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Paulo Haddad

Como desenvolver Minas sem dinheiro ou com pouco dinheiro

23 de dezembro de 2018 Paulo Haddad
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Todo grande problema para ser resolvido necessita de estratégias inteligentes e inovadoras. Minas Gerais tem um grande problema. Desde 1985, a economia de Minas tem mantido uma posição estacionária em torno de 9 por cento do PIB brasileiro, com seu PIB per capita 10 por cento inferior ao PIB per capita do País.

Minas precisa voltar a crescer. E crescer acima da média do crescimento brasileiro, visando a melhorar sua capacidade de gerar emprego e renda para a sua população. Atualmente, há quase 3 milhões de pessoas sem trabalho em Minas segundo o IBGE, sendo que, entre 2014 e 2018, o desemprego cresceu 77 por cento.

Seria estrategicamente um equívoco resumir todo o esforço da nova Administração Estadual em apenas buscar o equilíbrio fiscal das contas públicas ao longo de todo o seu mandato, correndo o risco de se tornar uma tarefa de Sísifo se não houver uma retomada do crescimento econômico. Por maior que seja a intensidade da colaboração do Governo Federal na hercúlea tarefa de reduzir o déficit e o endividamento das finanças públicas do Estado, os custos econômicos e os sociais do ajuste deverão ser profundos e se espraiar penosamente para quase todos os setores, grupos e regiões de Minas.

Mas, como formular e implementar uma estratégia de desenvolvimento para o Estado, quando falta dinheiro para a gestão do cotidiano da administração pública estadual e quando o próprio Governo Federal está enfrentando um desequilíbrio estrutural em suas finanças? A solução passa por três pressupostos.

Primeiro: numa economia de mercado, quem conduz o crescimento econômico são as empresas e as corporações, cabendo ao governo a função promotora de apoio às suas iniciativas, acionando os instrumentos fiscais e financeiros assim como as estruturas regulatórias que comanda. Segundo: embora a infraestrutura econômica seja um componente necessário a qualquer processo de crescimento econômico, o componente suficiente é dado pela disponibilidade de capitais intangíveis (social, humano, institucional, cultural, cívico, etc) para o progresso da sociedade. Finalmente, é necessário que se estruture um modelo de desenvolvimento endógeno visando a mobilizar os recursos latentes da economia, seus grupos de vanguarda empresarial, seus fatores de produção ociosos, sua engenhosidade e criatividade, e o que Keynes denominava de “espírito animal” dos empreendedores.

A riqueza de Minas, potencial para promover um novo ciclo de expansão econômica, está na excelente qualidade e na diversidade de suas instituições públicas e privadas. O dinheiro tende a ser tão somente um coadjuvante num novo enredo de nossa história econômica. De fato, é preciso destacar que muitas dessas instituições estão atualmente fragilizadas e apáticas por causa do longo processo de quase estagnação da economia de Minas e, também, por causa do desmonte das práticas de planejamento de médio e de longo prazo no Estado. Faltam lideranças políticas e empresariais que as incentivem, as mobilizem e as reanimem dando-lhes uma nova alma institucional.

A principal missão institucional será a de transformar os aglomerados e sistemas produtivos de uma economia tradicional em uma economia moderna. Menos excesso de confiança em fatores básicos (mão de obra de baixo custo, recursos naturais abundantes, posição geográfica, etc) e mais suporte de fatores especializados na escolha de tecnologias inovadoras e de vantagens competitivas sustentáveis. Menos atitude defensiva diante de crises sistêmicas e mais modelos mentais e sistemas de crenças que contribuam para criar e distribuir riqueza. Menos preocupação com a geração de valor para acionistas e mais escopo no valor público das empresas.


Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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