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Augusto Barreto Rocha

Colônia Agrícola ou Industrial?

6 de julho de 2020 Augusto Barreto Rocha
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Seguindo a análise sobre a necessidade de desenvolvimento no Amazonas e na Amazônia, observo que as economias dos países em desenvolvimento começam como extrativistas, evoluem para agrícolas, de lá para terceirização de indústrias, atraindo empregos mais baratos do que nos países desenvolvidos e mais caros do que nas fronteiras agrícolas, e, de lá, os raros que prosperam em governança rompendo os problemas sociais e econômicos de suas cidades, evoluem para economias associadas aos serviços. Esta trajetória foi percorrida por diferentes cidades da China e algumas do Brasil, como várias em São Paulo e algumas em outros Estados brasileiros.

No Amazonas não experimentamos a economia agrícola. A economia industrial foi forçada por um conjunto de incentivos fiscais, com liderança quase que total pelo capital estrangeiro. Se por um lado não temos a economia agrícola, pelos impeditivos legais e morais, por outro não temos a economia industrial, pelas limitações da ausência de capital local ou mesmo nacional. Assim, pulamos a etapa da economia agrícola e não construímos uma elite capitalista local grande o suficiente para fazer frente ao próximo passo do sistema econômico, até porque não houve tempo suficiente para a criação de grandes quantias de capital local, salvo raras exceções.

No jornal O Estado de São Paulo, de 05/07/20, a Ministra da Agricultura produz a sua manchete: “o agronegócio não precisa da Amazônia para crescer”. A Amazônia é assim: tão complexa e tão grande que é melhor nem tocar, para não causar problema ao restante da economia nacional, quando deveria ser exatamente ao contrário. De fato, o Brasil não precisa da Amazônia se quiser continuar na condição de colônia econômica. Por outro lado, precisará da Amazônia para transcender a condição de subdesenvolvimento, porque aqui está o diferencial competitivo do país.

A encruzilhada constante da região é a imperativa necessidade de desenvolvimento percebida por nós e a necessária condição de reserva para o futuro, percebida pelo restante do país. Conciliar estes dois interesses é o maior desafio das lideranças regionais. Para as lideranças estrangeiras não fará nenhum sentido despertar mais uma potência internacional com sua riqueza econômica diferenciada. Quanto mais estivermos quietos pelas regras de fora, melhor para “eles”. Talvez o nós contra eles mais apropriado seria da necessidade de nosso desenvolvimento contra aqueles que não querem a nossa evolução, mas é melhor criar problemas em questões que não existem do que lutar contra problemas reais.

Assim, em nossa região não tivemos a condição agrícola ou extrativista e não temos a condição total industrial. Ou seja, não temos nada que seja verdadeiramente amazônico. Aceitar esta condição será um desafio, pois contrapõe uma ilusão de riqueza. Achar que somos ricos, que produzimos muito ou que temos a condição ideal é, por outro lado, a condição que precisa ser transcendida pelas elites intelectuais, econômicas e políticas do Amazonas.

Será que estamos dispostos a apontar para as nossas fraquezas ou precisamos ficar rodando no entorno de ilusões de riqueza? Conclusão: não temos agricultura, não temos pecuária, não temos produção de pescado e a nossa produção industrial é em sua maior parte estrangeira e desconectada da riqueza regional. Se isso nos deixa confortáveis, o que nos deixaria desconfortáveis?


Augusto César Barreto Rocha é doutor em Engenharia de Transportes (COPPE/UFRJ), professor da UFAM (Universidade Federal do Amazonas), diretor adjunto da FIEAM, onde é responsável pelas Coordenadorias de Infraestrutura, Transporte e Logística.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos agrícola, Amazonas, Amazônia, Augusto Barreto Rocha
Cleber Oliveira 6 de julho de 2020
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