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Augusto Barreto Rocha

Desenvolvimento: uma obsessão por acertos

20 de agosto de 2018 Augusto Barreto Rocha
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Guimarães Rosa escreveu que “viver para odiar uma pessoa é o mesmo que passar uma vida inteira dedicada a ela”. A pauta única das discussões no país tem sido com respeito aos roubos realizados por quem deveria administrar, levando a um ódio desnecessário e improdutivo. Os contrapontos a isto têm sido dedicados a destratar ou desqualificar quem identificou os tais deslizes, como se o policial fosse culpado pelo roubo do bandido.

É desalentador quão pouco foco tem sido dado para os operários e administradores das ações corretas. Quem foram os técnicos que construíram as identificações dos erros? Quantos heróis anônimos estão realizando grandes missões para combater os desvios? Qual a ideologia que os move? Há recursos adequados? Quais as atividades científicas necessárias para tal? Adoraria compreender melhor como fazer e ter sucesso. Investigar isso seria muito mais produtivo do que verificar como se fez errado e dar voz para os que fazem errado.

Verificar como empresas estão fazendo errado é útil. Todavia, muito mais importante que isso é: o que fazer para ganhar dinheiro de maneira honesta? Por qual razão 40% da mão de obra do país trabalha na economia informal? Como 60% consegue fazer certo? O emprego informal é necessário em um momento de adversidade ou para complementar a renda. Entretanto, o que pode ser feito para suplantar este problema? Investigar quem consegue é uma forma de divulgar como fazer. Gastar tempo sobre como se erra também é uma forma pedagógica inversa, que leva ao ódio ao invés de criar a esperança.

Este enfoque sobre o erro é contrário a uma cultura empreendedora. O enfoque sobre o erro leva a uma paralisia e desesperança, que não é nada boa para a criação de riqueza. O otimismo e a esperança levam a uma economia harmoniosa e pujante e o pessimismo leva ao movimento contrário. Quais grupos querem tirar a alegria brasileira? Seja quem for, está conseguindo e os números de guerra que temos evidenciam isso.

Segundo pesquisa do IPEA, Altamira (PA) é o município mais violento do país, tendo 107 como a sua taxa de homicídios por 100 mil habitantes, enquanto Jaraguá do Sul (SC) é o mais pacífico, com 3,7. A diferença é enorme. Há indústria de motores em Jaraguá do Sul e há minério de ferro e hidroelétrica próximo à Altamira. Adoraria uma investigação sobre um contraste do que se faz certo em Jaraguá e Altamira e o que se faz errado nos dois casos. Quais os caminhos para aproximar o resultado de Altamira do resultado de Jaraguá do Sul? Qual o caminho a ser percorrido? Como o país pode apoiar Altamira e replicar Jaraguá do Sul?

Como sair deste emaranhado de lixo que nos encontramos? Criticar é ótimo, mas a crítica sem indicação de saídas será horrível e se houver crítica com indicações de saídas ruins, isso será anda pior.  Precisamos celebrar acertos de gestão, mas estamos vivendo um momento estranho. Deveria ser positivo, pois se aproxima uma eleição ampla e democrática. Entretanto, a pauta pessimista não muda. Quais as saídas propostas por cada candidato? O que especialistas de diferentes ideologias apontam como acertos e erros de cada um? Como realmente informar o cidadão, para que a escolha seja baseada no seu interesse produtivo?

Como realizar o desenvolvimento sustentável na Amazônia? Quais os projetos que têm dado certo aqui e gerado riqueza? Como fazer mais do que dá certo? Em nosso jeito estranho, quando se percebem empresários dando certo, busca-se logo como cobrar mais impostos ou como puni-lo. O caminho deveria ser outro: apoio para fazer mais disso em outros lugares. Qual a saída? Investigar com profundidade o que tem dado certo e replicar modelos de sucesso. Esta mudança de olhar parece-me o caminho para o desenvolvimento sustentável.


Augusto César Barreto Rocha é doutor em Engenharia de Transportes (COPPE/UFRJ), professor da UFAM (Universidade Federal do Amazonas), diretor adjunto da FIEAM, onde é responsável pelas Coordenadorias de Infraestrutura, Transporte e Logística.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos Amazonas, desenvolvimento, Guimarães Rosa, obsessão
Cleber Oliveira 20 de agosto de 2018
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1 Comment
  • Valdir Narzetti disse:
    22 de agosto de 2018 às 10:33

    O dado é referente ao ano de 2015 e está contido no Atlas da Violência de 2017, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A fonte foi confirmada pela assessoria de Carneiro, consultada pelo Truco. A taxa de homicídios e mortes violentas por causa indeterminada em Altamira, naquele levantamento, era de 107, contra 97,7 da segunda colocada, Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador.

    Só que há versão mais recente do Atlas, e nela Altamira cai sete posições, passando a ser a oitava cidade com mais de 100 mil habitantes mais violenta do Brasil. Com dados de 2016, o Atlas da Violência 2018 – Políticas Públicas e Retratos dos Municípios Brasileiros indica queda na taxa do município do sudoeste paraense para 91,9. O município mais violento do Brasil atualmente é Queimados, na região metropolitana do Rio de Janeiro, com taxa de 134,9.

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