
Por Felipe Campinas, da Redação
MANAUS – O nível do Rio Negro chegou a 29,97 metros na manhã deste domingo, 30, alcançando a marca de 2012, quando houve a maior cheia histórica do Amazonas. De acordo com a Prefeitura de Manaus, com o avanço do processo de enchente, o nível deve ultrapassar o recorde em 118 anos nos próximos dias.
No intervalo de 9 anos, a cota do Rio Negro alcançou níveis aproximados da cheia recorde, chegando a 29,33 metros em 2013, 29,59 metros em 2014 e 29,66 metros em 2015. Em 2016, a marca chegou a 27,19 metros; em 2017, 29,00 metros; em 2018, 28,38 metros; em 2019, 29,42 metros; e em 2020, 28,52 metros.
Na comparação dos primeiros 20 anos de registros (1903 a 1923) com os últimos 20 anos (2001 a 2021), há um aumento na frequência de grandes cheias. No primeiro período, a média do nível do Rio Negro foi de 27,72 metros, e no segundo, 28,74 metros.
Famílias atingidas
De acordo com a Defesa Civil, neste ano, cerca de 4 mil famílias foram atingidas pela cheia na capital amazonense. Todos os anos, nesse período, parte dessas pessoas, maioria em situação de vulnerabilidade socioeconômica, são obrigadas a deixar suas casas e buscar abrigo, geralmente, em moradias alugadas.
Para ajudar no aluguel, a prefeitura paga R$ 300 a aproximadamente mil famílias desde 2012, através da Lei Municipal nº 1.666/2012. Segundo a prefeitura, os beneficiários são pessoas que moram em locais considerados de risco pela Defesa Civil ou pessoas que enfrentam situação de calamidade.
Para atender as outras famílias atingidas pela cheia deste ano que não recebem o auxílio aluguel, no último dia 17 de maio, os vereadores da CMM (Câmara Municipal de Manaus) aprovaram a criação do auxílio enchente de R$ 200. O benefício tem previsão de ser pago por dois meses, mas pode ser prorrogado por mais um mês.
De acordo com a prefeitura, a terceira parcela só poderá ser paga se as famílias continuarem a ser afetadas pela cheia dos rios.
Na manhã deste domingo, em visita ao Porto de Manaus, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), anunciou que o pagamento do auxílio enchente, no valor de R$ 200, começará a ser pago na terça-feira, 1, a aproximadamente 4,8 mil famílias atingidas pela cheia na capital amazonense.
“Na terça-feira nós estaremos pagando o auxílio. Lembrando que o auxílio aluguel é de R$ 300. E o auxílio enchente que nós criamos é de R$ 200 para complementar o auxílio aluguel. Nós tínhamos 4.792 famílias cadastradas. Muito provavelmente elas já estarão recebendo na terça-feira”, disse Almeida.
De acordo com o prefeito, a população de 15 bairros atingidos pela cheia está recebendo assistência da prefeitura. Ao afirmar que o município se preparou para o evento deste ano, David citou a construção de 9 mil metros de pontes e a doação de cestas básicas e kits de higiene e dormitório.
“A prefeitura está preparada para atender a população. Fizemos 9 mil metros de pontes. Na enchente de 2012, foram quase 6 mil metros. Nós ampliamos os trabalhos, estamos em 15 bairros atendendo a população, dando suporte necessário em todas as áreas atingidas na nossa cidade”, disse o prefeito.
“Se hoje atestamos a igualdade da marca, segundo os especialistas o rio continua subindo, certamente iremos ultrapassar a marca de 2012. Porém, eu espero que esse rio pare de subir e que essa água pare de subir, e que essa água comece a descer para que a gente possa voltar ao normal na nossa cidade”, completou David.
O prefeito também disse que Manaus não está recebendo apoio financeiro do Governo do Amazonas e do governo federal. “Nessa operação enchente, são recursos próprios da prefeitura, sem recursos do governo do estado e do governo federal ainda. A prefeitura, mesmo com R$ 1,9 bilhão menor que 2020 para 2021, nós somos a única prefeitura do brasil que paga seis auxílios para a população”, disse David.
