
Por Milton Almeida, do ATUAL
MANAUS – “Um dia me levantei de madrugada, coloquei os pés no chão e senti a água”, diz o gaúcho Rodrigo Merib, de 29 anos, ao sentir na pele os efeitos do desastre ambiental no Rio Grande do Sul. Ele chegou a Manaus na sexta-feira (24). Rodrigo, casado com a parintinense Nelice Batalha, de 24 anos, morava em Canoas com a esposa e a filha de seis meses. A cidade foi totalmente inundada pela enchente.
O voo para Manaus saiu de Florianópolis (SC) com mais 27 famílias que decidiram retornar ao Amazonas devido às inundações no estado.
Rodrigo disse ao ATUAL que a família saiu às pressas de Canoas (RS) e foi para a cidade de Passo Fundo (a 289 quilômetros de Porto Alegre). De lá, foi para Florianópolis de onde pegaram o avião para Manaus. “Eu e minha esposa estamos juntos há 3 anos e nos conhecemos em Santa Catarina. E viemos para Parintins. Montamos um churrasquinho para reerguer nossa vida e realizar nossas coisas”, conta.
Ele acrescenta que a família teve ajuda de algumas pessoas em Parintins. Ganharam geladeira e um local para montar o “Churrasquinho do Gaúcho”. “Vamos trabalhar na festa de Nossa Senhora do Carmo [que ocorre após o Festival Folclórico dos bumbás – de 6 a 16 de julho] para conseguir um dinheirinho”, diz.
Segundo a Defesa Civil do Estado do Amazonas, entre os passageiros do último voo havia estudantes, famílias inteiras e idosos, todos impactados pelas recentes enchentes. Também estavam no voo um cão, duas crianças com síndrome de Down e uma representante da tribo Kokama. A partida de Florianópolis aconteceu devido à interdição dos aeroportos nas localidades afetadas pelas enchentes.
A Defesa Civil também informou que em 15 dias de operação, 150 pedidos foram recebidos e a partir de uma análise detalhada da demanda e da logística necessária, levando em consideração critérios de prioridade, como questões de saúde, crianças e idosos, pessoas com deficiência (PCD), e estudantes isolados, o órgão deu início ao processo de realocação.
