O Amazonas Atual utiliza cookies e tecnologias semelhantes, como explicado em nossa Política de Privacidade, para recomendar conteúdo e publicidade. Ao navegar por nosso conteúdo, o usuário aceita tais condições.
Confirmo
AMAZONAS ATUAL
Aa
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
    • Augusto Barreto Rocha
    • Cleber Oliveira
    • Fatima Guedes
    • José Ricardo
    • Márcia Oliveira
    • Sandoval Alves Rocha
    • Sérgio Augusto Costa
    • Tiago Paiva
    • Valmir Lima
  • Quem Somos
Aa
AMAZONAS ATUAL
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
  • Quem Somos
Pesquisar
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
    • Augusto Barreto Rocha
    • Cleber Oliveira
    • Fatima Guedes
    • José Ricardo
    • Márcia Oliveira
    • Sandoval Alves Rocha
    • Sérgio Augusto Costa
    • Tiago Paiva
    • Valmir Lima
  • Quem Somos
Siga-nos
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
  • Quem Somos
© 2022 Amazonas Atual
Fatima Guedes

Do luxo ao lixo

6 de julho de 2024 Fatima Guedes
Compartilhar

Obra de arte lixo - Parintins
Obra de arte de Iran Martins abordando o problema dos resíduos sólidos em Parintins (Foto: Floriano Lins)

O luxo vem do lixo. A lixeira está cheia de luxo. (Djalma A. Moura – Educador de Dança / SP)

Entre luxo e lixo não há diferença. Há máscara. Grafia e fonética se entrelaçam, disfarçam semânticas confundindo percepções, efeitos e práticas comportamentais. Por esta via reflexiva, em 1966, o Poeta Augusto de Campos mergulhou na sincronicidade dos referidos conceitos, aparentemente opostos, e gestou o concretismo poético Lixo.

Na verdade, a oposição dos conceitos encontra-se nas vogais [i] e [u]. Luxo [luxus] provém do latim – opulência, fausto manifestados em padrões artificiais de modismos, embelezamentos, grifes, objetos, negócios… Lixo, também vem do latim [lictum] – restos, sobras, coisas consideradas inúteis e/ou sem valor apreciável produzidos por humanos; tudo o que é prejudicial e clama por eliminação. Enfim, o lixo é filho do luxo.

Registros pontuam o luxo como a máscara das classes privilegiadas: mecanismo de impor autossuficiência, superioridade, distinção sobre populações desvalidas, marginalizadas em direitos fundamentais e coletivos. É um estereótipo configurado em objetos, indumentárias, espaços residenciais, folias, cerimônias, banquetes, rituais religiosos, celebrações de várias ordens e perfis: familiares, políticas e de entretenimentos.

Por essa passarela, glamoures ofuscantes do luxo embriagam consciências, bloqueiam a criticidade social sobre a cumpliciosa relação. Na sequência, o lixo se rebela como o gêmeo marginalizado, desprezível, expurgado…

Considerando-se que luxo e lixo são frutos da mesma matriz ideológica, o lixo se transformou em sobrevivência/subvivência de populações condenadas à miséria, haja vista os processos de auto contaminações por dogmas de luxuosidades produzidos nas várias instâncias do sistema cultural, político, religioso e etc.  A cada fantasia ou glamour esgotados, a cada ilusão de ótica sobram restos, farelos, dejetos – matéria prima contaminada disponível é disputada entre milhares de desvalidos, exércitos de famintos, de subservientes espalhados em periferias rastejando-se por míseras brechas sob ilusão de enganar a fome e necessidades fundamentais.

O presente desabafo flui de nossa indignação: direito de erguer a voz quando a Justiça Social é silenciada nos bastidores das mídias e dos poderes constituídos em acobertamento a cumplicidades ideológicas. Trata-se da morte de Carlenilson Andrade de Souza, 43 anos, catador de lixo (referência profissional), no lixão do Distrito Industrial de Parintins/AM, entorno da Universidade do Estado do Amazonas, na madrugada de 26/06, quando o catador, antecipando-se a centenas de concorrentes dormira no lixão aguardando restos de luxúrias, fora atropelado brutalmente por um caminhão transportador.

morte de catador
Morte do Catador no lixão de Parintins (Foto: Reprodução/Facebook)

Naquela noite, a Capital Brasileira do Folclore (referência à cidade de Parintins/AM) iniciava os rituais ditos folclóricos confundindo percepções sobre cultura popular e entretenimento de massa. Em decorrência, a tragédia sobre a vida de Carlenilson fora abafada por roncos ensurdecedores de tambores, de foguetes e de luxúrias festivalescas. Silêncio total sobre a sobrevivência/subvivência dos familiares da vítima

Até a elaboração desses rascunhos, nenhum murmúrio de quem de Dever e do Direito! Hipocrisia responsabilizar apenas o motorista do caminhão…  

Impossível negligenciar a ausência de políticas públicas à destinação de resíduos produzidos pela população, assim como de condições justas e dignas a categorias sobreviventes/subviventes de restos de luxos descartados.

A festa acabou, a luz apagou, tambores silenciaram, mas a ressaca continua: cunhantãs em pânico com o sumiço da menstruação; nas torneiras, pinga-pinga a água contaminada; nas periferias abandonadas os urubus amenizam a podridão das lixeiras…

De resto, só silêncio! O luxo/lixo contaminando eleitores, dominando consciências e empoderando a politicagem local.      


Fátima Guedesé educadora popular e pesquisadora de conhecimentos tradicionais da Amazônia. Uma das fundadoras da Associação de Mulheres de Parintins, da Articulação Parintins Cidadã, da TEIA de Educação Ambiental e Interação em Agrofloresta. Militante da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) e Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular e Saúde (ANEPS). Autora das obras literárias, Ensaios de Rebeldia, Algemas Silenciadas, Vestígios de Curandage e Organizadora do Dicionário - Falares Cabocos.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

Notícias relacionadas

Industrialização, floresta e colonialismo: o dilema amazônico no século XXI

Arthur Neto visita 5 cidades para saber necessidades dos habitantes

Cota de 30% não basta e candidaturas femininas precisam ser efetivas

Omar Aziz é escolhido relator da PEC do fim da escala 6×1 no Senado

Eneva patrocina 48º Festival Folclórico de Silves e reforça apoio à cultura no Amazonas

Assuntos Amazonas, Lixo, Luxo, miséria, Parintins
Valmir Lima 6 de julho de 2024
Compartilhe
Facebook Twitter Pinterest Whatsapp Whatsapp LinkedIn Telegram Email Copy Link Print
Deixe um comentário

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também

Augusto Barreto Rocha 2023
Augusto Barreto Rocha

Industrialização, floresta e colonialismo: o dilema amazônico no século XXI

24 de agosto de 2026
Política

Arthur Neto visita 5 cidades para saber necessidades dos habitantes

24 de agosto de 2026
mulheres protesto
Política

Cota de 30% não basta e candidaturas femininas precisam ser efetivas

23 de agosto de 2026
Política

Omar Aziz é escolhido relator da PEC do fim da escala 6×1 no Senado

21 de agosto de 2026

@ Amazonas Atual

  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
  • Quem Somos

Welcome Back!

Sign in to your account

Lost your password?