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Dia a Dia

Consultoria que ajudou a eleger Trump negocia com candidatos no Brasil

3 de dezembro de 2017 Dia a Dia
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(Foto: Bruno Fortuna/Fotos Públicas)
Briga pelo eleitor se dará, em grande parte, nas redes sociais e nos aplicativos de conversa (Foto: Bruno Fortuna/Fotos Públicas)

Do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – Empresa de análise de dados que usou métodos controversos na vitoriosa campanha de Donald Trump, nos Estados Unidos, a consultoria britânica Cambridge Analytica, desembarcou no Brasil e negocia com dois potenciais pré-candidatos à Presidência para as eleições de 2018. O “braço” da Cambridge Analytica no País é a Ponte Estratégia, empresa que tenta ganhar espaço no mercado de marketing político nacional num cenário em que a disputa vai além das propagandas na televisão: a briga pelo eleitor se dará, em grande parte, nas redes sociais e nos aplicativos de conversa instantânea.

A disputa virtual ganhou ainda mais força após a reforma política – aprovada pelo Congresso e sancionada em outubro pelo presidente Michel Temer – liberar o chamado impulsionamento de conteúdo nas redes sociais e aplicativos – por exemplo, propaganda em Facebook, Twitter, Instagram e WhatsApp.

Os métodos da Cambridge consistem em processar uma quantidade enorme de dados e informações que circulam nas redes para definir perfis de eleitores. É possível mapear grupos por desejos e sentimentos, e não apenas por regiões ou faixas etárias. Nos Estados Unidos, a Cambridge dizia ser capaz de ler a mente dos cerca de 200 milhões de americanos.

A Cambridge levou para a política a estratégia usada por empresas: o microtargeting. A ideia de produzir discursos eleitorais “on demand”, porém, provocou um debate nos Estados Unidos sobre os dilemas éticos envolvidos na estratégia, como a possibilidade de manipular discursos para grupos específicos.

Nos Estados Unidos, a eleição de Trump virou motivo de investigação, pelo FBI, de interferência russa no resultado do pleito por meio da compra de publicidade em redes sociais e disseminação de notícias falsas favoráveis ao candidato republicano.

Franquia

O publicitário André Torretta, de 52 anos, é dono da Ponte Estratégia, a consultoria que abriu no País a franquia da Cambridge Analytica. Com experiência em marketing político brasileiro, Torretta refuta a acusação de manipulação de informações nas eleições americanas. Ele disse que a Cambridge não tem tecnologia nova, mas “metodologia” diferente.

“A gente usa o que já existe. Se você tiver um banco de dados comportamental, pode usá-lo. Pega todo mundo que gosta de arma, que tem interesse por esporte, por exemplo. Os Estados Unidos têm legislação que permite a confecção desses bancos de dados, a compra deles”, afirmou.

Segundo Torretta, o método da empresa britânica será “tropicalizado”. “Não temos banco de dados no Brasil para fazer microtargeting por pessoa, como nos Estados Unidos”, afirmou. “Mas, se eu tenho uma comunicação endereçada, por que eu não endereço?”

O publicitário afirmou que um candidato a presidente em 2018 deverá desembolsar ao menos R$ 30 milhões com “impulsionamento” nas redes sociais – compra de mídia em redes e aplicativos de conversas. É um valor bem menor se comparado aos gastos que os candidatos tinham ao produzir programas para televisão durante as campanhas nacionais. Ele não revelou com quais presidenciáveis está negociando para a eleição do próximo ano.

Torretta disse também que cabe às autoridades combaterem a disseminação de fake news nas redes sociais durante a eleição. “O risco de fake news será total em 2018. É preciso ter controle das redes sociais. Tudo na rede é rastreável”, disse. No Brasil, segundo ele, será a eleição do aplicativo WhatsApp em razão de o número de usuários ser maior do que o do Facebook, por exemplo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Assuntos brasil, Candidatos, negociação
Felipe Campinas 3 de dezembro de 2017
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