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Procurador diz que corrupção no Ipaam favorece desmatamento no Amazonas

25 de abril de 2019 >Dia a Dia
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Procuradores e delegados da PF expuseram fraudes no Ipaam Foto: Patrick Motta/ATUAL)
Procuradores e delegados da PF expuseram fraudes no Ipaam Foto: Patrick Motta/ATUAL)
Da Redação

MANAUS – O procurador da República Leonardo Galeano , que participou da Operação Arquimedes de combate à extração de madeira ilegal no Amazonas, afirmou que a causa do desmatamento no Estado é a corrupção de servidores do Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas).

“Nessa operação se alcançou o núcleo. A causa desse cenário (desmatamento) é a ausência de uma efetiva fiscalização por parte do órgão ambiental estadual, o Ipaam, que está responsável justamente por promover o licenciamento dessas madeireiras e eventuais fiscalizações”, disse.

De acordo com o delegado Caio Cordeiro, chefe da Delegacia de Crimes Contra o Meio Ambiente, servidores e engenheiros se aproveitavam dos interesses de empresários. “Essa falta de seriedade era por interesses econômicos dos empresários que queriam de fato explorar. Os engenheiros queriam parcela no resultado e os servidores se aproveitavam para barganhar na fiscalização”, disse. Segundo Galeano, as terras de onde eram extraídas madeira de forma ilegal eram de unidades de conservação e áreas indígenas.

Segundo Caio Cordeiro, o objetivo dos madeireiros era obter rapidez na tramitação dos processos dentro do órgão e ter facilidades na fiscalização, a cargo de servidores do Ipaam. “O madeireiro sabia quando a fiscalização ia acontecer, se eram servidores corruptos ou não. Alguns pagamentos ocorriam por intermédio dos engenheiros, técnicos ou diretamente entre madeireiros e servidores, até transações bancárias diretas”, disse.

Segundo o delegado, com um dos servidores foram encontrados R$ 205 mil em espécie. “Os processos passavam pelo setor dele para que fosse dado prosseguimento. Ele cuidava de uma etapa essencial do processo, e era o momento que tinha para negociar com o empresário”, afirmou.  

A investigação inicial começou em 2016 e teve monitoramento até 2018. Em dezembro de 2017 foram apreendidos mais de 400 contêineres nos portos de Manaus. “Na época da apreensão, foram oito mil metros cúbicos de madeira, o que equivale a distância de Belém até Brasília e R$ 5 milhões de reais”, disse o delegado Felipe Labareda.

A maior parte do material era destinado para o exterior, principalmente Estados Unidos e Europa. “Nós estamos desenvolvendo um trabalho em conjunto com o Departamento de Justiça Americano para compartilhar essas informações e promover uma limpeza de produtores que comercializam madeira ilegal”, disse Galeano.

O procurador diz ainda que as ações de extração ilegal de madeira não são de responsabilidade de moradores locais. “Essa área de floresta não foi destruída para criação de plantações ou qualquer outra atividade agropecuária. Foi uma destruição e um saque de riquezas da União que não se converteu em benefícios para a agricultores, que vivem em condições difíceis para o enriquecimento de poucos”, disse.

Ibama

De acordo com Galeano, a prisão do ex-superintendente do Ibama no Estado, Leland Barroso, ocorreu devido suas interferências nas fiscalizações dos portos de Manaus. Um inquérito civil foi instaurado, o que levou à prisão do servidor.

“O ex-superintendente do Ibama apareceu a partir de uma interferência na atividade de fiscalização do Ibama nos portos de Manaus, especialmente nas madeiras destinadas à exportação. Houve influência da parte dele para que o Ibama não mais realizasse essa fiscalização e repassasse essa tarefa para o Ipaam”, disse Galeano.

Operação Arquimedes

A Polícia Federal, com apoio do MPF (Ministério Público Federal), deflagrou nesta quinta-feira, 25, a Operação Arquimedes com objetivo de desarticular esquema de corrupção responsável por extração ilegal de madeira na floresta amazônica. Foram expedidos 23 mandados de prisão preventiva, seis de prisão temporária, 109 mandados de busca e apreensão cumpridos nos estados do AC, AM, MG, MT, PR, RO, RR, SP e no Distrito Federal, além da autorização de bloqueio de R$50 milhões nos CNPJ’s das empresas investigadas e outras 18 medidas cautelares.

(Colaborou Patrick Motta)

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Assuntos Amazônia, Ipaam, operação arquimedes
Redação 25 de abril de 2019
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