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Dia a Dia

Crianças têm que se mexer mais e usar menos telas, recomenda OMS

26 de abril de 2019 Dia a Dia
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A criança não deve ficar por mais de uma hora em frente a uma tela (Foto: Marcelo Camargo/ABr)
Por Jairo Marques, da Folhapress

SÃO PAULO – Bebês que vivem enrolados em cobertores e que passam horas seguidas na cadeirinha ou embalados no carrinho precisam se movimentar mais, assim como crianças de até cinco anos precisam gastar menos tempo em frente às telas e ter mais atividades físicas e horas de sono.

As recomendações são da OMS (Organização Mundial da Saúde), endossadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria e que visam melhorar a exploração do potencial da primeira infância (de 0 a 3 anos), prover mais saúde para a criança e alertar para os riscos da obesidade precoce. A organização estipulou uma lista de atividades e tempo de sono para três faixas etárias alvos da recomendação (veja abaixo).

“Ações como aumentar a atividade física, reduzir o sedentarismo e garantir um sono de qualidade para as crianças pequenas vão melhorar sua saúde física e mental e seu bem-estar, além de prevenir a obesidade e as doenças associadas a ela”, declarou em informe à imprensa Fiona Bull, diretora de um programa de vigilância e prevenção de doenças não transmissíveis da OMS.

Para bebês de até um ano, a OMS recomenda que se evite totalmente o acesso a telas eletrônicas. Após os dois anos, a recomendação para acesso a televisores, jogos eletrônicos e smartphones é de uma hora por dia, no máximo.

“A sociedade de pediatria e entidades internacionais são mais rígidas em relação ao contato com telas. Contraindicamos seu uso totalmente até dois anos. Depois disso, cabe aos pais controlar, evitando que seja mais de uma hora por dia e nunca próximo ao horário de dormir”, afirma Clóvis Constantino, primeiro vice-presidente da SBP.

Ele explica que crianças de até três anos estão em intenso processo de formação de suas conexões neurais e que elas precisam de experiências físicas, da interação social, das “três dimensões” para otimizarem esse processo.

“A tela fecha a atenção da criança em duas dimensões, tem manipulação automática e nunca a contraria. Há também o intenso contato com a luz, o que atrapalha diretamente a produção de hormônios que regulam o sono.”
Ainda segundo o vice-presidente, “a maioria das doenças que mais matam o adulto podem começar a ser prevenidas desde o nascimento com o aleitamento materno”.

A comissão da OMS para o fim da obesidade infantil vê “importantes interações” entre atividade física, sedentarismo e tempo adequado de sono e seus impactos na saúde física, mental e bem-estar, por isso pediu que fossem feitas orientações claras em relação a esses aspectos.

De acordo com a médica Fernanda Ferrante, endocrinologista pediátrica do Sabará Hospital Infantil, a partir dos três meses de vida a criança já pode ser estimulada e movimentada, principalmente para o fortalecimento cervical.

“Tudo é estímulo –os barulhos, as formas, as cores. Não há uma fórmula mágica e ideal. O que é importante é ter predisposição e respeitar o tempo do bebê, que dará sinais quando estiver incomodado com a atividade.”

Ferrante é enfática ao dizer que crianças pequenas não devem usar objetos eletrônicos nem ver TV nas refeições, como preconiza a OMS. “A relação da criança com a comida deve se estabelecer a partir do cheiro, depois quando se coloca o alimento na boca e sente-se o sabor, e vai até a saciedade.

Quando há um fator que desvirtue isso, todo o processo se perde e a criança só ingere. Não vê o alimento, não sente o gosto, não sabe quando está saciada”, diz.

Dos casos de obesidade infantil na primeira infância que chegam ao Sabará, segundo Ferrante, 90% são de crianças que ficam em frente a telas além do recomendado.

Além da questão do peso, a médica diz que extrapolar o tempo de uso de games, televisores e smartphones pode acarretar alterações comportamentais, como agitação, alterações de sono e dificuldade de concentração.

“O uso das telas por muito tempo faz a criança não entrar em sono profundo. É muito estímulo visual e auditivo para alguém tão pequeno. As consequências podem ser graves.”

AS RECOMENDAÇÕES

Bebês menores de um ano
Devem ficar ativos de diferentes formas e várias vezes por dia (brincar no chão, interagir com o cuidador etc.)

Os que ainda não se movimentam devem ficar ao menos 30 minutos de barriga para baixo ao longo do dia, despertos

Não ficar mais de uma hora seguida na cadeirinha, no carrinho ou no colo
Não ficar em frente a telas eletrônicas de qualquer tipo

Devem ter de 14 a 17 horas de sono por dia (até 3 meses) e de 12 a 16 horas de sono (de 4 a 11 meses)

Crianças de 1 a 2 anos

Ter pelo menos três horas de atividade física diária (de moderada a intensa)
Não devem ficar mais de uma hora em carrinhos, cadeirinhas ou no colo nem ficar sentadas por muito tempo

Menores de um ano não devem ficar em frente a telas eletrônicas
Após os dois anos, a criança não deve ficar por mais de uma hora em frente a uma tela

Ter de 11 a 14 horas de sono por dia, com horários regulares para acordar e dormir

Crianças de 3 a 4 anos

Praticar pelo menos três horas de atividades físicas diárias (60 minutos devem ser moderados a intensos)

Não devem ficar por mais de uma hora em carrinhos e cadeirinhas nem ficar sentadas por muito tempo

A criança não deve ficar por mais de uma hora em frente a uma tela

Ter de 10 a 13 horas de sono ao longo do dia, com horários regulares para acordar e dormir

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Assuntos crianças, OMS, saúde
Redação 26 de abril de 2019
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