
MANAUS – Desde a eleição do governador José Melo, em 2014, o Amazonas vive uma instabilidade política que não faz bem para o Estado. Em menos de seis anos, já são quatro governadores, e o Estado está na mais grave crise política dos últimos tempos.
José Melo, o vice de Omar Aziz que virou governador em abril de 2014, foi o mais longevo. Perdeu o cargo por irregularidades na campanha eleitoral, mas já estava na mira da Justiça e dos órgãos de controle que investigavam desvios na saúde do Amazonas.
Depois de perder o cargo de governador, José Melo foi preso e responde até hoje por crimes cometidos por uma organização criminosa que desviava dinheiro federal da Susam (Secretaria de Saúde do Amazonas).
David Almeida, então presidente da Assembleia, herdou o cargo de governador temporariamente, até a eleição suplementar realizada em agosto de 2017. Não faltaram denúncias de suspeitas de contratos com sobrepreço, principalmente na saúde, nesse curto período do governo provisório.
Amazonino Mendes venceu a eleição de 2017, mas também não teve sossego. Em pouco tempo perdeu o apoio da base liderada por Omar Aziz para a eleição suplementar, e teve que enfrentar uma oposição forte na Assembleia Legislativa, sob a liderança de Almeida, em 2018.
Por se um ano eleitoral, grande parte dos problemas do governo foram colocados para debaixo do tapete, sendo o mais grave a falta de pagamento de empresas prestadoras de serviços de saúde.
Com a derrota nas eleições, logo as empresas médicas e de enfermeiros passaram a cobrar os pagamentos em atraso, o que caiu no colo de Wilson Lima, o novato na política que derrotou o recordista de cargos no Executivo estadual.
O primeiro ano de Wilson Lima foi marcado por uma oposição pequena, mas barulhenta na Assembleia Legislativa. Greves de servidores da Educação e da Segurança Pública e ameaças de paralisação dos médicos e enfermeiros por falta de pagamento dos contratos contribuíram para derrubar a avaliação positiva do governo no primeiro ano de gestão.
Em 2020, a pandemia do novo coronavírus serviu para ampliar a instabilidade política. Suspeitas de compras superfaturadas, colapso do sistema de saúde, mortes pela Covid-19 operação do Ministério Público do Estado, operação da Ministério Público Federal e Polícia Federal, instalação de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Assembleia Legislativa marcaram os últimos meses da política do Estado.
Nesta terça-feira, a Assembleia retomou o processo de impeachment do governador e do vice-governador, em meio às investigações da CPI da Saúde.
O desfecho de toda essa crise, seja qual for o resultado, certamente não será bom nem para o desenvolvimento do Estado e nem para a população, que sofrerá as consequências na pele.

