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© 2022 Amazonas Atual
Variedades

Dia Mundial do Hip-Hop: em Manaus, movimento foi das ruas à academia

12 de novembro de 2023 Variedades
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Hip-Hop
Dia Mundial do Hip-Hop é comemorado em todo o Brasil (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
Do ATUAL, com informações da SEC-AM

MANAUS – A comemoração dos 50 anos da fundação do hip-hop em 2023 faz deste dia 12 de novembro, instituído como o Dia Mundial do Hip-Hop, ainda mais especial. A cultura urbana surgiu nos guetos de Nova York como alternativa à violência das periferias, característica que foi reproduzida em todos os lugares onde o hip-hop chegou.

Em Manaus, o hip-hop já contabiliza 40 anos de existência. A cultura – formada pelo Rap, Grafite, DJs, MCs e Street Dance – também chegou à capital como expressão periférica de valorização da autoestima dos jovens, colocando as ideias e a expressão artística como alternativa à violência e à falta de informação, acabando por se tornar tema de pesquisas acadêmicas.

Surgido nas periferias da capital, mas encontrando local fértil para suas manifestações também no Centro da cidade, o hip-hop em Manaus saiu das ruas e ganhou a academia, indo parar nas universidades, levado por integrantes que se tornaram acadêmicos.

É exatamente esse o caso de Richard Adriano de Souza, também conhecido como Adriano Art96, ou simplesmente Art. Pioneiro no Movimento Hip-Hop Manaus (MHM), Art foi um dos líderes do movimento de 1997 a 2013.

O breakdancer Art se tornou acadêmico e lançou recentemente o livro “Hip-Hop Manaus Anos 80, Uma Cultura de Rua e Popular”, fruto de sua dissertação de Mestrado em História Social, defendida na Universidade Federal do Amazonas.

O registro, além de relembrar a trajetória do movimento e seus integrantes pioneiros, também traça um panorama socioeconômico de Manaus ao longo dos anos em que a cultura hip-hop se instalou na cidade.

Art
O breakdancer Art autor do livro “Hip-Hop Manaus Anos 80, Uma Cultura de Rua e Popular” (Foto: Divulgação)

“Quis mostrar a complexidade de uma cidade isolada geograficamente, situada no coração da Amazônia, mas ao mesmo tempo vibrante, urbana e cheia de contrastes. Através do hip-hop, explora esses bolsões de pobreza cercados por ilhas de prosperidade, e como essa arte se tornou uma voz para muitos jovens”, afirma Adriano “Art”.

O autor e breakdancer também faz questão de mostrar o quanto o hip-hop influenciou na vida dos jovens ao longo do tempo. “Meu objetivo foi além de contar uma história. Quis provocar reflexões sobre como a cultura e a arte podem ser meios de expressão e transformação social”, afirma.

Cultura abrangente

Jovens integrantes atuais do movimento hip-hop local, Lore Cavalcanti e Osmar Junio, além de participarem de batalhas de B-boys e B-girls, realizam pesquisa sobre a cultura do hip-hop no Amazonas, também no intuito de levar a arte de rua à academia. Ambos são formados em dança pela UEA (Universidade do Estado do Amazonas).

Para Lore Cavalcanti, ao longo desses 50 anos, o hip-hop demonstra sua importância por ser uma cultura abrangente que, apesar de recente, atinge e influencia diversos setores culturais mundialmente.

“É uma cultura que tem forte presença na moda, tem presença nos modos de agir, nos modos de estar, de permanecer, e ela perdura, tanto em estilos musicais como, para nós, dançarinos e praticantes dessa cultura”, afirma Lore.

A artista e pesquisadora lembra também que o cinquentão hip-hop continua em expansão e transformação. “Há ramificações que se subdividem dentro da cultura hip-hop. Ainda hoje há uma iniciação a outras danças, surgindo novos movimentos. E a cultura vai abrangendo elas e junto com elas crescendo”, declara.

Profissional da dança e pesquisador, Osmar Júnior ressalta a matriz africana do hip-hop. “Tem uma fala do Henrique Bianchini sobre as danças afrodiaspóricas que se instituíram e que se instituem até hoje ainda, porque o hip-hop tem essa raiz africana”, afirma.

Lore e Osmar
Lore Cavalcanti e Osmar Junio são artistas e pesquisadores do hip-hop no Amazonas (Foto: Brenda Lobato/SEC)

Osmar diz que passou por outros estilos de dança até se firmar como um breakdancer. “Eu tenho movimentos que eu fui pegando do ballet clássico, do balé contemporâneo, mas o hip-hop é onde eu me encontrei”, diz.

Sobre a cena local, Lore e Osmar citam referências atuais e pioneiras. “Da cena local, inseridos na dança, eu tenho Johnny Batista, que é um dos mais antigos aqui dentro da cultura hip-hop, principalmente dentro do hip-hop dance freestyle, que é a minha área de pesquisa”, cita Lore.

A breakdancer também dá exemplos de referências musicais do estilo. “Musicalmente, no rap, eu tenho o Kurt Sutil e o Vitor Chamam, que são daqui de Manaus, e a influência que eles vêm exercendo e as proporções que vêm tomando está sendo muito forte e muito importante pra nossa geração agora”, diz.

“Quando eu comecei eu conheci o Johnny Batista, que tinha parado uma época e depois voltou. Peguei a época que ele estava voltando. Conversou comigo. Foi uma pessoa daquela época, que tinha bastante conhecimento, e tinha ali uma referência que eu só via nele”, conta Osmar.

Osmar também tem suas referências musicais no hip-hop local. “Tem o DJ Carapanã e o mais antigão, mesmo, que é o DJ Tubarão, que continua fazendo muitos trabalhos. Ele é daquela galera old school mesmo. Um DJ old school, que trabalha no vinilzão mesmo e é bastante bom”, elogia.

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Assuntos academia, hip-hop, movimento, música, universidade
Valmir Lima 12 de novembro de 2023
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