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Economia

Cuidados com segurança atrasaram revolução tecnológica bancária, diz Meirelles

3 de dezembro de 2019 Economia
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caixa eletrônico bancos
O secretário também afirmou que, com o crescimento do open banking, o momento em que “as fintechs começam a devorar os bancos” (Foto: Andressa Katriny/CMC)
Por Isabela Bolzani, da Folhapress

SÃO PAULO – O secretário da Fazenda do estado de São Paulo, Henrique Meirelles, afirmou nesta terça-feira, 3, em evento voltado para open banking, que a maior precaução com segurança por parte dos bancos atrasou a adaptação tecnológica no setor.

“É surpreendente que o sistema financeiro tenha demorado mais do que outros mercados, como o de comércio e bens e serviços, mas o motivo é compreensível. Ele [o sistema financeiro] engloba a questão de poupança e segurança e isso faz com que todos caminhem com mais cuidado e mais devagar”, disse em evento promovido pela Focaccia, Amaral e Lamonica Sociedade de Advogados (FAS) nesta terça-feira.

O secretário também afirmou que, com o crescimento do open banking, o momento em que “as fintechs começam a devorar os bancos” chegou, mas que ainda não estão parados.

“Essas instituições estão fazendo investimentos pesados em tecnologia, até para que eles próprios possam se transformar em fintechs. A modernização é muito grande e o open banking é uma evolução muito importante. É quase uma revolução”, completa Meirelles.

O open banking é um sistema que permite que outras empresas e serviços acessem dados bancários de seus usuários a partir da autorização explícita desses clientes. Na semana passada, o Banco Central colocou em consulta pública uma proposta de regulação para essa ferramenta, autorizando o compartilhamento de dados entre instituições financeiras.

A medida, denominada pelo BC de Sistema Financeiro Aberto, receberá manifestações do mercado em sua consulta pública até 31 de janeiro e a expectativa é de que uma regulação seja implementada até o final de 2020.

Na prática, o open banking permitira que os consumidores movimentassem suas contas financeiras a partir de diferentes plataformas e ferramentas.

Segundo Meirelles, porém, as questões regulatórias e que dizem respeito à privacidade de dados são importantes para a continuidade no avanço desse sistema.

“O Brasil é um país muito normatizado, principalmente no sistema financeiro. E é importante que, agora, o usuário se dê conta de que é o dono de suas próprias informações. Tudo precisa ser balanceado e é necessário crescer, mas sempre preservando a questão da privacidade”, acrescenta.

O secretário também destacou as mudanças relacionadas ao fechamento de agências bancárias físicas. “Do ponto de vista operacional, a tendência é que essas estruturas deixem de ser necessárias. Mas é importante trazer que algumas pesquisas mostram que muitas pessoas ainda fazem questão de ir na agências física, muito pela sensação de segurança”, disse.

Conforme noticiado por quatro dos cinco maiores bancos do país, a expectativa é de que até o final de 2020, mais de 1.200 agências físicas sejam fechadas.

Ainda segundo Meirelles, o BC precisa continuar a normatização das fintechs e bancos eletrônicos.

“Teremos um processo cada vez maior de desintermediação [financeira] e os bancos tendem a investir ainda mais nessa revolução tecnológica para se adaptar a esses processos. Esse é o caminho para o qual as novas gerações estão se orientando”, completa. 

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Assuntos segurança tecnológica, tecnologia bancária
Redação 3 de dezembro de 2019
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