba”, foi morta enquanto viajava pelo Brasil de bicicleta. Ela estava a caminho de seu país de origem quando desapareceu no dia 23 de dezembro, no município de Presidente Figueiredo, no Amazonas. A próxima parada dela seria em Rorainópolis, em Roraima, antes de cruzar a fronteira coma Venezuela.
No dia 6 de janeiro deste ano, o corpo da artista foi encontrado dentro de uma mata. De acordo com as investigações, Julieta foi estuprada, assassinada e teve seu corpo queimado por um casal, que confessou o crime.
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Em janeiro, o MP-AM (Ministério Público do Estado do Amazonas) denunciou Thiago Angles da Silva e Deliomara dos Anjos Santos pelos crimes de estupro, latrocínio (roubo seguido de morte) e ocultação cadáver. Agora, a família de Julieta pede a mudança da tipificação dos crimes.
Programação
Nesta terça-feira (11), Sophia terá tempo na sessão plenária da Aleam para se pronunciar sobre o caso. Na sequência, haverá um ato de solidariedade dos movimentos sociais e movimentos de mulheres no hall da Aleam.
Na quarta-feira (12), uma caravana em memória à Julieta Hernández parte de Manaus rumo a Presidente Figueiredo, onde o grupo terá encontro com autoridades locais, fará uma manifestação pacífica e, por fim, reunirá com a magistrada do caso.
