
Informação e Opinião
Por Valmir Lima, do ATUAL
MANAUS – A corrupção é um câncer que corrói a sociedade brasileira, e não tem partido e nem ideologia. Ela convive com todos e todas; com partidos de direita e de esquerda; de centro; de centro esquerda e de centro direita; de extrema direita e de extrema esquerda. Isso ocorre porque a corrupção é uma enfermidade que nasce nos seres humanos e se alimenta da falta de caráter. Por isso, não escolhe lado. O corrupto é que escolhe esse ou aquele partido, essa ou aquela ideologia.
Nos últimos dias, assistimos o início da ruína de dois “arautos da moralidade”, os deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ), ambos do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, acostumados a apontar os dedos aos políticos de esquerda para acusá-los de práticas de corrupção, mesmo sem provas. A Polícia Federal, na semana passada, deflagrou uma operação resultado de investigação sobre desvio de dinheiro público da cota para o exercício da atividade parlamentar, o Cotão.
Na ação, a PF apreendeu R$ 470 mil em dinheiro vivo que estavam na casa de Sóstenes Cavalcante em sacas de lixo. A dinheirama, segundo o deputado, é lícita, e foi resultado da venda de um imóvel. O deputado afirmou que o comprador quis pagar em espécie. Certamente, o comprador foi a um banco, fez um saque de R$ 470 mil e pediu para o caixa ou gerente do banco colocar o dinheiro em sacas de lixo para despistar um eventual assaltante. A explicação não convenceu ninguém.
O outro deputado, Carlos Jordy, é suspeito de contratar empresas de fachada para movimentar dinheiro do Cotão sem a devida prestação do serviço. O mesmo malfeito é investigado no gabinete de Sóstenes. Relatórios da PF indicam que assessores dos dois parlamentares movimentaram quase R$ 30 milhões entre 2018 e 2024, com uma parcela significativa sem origem ou destino identificados.
Essa verba disponibilizada em todos os parlamentos brasileiros é um convite à corrupção. O deputado, estadual ou federal, ou o vereador faz despesas como aluguel de carros, compra de combustíveis, almoços em restaurantes entre outros, e depois apresenta as notas fiscais à casa legislativa, que faz o ressarcimento.
Uma investigação séria desde a Câmara dos Deputados, passando pelas assembleias legislativas e terminando nas câmaras municipais certamente colocaria na cadeia algumas centenas de políticos, dada a facilidade de se burlar a regras do jogo para embolsar dinheiro do Cotão.
A investigação que alcançou Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy é usada aqui apenas como exemplo de que não há bandeira partidária blindada para a corrupção, como eles próprios querem fazer crer, com seus discursos moralistas e acusatórios contra políticos de esquerda.
Na esquerda e na direita há uma infinidade de histórias de corrupção. Nas empresas e nos pequenos negócios há corrupção. E no Brasil, temos dito isso há pelo menos 20 anos, a corrupção é vista como um instrumento normal. Há pessoas que criticam um político se ele entra e sai sem ganhar mais dinheiro do que merece, pelas vias legais.
Historicamente, a corrupção é usada como instrumento político em campanhas eleitorais. De tanto usada, essa “ferramenta” foi banalizada a ponto de surtir pouco efeito contra quem é apontado como corrupto.
Fato é que grande parte dos políticos não hesita em meter a mão no dinheiro público quanto lhe aparece a oportunidade.
E agora, direita e esquerda tentam expor as vísceras de seus adversários mirando a disputa eleitoral de 2026.
Da parte da direita, a bola da vez é Fábio Luís Lula da Silva, o filho mais velho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Ele aparece em relatório da Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que investiga o roubo de dinheiro de aposentados e pensionistas do INSS.
Questionado sobre o assunto, Lula afirmou que “se tiver filho meu envolvido nisso, ele será investigado”. Apesar da fala do presidente, no Congresso Nacional, aliados de Lula se movimentam para barrar qualquer investigação que envolva Lulinha.
Ambos os lados negam as acusações. Os deputados do PL falam em perseguição política de quem está no poder contra os partidos de oposição. O governo e os envolvidos na roubalheira do INSS negam as acusações.
E a corrupção vai se enraizando cada vez mais na sociedade brasileira, sem perspectiva de remédio que cure esse mal.

