
Neste dia 8 de março de 2023, mais uma vez é comemorado o Dia Internacional das Mulheres. Para muitas pessoas é uma data festiva, com presentes e flores a serem dadas às mulheres, confraternizações e muito carinho e afeto. Porém, a data tem um significado mais duro e realista.
Essa data é um momento de reflexão e de luta. O Dia Internacional das Mulheres surgiu a partir das lutas das mulheres pelos seus direitos, das lutas contra a desigualdade de gênero e no mundo do trabalho e contra o machismo e a violência.
Em termos históricos, temos vários momentos que deram origem a essa data. Desde a Revolução Industrial, com novas formas de produção a partir do final do século XIX, os operários tinham que trabalhar até a exaustão, sem direitos. Muitas greves ocorriam, mas eram duramente reprimidas. Há relatos de que em Nova Iorque, Estados Unidos, em 1857, 129 mulheres foram mortas em um incêndio criminoso, porque elas estavam em greve. Outro fato também teria acontecido em 1911, na mesma cidade. E muitos outros casos ocorriam.
Em 1910, no II Congresso Internacional das Mulheres Socialistas, ocorrido na cidade de Copenhague, a operária Clara Zetkin, do Partido Comunista Alemão propôs a criação do Dia das Mulheres. Já em 1911 foi comemorado pela primeira vez em alguns países europeus.
O dia 8 de março foi confirmado como data de comemoração, pois antes não tinha data certa, devido a uma grande greve das mulheres em 1917, na Rússia dos Czares, antes da Revolução Russa. Em 1975, a ONU oficializou a data como Dia Internacional das Mulheres para todo o mundo.
A luta das mulheres é por justiça e dignidade, que são os símbolos da cor roxa, muito utilizado pelos movimentos em defesa dos direitos das mulheres. Nessas lutas, destacam-se o direito pela participação política, os direitos no mercado do trabalho e a luta contra a violência.
O direito de votar das mulheres somente foi aprovado no Brasil em 1932. Antes não tinham direitos políticos. Não podiam votar e serem candidatas. Apesar de grandes avanços, e as mulheres serem um pouco mais de 50% do eleitorado, as mulheres ainda não tem grande representação parlamentar e no Executivo.
Na questão do trabalho, até 1962, no Brasil, as mulheres só podiam trabalhar se tivessem autorização do marido. Isso mudou, mas no mundo do trabalho ainda persistem grandes diferenças, apesar de avanços, tais como: menos mulheres em postos de comando que os homens, 30% das mulheres deixam o trabalho porque precisam cuidar dos filhos, metade das mulheres grávidas são demitidas após o fim da licença-maternidade, as mulheres ganham menos que os homens na maioria das ocupações, entre tantos outros dados atuais.
Mas uma das maiores lutas atuais está em torno da violência contra as mulheres. “A violência contra a mulher se mantém elevada” (Acrítica, Editorial, 07/03/23). Essa é a manchete na imprensa, que demonstra a taxa recorde de feminicídio no Brasil. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 699 mulheres foram vítimas de assassinato no 1º semestre de 2022. No Amazonas, diz a matéria, a violência contras as mulheres cresceu 15,7% entre os anos de 2021 e 2022. E mais: o Brasil é um dos cinco países com a mais elevada taxa de feminicídio.
Por sua vez, o Portal O Tempo, diz que “a cada quatro horas uma mulher é vítima de violência doméstica no Brasil” (O Tempo, 06/03/23). Segundo os dados da Rede de Observatórios da Segurança, com o boletim “Elas vivem: dados que não se calam”, de 2022, os crimes mais comuns cometidos contra as mulheres no Brasil são a tentativa de feminicídio ou o feminicídio, violência sexual ou estupro, tortura, cárcere privado e sequestro. Mas também destaca que entre 2021/2022, a violência de agressão verbal contra as mulheres cresceu 88,66%. Além disso, enfatiza que a violência contra as mulheres é causada na maioria das vezes pelo atual ou ex-companheiro.
Temos que mudar esse quadro. É papel de toda a sociedade, das instituições públicas, dos parlamentos, das políticas públicas. Neste sentido, é fundamental garantir o direito à saúde, educação, assistência social, previdência, cultura, e toda gama de direitos que estão na Constituição de 1988.
Assim, neste Dia Internacional das Mulheres é dia de lutas. Mas é claro, também de muito carinho, atenção, respeito, dignidade, solidariedade e amor às mulheres.
José Ricardo Wendling é formado em Economia e em Direito. Pós-graduado em Gerência Financeira Empresarial e em Metodologia de Ensino Superior. Atuou como consultor econômico e professor universitário. Foi vereador de Manaus (2005 a 2010), deputado estadual (2011 a 2018) e deputado federal (2019 a 2022). Atualmente está concluindo mestrado em Estado, Governo e Políticas Públicas, pela escola Latina-Americana de Ciências Sociais.
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