
Por Jullie Pereira, da Redação
MANAUS- Dos 232 registros de estupros em Manaus de janeiro a maio deste ano, 81 meninas de até 11 anos foram vítimas, a maioria, segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública). Houve queda de 26% nas ocorrências em relação ao mesmo período do ano passado (110 crianças violentadas). A incidência do crime é considerada grave.
As crianças são vítimas também no interior do estado: Iranduba, Rio Preto da Eva e Presidente Figueiredo tiveram 29 crimes em cinco meses de 2020, mas a SSP não informa a faixa etária e o sexo das vítimas. Em 2019 foram 98 registros em 14 municípios do interior. Iranduba liderou com 29 casos.
A psicóloga Vanuza Siqueira, 35, ex-aluna da Casa Mamãe Margarida, organização sem fins lucrativos que acolhe crianças em vulnerabilidade social, sofreu abuso aos dez anos de idade pelo padrasto, em 1996. Hoje, Vanuza trabalha auxiliando outras meninas da entidade. “As crianças se tornam as mais vulneráveis por não saberem ainda se defender ou por não ter conhecimento que estão sofrendo uma violação”, explica.
Vanuza defende a educação sexual na escola como forma de prevenir os abusos. Ela acredita que isso deve ser feito levando em conta a faixa etária de cada criança. “Os professores têm que receber uma capacitação para transmitir de forma coesa para as criança respeitando o seu desenvolvimento. Os pais também têm um papel muito importante, pois eles seriam os primeiros a iniciar a educação sexual dois filhos. A educação sexual não se resume ao ato sexual, mais sim ao cuidado e à mudança do corpo”, disse.
Vanuza diz que isso precisa mudar para que o estupro não se torne algo cultural. “Não queremos que o abuso vire algo rotineiro ou comum. Que possamos tirar essa ideia que é algo cultural, não é cultural. As crianças e adolescentes que sofrem abusos sexuais carregam sequelas para vida adulta, pois muitas dessas crianças não terão acompanhamento necessários para trabalhar os traumas deixas pela violência”, disse.

Idosas
A segunda faixa etária com o maior número de casos de estupro registrados entre janeiro e maio deste ano é de mulheres entre 60 e 65 anos. Foram 60 vítimas que denunciaram o crime. Em 2019, as crianças e adolescentes entre 12 e 17 anos ocuparam essa posção com 261 casos.
Comparando os registros de vítimas homens e mulheres, a diferença é garnde. Foram 208 mulheres violentadas este ano e 24 vítimas do sexo masculino.
Para Vanuza Siqueira, o acompanhamento psicológico e o apoio familiar é a chave para superar os traumas e ter uma vida saudável, sendo ela mesma um exemplo. “Se tiverem um acompanhamento psicológico, acompanhamento familiar, elas terão uma grande possibilidade de superarem seus traumas e se tornarem pessoas saudáveis”, disse.
As denúncias de estupro podem ser feitas pelo disque 100 ou pelo disque 181, de maneira gratuita. Também é possível denunciar na sede da Depca (Delegacia Especializada em proteção à Criança e ao Adolescente), situada no conjunto Morada do Sol, Aleixo, zona centro-sul de Manaus.
