
Por Felipe Campinas, do ATUAL
MANAUS — Derrotado no primeiro turno, o governador Roberto Cidade (União Brasil) deixou a disputa respondendo a três ações eleitorais que buscam torná-lo inelegível por abuso de poder político na eleição de 2026.
As três ações foram apresentadas pelo ex-prefeito David Almeida (Avante), que terminou a disputa na primeira fase em quarto lugar. Os processos tramitam no TRE-AM (Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas).
Em uma das ações, Cidade, o deputado Adjuto Afonso e outros aliados respondem pelo suposto uso dos meios de comunicação da Assembleia Legislativa do Amazonas, do Governo do Amazonas e do FPS (Fundo de Promoção Social) em favor da campanha de reeleição do governador.
De acordo com a coligação de David, desde que assumiu o cargo de governador, Cidade alimentou seus canais eleitorais com fotografias produzidas pela Secom e por quatro profissionais remunerados, em 2026, pela Secom, pela Assembleia Legislativa e pelo FPS.
A coligação apresentou prints das fotografias incluídas no site do governador e em seus perfis no Flickr, plataforma de compartilhamento de fotografias. Nelas, aparece nos créditos das fotos a inscrição “Secom” e os nomes dos fotógrafos contratados pelo governo.
Em outra ação, David pediu a condenação de Cidade pelo suposto uso da estrutura do Governo do Amazonas para promoção pessoal, por meio de “sucessivas entregas gratuitas de bens e benefícios, acompanhadas da oferta de serviços públicos gratuitos” em eventos itinerantes e cerimônias oficiais realizadas em Manaus e no interior.
Entre as ações citadas estão a concessão de títulos definitivos e a entrega de cartões de assistência social, cestas básicas, óculos, cadeiras de rodas, kits, insumos e implementos.
A 48ª Expoagro, realizada entre os dias 16 e 23 de agosto, em Manaus, é objeto da terceira ação que busca tornar Cidade inelegível.
Nesse processo, a coligação de David afirmou que Cidade e aliados realizaram uma “massiva campanha de publicidade institucional OOH [Out Of Home, em ambientes de movimentação pública] para os milhares de presentes, divulgando ações do Governo do Estado, tudo isso dentro do período vedado”.
Cidade, que tentava a reeleição, obteve 21,91% dos votos (453.896) e ficou em terceiro lugar. Omar Aziz (PSD) terminou na primeira posição, com 40,63% (841.846 votos), seguido por Maria do Carmo Seffair (PL), que alcançou 24,49% (507.335 votos).
O governador foi alvo de dezenas de representações de autoria dos adversários e contratou quatro escritórios de advocacia para responder as demandas.
