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Dia a Dia

Diretor da Funai é exonerado por críticas ao Ministério da Justiça

8 de fevereiro de 2017 Dia a Dia
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(Foto: ABr/Agência Brasil)
As mudanças feitas pelo Ministério gerou críticas entre organizações que defendem os direitos indígenas (Foto: ABr/Agência Brasil)

BRASÍLIA – O Ministério da Justiça exonerou o diretor de proteção territorial da Funai (Fundação Nacional do Índio), Walter Coutinho Júnior. A demissão do diretor que respondia pela área de demarcações de terras na Funai foi publicada nesta quarta-feira, 8, no Diário Oficial da União (DOU).

A decisão, oficializada pelo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, ocorre 20 dias após Coutinho Júnior ter criticado as mudanças que o Ministério da Justiça fez no processo de demarcação de terras indígenas em todo o País.

Segundo a Funai, o servidor é funcionário concursado pelo Ministério Público Federal no Amazonas e ocupava o cargo comissionado na Funai. Seu prazo para continuar cedido não teria sido renovado pelo MPF. Seu substituto nas demarcações será o servidor da Funai Manoel Batista.

No dia 19 de janeiro, Coutinho Júnior enviou uma carta ao presidente da Funai, Antônio Fernandes Toninho Costa, pedindo a revogação imediata de uma portaria do Ministério da Justiça que altera regra de demarcação.

No documento técnico, o diretor fazia duras críticas a uma série de problemas da portaria 68, que criava uma nova estrutura para acompanhar o processo de demarcação de terras, o chamado GTE (Grupo Técnico Especializado), com o propósito de “fornecer subsídios em assuntos que envolvam demarcação de terra indígena”.

Em sete páginas, o diretor de proteção territorial da Funai rebatia cada um dos pontos polêmicos da proposta, relatando a surpresa com que a Funai recebeu a notícia sobre as mudanças. “É preciso assinalar que a expedição de um ato dessa natureza não chegou sequer a ser cogitada junto à Funai ou discutida antecipadamente com seus órgãos técnicos”, afirmou no documento. “O que se pode constatar, de plano, é a carência de motivação técnica, ou quiçá até mesmo jurídica, para a adoção dos critérios especificamente elencados pela portaria, além, evidentemente, da ausência de clareza na sua formulação”.

A polêmica e as críticas de movimentos e organizações sociais foram tão grandes em torno da portaria que, quatro dias depois de publicada, o Ministério da Justiça, ao qual a Funai é vinculada, decidiu revogar o texto e editar uma nova versão. O texto da nova portaria, porém, mantém a criação do GTE (Grupo Técnico Especializado) e sua finalidade básica, que será a de validar os trabalhos técnicos realizados pela Funai.

Na avaliação de Walter Coutinho, a portaria criou “mais uma instância formal de avaliação e intervenção no procedimento de demarcação das terras indígenas brasileiras”, função que, por lei, cabe à Funai desempenhar.

(Estadão Conteúdo/ATUAL)

 

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Assuntos Demarcação de terra indígena, Funai
Redação 8 de fevereiro de 2017
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