

Por Leticia Fernandes, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – Uma pesquisa realizada pelo Instituto Ideia mostra que as três líderes políticas mais lembradas por eleitores são a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), candidata ao Senado pelo Distrito Federal, e a ex-presidenciável e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede), que concorre ao Senado por São Paulo. Dilma foi citada por 20% dos entrevistados, Michelle por 12% e Marina por 6%.
Em seguida foram mencionadas a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), com 4,3%, a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB-SP), candidata a senadora, com 4,2%, a governadora de Pernambuco Raquel Lyra (PSD), lembrada por 2% dos entrevistados, e a ex-vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018 a mando dos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão. Ela foi mencionada por 1,7% dos ouvidos.
A primeira-dama Janja da Silva, que não ocupa cargo público, também apareceu na lista. Embora atue como ativista e tenha ganhado visibilidade especialmente em meio a polêmicas no governo Lula, ela aparece em 14º lugar, com 0,7% das menções.
Única presença feminina no STF (Supremo Tribunal Federal), a ministra Cármen Lúcia também foi mencionada por 0,8% dos entrevistados, em 11º lugar.
O levantamento obtido peloEstadão foi realizado para o manifesto Confia Nelas, lançado esta semana pelo Ideia em parceria com o escritório de projetos Voga para defender a maior participação de mulheres na política.
Mulheres no topo
Boa parte da população, 65% dos entrevistados, admitiram na pesquisa que a violência contra mulheres candidatas é um problema muito grave no Brasil.
Ao mesmo tempo em que defendem mais participação feminina na política (71%), os ouvidos na pesquisa ainda estranham ver mulheres em cargos de poder. 39% disseram achar estranha a presença feminina no comando das Forças Armadas e das polícias, e 35% acham que causa “estranhamento ou desconfiança” ver mulheres prefeitas, deputadas e senadoras.
Mais mulheres na política
Mais da metade da população acredita que a maior participação feminina na política ajudaria a reduzir a corrupção no País. O levantamento do Ideia mostrou que 55% dos entrevistados concordam com essa afirmação, ante 13% que discordam.
O instituto também testou a frase machista dita pelo blogueiro Paulo Figueiredo, aliado do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), de que “mulheres votam estatisticamente muito mal, principalmente as solteiras”. 58% dos ouvidos discordaram da afirmação, mas 19% disseram estar de acordo com a fala de cunho machista. 15% afirmaram nem concordar, nem discordar.
A pesquisa ouviu 1.018 pessoas entre os dias 27 e 28 de julho em todas as regiões do País. A margem de erro é de três pontos porcentuais.
Confira dados sobre a participação de mulheres na política:
- 39% acham estranho ver mulheres em cargos de comando nas Forças Armadas e nas polícias;
- 35% dos ouvidos acham que causa “estranhamento ou desconfiança” ver mulheres em cargos na política como prefeitas, deputadas e senadoras;
- 35% dos entrevistados acreditam que a presença de mulheres em cargos de liderança na construção civil ou trabalho industrial gera “estranhamento ou desconfiança”.
- 21% desconfiam ou sentem estranhamento de mulheres na área de finanças e negócios;
- 20% sentem o mesmo no esporte;
- 18% acham estranho ver mulheres em cargos de comando nas áreas de tecnologia, engenharia e inovação;
- 12% acreditam que causa “estranhamento ou desconfiança” ver mulheres na área de sustentabilidade, agronegócio e clima;
- Apenas 10% dos ouvidos disseram que gera desconfiança ou estranhamento ver mulheres ocupando cargos de liderança na área de ciência e pesquisa.
