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Cieam 36 anos: conversa com Wilson Périco

6 de agosto de 2015 Follow Up
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Neste mês de agosto, o Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) completa 36 anos e a coluna Follow-up conversa com o presidente Wilson Périco, que faz um balanço sobre a trajetória da entidade, avalia a situação da Zona Franca de Manaus diante da crise econômica e política e aponta caminhos para a Ação Empresarial no Amazonas . A seguir, cinco perguntas para Wilson Périco.

Wilson Périco foi reeleito para o cargo no dia 25 de junho e fica até 2019 (Foto: Divulgação/Cieam)
Wilson Périco, presidente do Cieam (Foto: Divulgação/Cieam)
  1. Qual é a principal contribuição do Centro da Indústria para o fortalecimento e consolidação da Zona Franca de Manaus?

WP – A tarefa que descreve nossa trajetória e motiva a categoria neste momento de adversidade é mobilizar a classe política e a opinião pública para fazer valer a Lei que criou a Zona Franca de Manaus, este modelo de acertos, transformado em fonte de tributos a despeito de ter a fama de paraíso fiscal. A hora é de fazer cumprir a Lei. Fora dela não há solução. Não adianta um segmento ou um ator isolado fazer bem seu dever de casa e estar em paz com sua consciência legal. Se a Lei não for cumprida não há segurança para o investimento, não há referência jurídica para a rotina, nem envolvimento efetivo entre capital, trabalho e poder público. Por isso não adianta enfrentamento, conflito e confronto para definir o novo ou a nova superintendente da Suframa. Nem o Papa resolveria o problema do modelo sem a autonomia administrativa e financeiras que a Lei exige. Fora da Lei não há salvação, diz Rui Barbosa e dizem os fatos e as manchetes de jornal.

  1. Os polos industriais existentes, os mais robustos, estão ameaçados. A desindustrialização do modelo é irreversível?

WP- Apenas três setores do polo industrial respondem por 50% da produção e faturamento da ZFM. E isso não vai perdurar por muito tempo. Em 10 anos as mudanças serão drásticas para os três setores. Por isso é essencial reter os recursos que o modelo tem gerado para criar novas saídas. Somos o terceiro PIB Industrial do país e a planta industrial mais generosa do ponto de vista fiscal, diz a USP, a respeitável universidade de São Paulo. Aquilo que, insistentemente, temos chamado de novas matrizes econômicas só sai do papel se o poder público parar de meter a mão na ilegalidade fiscal e funcional da ZFM. Buscar novas matrizes não significa abrir mão do atual modelo industrial.  Significa, pelo contrário, inserir sua vocação de negócios com a inclusão de insumos e tecnologia local. Tecnologia da informação e da informação, e biotecnologia, articuladas e agregadas em novos produtos, são as premissas da consolidação, diversificação e regionalização produtiva da indústria existente. Ou seja, basta de confisco, de conter essa transformação do modelo em mecanismo de exportação de recursos para o governo federal.

  1. Quais as medidas imediatas para esta mudança?

WP- O Amazonas precisa exercer com urgência seu protagonismo, mobilizando as forças políticas regionais da Amazônia Ocidental, notadamente, para brecar o confisco desses recursos de P&D e das taxas da Suframa. Está na hora de conter o veto do PPB, o processo produtivo básico frequentemente embargado em nome de interesses obscuros com graves prejuízos às empresas e a economia regional. Só assim a autarquia vai recuperar a autonomia econômica e gerencial para cumprir o que diz a Lei. E com esse resgate dos recursos pagos pelas empresas a bancada parlamentar regional verá as verbas dos convênios e das pesquisas voltadas para o desenvolvimento regional, criando novas matrizes de emprego e renda.

  1. E qual o papel da UEA nesta configuração?

WP- A UEA é a contribuição mais importante das empresas aqui instaladas para consolidar o desenvolvimento inteligente e duradouro para o estado. Conseguimos assegurar essa aproximação e ação compartilhada, para definir em conjunto os cenários de comunhão entre academia, economia e sociedade. Nos últimos 4 anos, apesar da redução crescente da economia, a universidade – que recebeu em torno de R$ 400 milhões em 2014 – quase dobrou seu investimento por aluno. Se calcularmos o valor investido, em torno de 16 mil por ano, e avaliarmos o custo do número de alunos formados, as indústrias pagam um padrão de investimento de países de primeiro mundo. E é preciso otimizar esse resultado à luz do interesse público, das vocações de negócios e de oportunidades de nosso Estado. Presente em todos os municípios, a maior instituição multi-campi do planeta, precisa ser a melhor do Brasil e queremos ajudar a UEA a conquistar esse desafio com resultados expressivos para toda a sociedade.

  1. E qual a tarefa estratégica da Ação Empresarial, a soma das entidades do setor produtivo, neste desafio?

WP- Precisamos trabalhar mais próximos um do outro. As entidades do setor produtivo precisam estar presentes nos conselhos que administram os fundos estaduais e federais que as empresas recolhem. E precisamos juntos ajudar a torná-los mais efetivos e mais de acordo com que a Lei determina. De gestão de recursos nos entendemos e queremos emprestar esta expertise. Verbas da Suframa, de P&D, de Turismo e Interiorização do Desenvolvimento, da UEA, e das Cadeias Produtivas da Afeam estão à espera de uma revolução de negócios. De quebra, a Ação Empresarial pode exigir em conjunto que parte adequada dessas verbas possam recuperar as estruturas funcionais da Suframa, notadamente as vias constrangedoras e humilhantes do Polo Industrial de Manaus.

Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. 
Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]

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Assuntos Cieam, Coluna Follow Up, entrevista
Valmir Lima 6 de agosto de 2015
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