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Dia a Dia

Desmatamento barateou expansão das áreas de cultivo de produtores, diz estudo

18 de fevereiro de 2022 Dia a Dia
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Madeira foi apreendida em área de desmatamento ilegal (Foto: Pelegrine Neto/Gov. AM Secom)
Desmatamento na Amazônia e Cerrado influencia preço de terrenos (Foto: Pelegrine Neto/Secom)
Da Redação

MANAUS – O produtor que comprou novas terras para expandir sua produção contou com uma ajuda do desmatamento, mesmo que ele não tenha derrubado uma só árvore.  O estudo “Como o Agro se beneficia do desmatamento?”, do Instituto Escolhas e divulgado nesta quinta-feira (17), mostra que a incorporação de novas áreas desmatadas entre os anos de 2011 e 2014 no mercado de terras provocou uma depreciação de R$ 136,7 bilhões no valor do estoque de terra brasileiro em 2017, o equivalente a uma redução média de R$ 391 por hectare.

Para a gerente de Portfólio do Instituto Escolhas, Jaqueline Ferreira, o estudo comprova que “o desmatamento ocorrido na fronteira agrícola, na Amazônia e no Cerrado, deprecia o preço de terras do país como um todo, funcionando como uma espécie de subsídio ou desconto para aqueles produtores que têm como estratégia a incorporação de novas áreas para o aumento da produção. Já os produtores que apostam no aumento da produtividade de suas áreas saem perdendo com o desmatamento, uma vez que têm o preço suas terras depreciadas”.

Nos municípios em que ocorreu a expansão da fronteira agropecuária, situados predominante na Amazônia Legal e Matopiba [região que compreende estado de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia], a depreciação foi ainda maior, chegou a R$ 83,5 bilhões ou 25% do valor da terra em 2017, o equivalente a uma redução média de R$ 985 por hectare.

O preço do hectare de terra em São Félix do Xingu no Pará – município com maior depreciação observada – foi de R$ 2.476 em 2017. Sem o desmatamento dos anos anteriores, o preço teria chegado a R$ 6.606 por hectare.

br 319 rodovia
No total, 61 municípios (1,15%) acumularam metade (50%) da depreciação total da terra no país (Foto: Orlando K. Júnior/Observatório BR-319)

Apesar do efeito geral de depreciação do preço da terra, os maiores valores observados estão concentrados em poucos municípios e produtores. No total, 61 municípios (1,15%) acumularam metade (50%) da depreciação total da terra no país.

Ao mostrar que poucos ganham muito com a depreciação do preço da terra, o estudo traz mais uma evidência de que o desmatamento prejudica o setor.

“Ainda assim, a maior parte do agro se esquiva de adotar medidas concretas para se desvincular do desmatamento, como a rastreabilidade de todos os fornecedores das cadeias produtivas ou o registro e georreferenciamento das propriedades. Ou, ainda mais grave, é comum ver lideranças do setor defendendo ou tolerando silenciosamente o desmonte da legislação ambiental e a rotina de atos de regularização fundiária que premiam quem desmata”, diz Jaqueline Ferreira.

Soja (Foto Jonas Oliveira/ANPr/Fotos Públicas)
A soja teve uma desvalorização total de R$ 6,67 bilhões do valor bruto de produção do país em 2017 (Foto Jonas Oliveira/ANPr/Fotos Públicas)

O desmatamento também impactou os preços dos produtos agropecuários. No caso da soja, foi observada uma desvalorização total de R$ 6,67 bilhões do valor bruto de produção do país em 2017, com a redução de R$ 3,1 (-4,5%) no preço médio da saca de 60 kg.

“O estudo também mostra que o impacto negativo no valor do preço da terra causado por desmatamento é inferior ao impacto positivo causado por outros fatores, como acesso a infraestrutura, orientação técnica e características biofísicas da terra. O que só reforça a importância de se investir em fatores de produtividade e, ao mesmo tempo, promover o fim do desmatamento”, afirma Ferreira.

O estudo

De acordo com o estudo, o valor de mercado de um pedaço de terra é influenciado por diversos fatores como a infraestrutura, a proximidade de cidades, passando por disponibilidade de água para irrigação e o acesso a orientação técnica.

A partir do desenvolvimento de modelagens espacial e econométrica inéditas – que utilizou dados sobre o preço da terra, a agropecuária e a mudança de uso da terra no país entre os períodos de 2006 a 2017 – a pesquisa isolou o desmatamento e a consequente incorporação de terras para uso agropecuário dos demais fatores que influenciam o preço da terra. Com isso, foi possível observar o seu efeito no preço da terra e dos produtos agrícolas.

O estudo, idealizado e coordenado pelo Instituto Escolhas, foi executado por uma equipe interdisciplinar de pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP (Universidade de São Paulo), formada por Joaquim Bento de Souza Ferreira Filho, Gerd Sparovek, Adauto Brasilino Rocha Junior, Alberto Barreto, Arthur Fendrich e Giovani William Gianetti.

Clique aqui para acessar o sumário executivo – “Como o Agro se beneficia do desmatamento?”

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Assuntos agronegócio, Amazônia, Cerrado, desmatamento, instituto escolhas
Redação 18 de fevereiro de 2022
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