
Da Redação
MANAUS – Condenado em primeira instância a pagar R$ 80 mil ao senador Omar Aziz (PSD) por tê-lo chamado de “corrupto e escória social”, o deputado estadual Fausto Júnior (MDB) propôs um desafio: “Eu não quero que os R$ 80 mil vá para o bolso dele. Eu prometo não recorrer se ele provar que não foi investigado, que teve o passaporte retido e concordar em doar o dinheiro para uma instituição que defende vítimas de pedofilia”, desafiou.
Em entrevista coletiva concedida na manhã desta quinta-feira (9), o deputado afirmou num primeiro moemnto que vai recorrer, pois não aceita ser tolhido do direito de falar e denunciar. “Decisão judicial a gente não discute. A gente recorre, se não concordar com ela. Eu não concordo. Jamais irei me calar diante de fatos que eu acredito que são verdade. E eu tenho como provar que são verdade”.
Em seguida, admitiu não recorrer, lançando um desafio: “Tem uma alternativa. Eu quero fazer um desafio ao senador Omar Aziz. Se ele conseguir vencer o desafio eu não irei recorrer. Ele tem que convecer a população que não foi investigado em operação da Polícia Federal e que seu passaporte não foi retido. Eu não vou aceitar que o valor vá para o bolso dele. Mas se ele concordar que esse valor vá para o Iacas, uma associação que defende vítimas da pedofilia… Se ele vencer os desafios, eu não vou recorrer. Eu aceito, por mais que eu não concorde. Se ele conseguir vencer o desafio, eu não vou recorrer”, afirmou. O Iacas (Instituto de Assistência à Criança e ao Adolescente) tem sede no bairro de Santo Antônio, zona oeste de Manaus.
Do valor, R$ 50 mil foi por descumprimento de decisão judicial e R$ 30 mil por danos morais a Omar Aziz. A condenação foi motivada pelas publicações do teor da fala nas redes sociais. Condenado a excluir a publicação, o deputado não obedeceu a decisão e por isso foi multado. A sentença foi da juíza de primeira instância Maria Eunice Torres do Nascimento, da 9ª Vara Cível do Amazonas.
“Eu não descumpri a decisão judicial. Eu entrei recurso, mas não houve tempo hábil para que meu recurso fosse apreciado. Ela não concordou com meu recurso”, tentou explicar. “Desde o momento que eu tomei conhecimento da decisão judicial, está fora das minhas redes sociais todas as publicações que foram alvo da ação judicial”, disse.
Fausto voltou a fazer acusações contra o senador, insinuando que ele “induz a Justiça a erro”. “Essa peresguição começou a acontecer não somente comigo, mas também com outras 80 pessoas que o senador Omar procura induzir a Justiça a erro. Eu acredito na Justiça do Amazonas. A Justiça não vai pemitir que haja esse tipo de censura com as pessoas que nao concordam com as práticas da velha política, que o senador Omar tanto pratica, ao tentar intimidar as pessoas que se rebelam contra ele”.
O deputado foi relator da CPI da Saúde na Assembleia Legislativa do Amazonas e, por essa condição, foi convocado a depor na CPI da Covid, do Senado Federal, presidida por Omar Aziz. O depoimento ocorreu dia 29 de junho. A CPI estadual investigou desvio de recursos da Saúde de 2011 a 2020 e as operações Maus Caminhos, Cash Back, Vertex. Na ocasião, o deputado e o senador trocaram acusações em rede nacional de TV, que transmitiam a reunião da CPI.
Desde o depoimento de Fausto Jr., ele, e a família dele travam com Omar Aziz uma batalha judicial e trocam acusações sobre corrupção.
