
Por Mônica Bergamo, da Folhapress
SÃO PAULO, SP – O deputado estadual Paulo Fiorilo (PT) entrou com uma representação junto ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) contra o parlamentar Frederico d’Avila (PSL) por quebra de decoro.
Em discurso na semana passada, o deputado bolsonarista chamou o papa Francisco e o arcebispo de Aparecida (SP), dom Orlando Brandes, de “pedófilos”, “vagabundos” e “safados”.
“A vociferação agressiva do deputado Frederico d´Avila contra o arcebispo dom Orlando Brandes, contra a CNBB [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil] e contra o papa Francisco em muito extrapola o seu direito de expressão como deputado estadual”, afirma Fiorilo em sua representação.
“Desta forma, excede o manto da sua imunidade parlamentar, o que caracteriza a quebra de decoro”, segue o petista, que pede que d’Avila seja punido com a perda de seu mandato.
Ao menos outros dois deputados, Emidio de Souza (PT) e Luiz Fernando (PT), também representaram contra d’Avila.
As declarações do parlamentar do PSL foram dadas em reação a críticas feitas por Brandes em sermão de missa no feriado de 12 de outubro.
“Seu vagabundo, safado da CNBB, dando recadinho para o presidente [Jair Bolsonaro], para a população brasileira, que pátria amada não é pátria armada. Pátria amada é a pátria que não se submete a essa gentalha, seu safado”, afirmou d’Avila na tribuna da Assembleia.
“Seu vagabundo, safado, que se submete a esse papa vagabundo também. A última coisa que vocês tomam conta é do espírito e do bem-estar e do conforto da alma das pessoas. Você acha que é quem para ficar usando a batina e o altar para ficar fazendo proselitismo político? Seus pedófilos, safados. A CNBB é um câncer que precisa ser extirpado do Brasil”, seguiu.
Em Aparecida, antes de visita do presidente Jair Bolsonaro ao local, o arcebispo pregou: “Vamos abraçar os nossos pobres e também nossas autoridades para que juntos construamos um Brasil pátria amada. E para ser pátria amada não pode ser pátria armada”.
O religioso fez alertas sobre o armamento da população, o discurso de ódio e as notícias falsas e defendeu a ciência e a vacinação contra o coronavírus.
No mesmo dia, mas à tarde, Bolsonaro esteve no Santuário Nacional de Aparecida, onde foi recebido com aplausos e vaias, e ouviu um outro sermão com referências à situação atual do país, incluindo o desemprego e a pandemia.
Em carta divulgada no domingo, a CNBB pediu ao presidente da Assembleia, Carlão Pignatari, que adote medidas contra d’Avila.
A entidade afirma que também vai levar o assunto à Justiça, por meio de uma interpelação, para que o deputado preste esclarecimentos sobre as ofensas e acusações.
“Com ódio descontrolado, o parlamentar atacou o Santo Padre o Papa Francisco, a CNBB, e particularmente o Exmo. e Revmo. Sr. Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida. Feriu e comprometeu a missão parlamentar, o que requer imediata e exemplar correção pelas instâncias competentes”, diz a CNBB.
“A CNBB, respeitosamente, espera dessa egrégia casa legislativa, confiando na sua credibilidade, medidas internas eficazes, legais e regimentais, para que esse ultrajante desrespeito seja reparado em proporção à sua gravidade -sinal de compromisso inarredável com a construção de uma sociedade democrática e civilizada”, segue.
Pedido de desculpas
O deputado Frederico d’Avila pediu desculpas, nesta segunda-feira (18) por chamar o papa Francisco e o arcebispo de Aparecida (SP), dom Orlando Brandes, de “pedófilos”, “vagabundos” e “safados'”.
“Não poderia deixar de começar esta carta pedindo desculpas pelo excesso cometido quando do meu pronunciamento na tribuna no dia 14 de outubro, inflamado por problemas havidos nos dias anteriores”, disse d’Avila em uma carta aberta.
O presidente da Assembleia Legislativa, Carlão Pignatari (PSDB), também pediu desculpas, em nome da Casa, ao papa e ao arcebispo. Disse que repudia palavras que extrapolem “os limites da liberdade de expressão e da imunidade parlamentar”.
