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José Ricardo

Cem dias de desgoverno

11 de abril de 2019 José Ricardo
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tiago paiva

O Governo Bolsonaro completa 100 dias. Foram 100 dias de grandes retrocessos no Brasil, com prejuízo para toda a população. Um governo ladeira abaixo, conforme as pesquisas, com a pior avaliação, comparado a todos os governos desde 1989. Na pesquisa Vox Populi dos últimos dias, mostrou que 70% da população está insatisfeita com os rumos do país e 57% avaliam que o Brasil está no caminho errado.

Das promessas apresentadas no plano de 100 dias, quase nada relevante feito para melhorar a vida da população. Nenhuma medida que pudesse ativar a economia e gerar emprego. Pelo contrário, a situação está piorando. Tanto falaram em desburocratizar e simplificar os processos para facilitar as empresas. Nada foi feito.

O desemprego aumentou ainda mais, chegando a 12,4% da população. São 13,1 milhões de desempregados. Somente nos últimos três meses, quase 1 milhão de pessoas perderam o emprego. A previsão do crescimento do PIB para 2019 caiu de 2,7% para 2,0%. Sem ações do governo, deve cair ainda mais. A produção industrial teve queda de 0,8% em janeiro e comparado a janeiro de 2018, a queda foi de 2,6%. A gasolina já aumentou 5 vezes nas refinarias.

O governo extinguiu o Ministério das Cidades e o Ministério do Trabalho. Fragilizou os sindicatos. São perseguidos com medidas provisórias que atinge a sua autonomia. O Programa Minha Casa Minha Vida paralisou e milhões de famílias não têm casa. A indústria da construção civil está quase parada sem obras públicas, justamente a que mais gera emprego.

É um governo de vexames em nível internacional. No Chile, o presidente elogiou o ditador Pinochet. Em Israel, criou situação de conflito com os Palestinos. Nos EUA, não exigiu reciprocidade ao não exigir visto para a entrada de norte-americanos no Brasil. Também nos EUA decidiu entregar a Base de Alcântara no Maranhão para uso dos EUA, além de não cobrar impostos na importação de trigo dos EUA. Além disso, tudo isso fez o Brasil perder vendas de frango para países árabes.

Aliás, é preocupante a fala do presidente, de que acertou com Trump que a Amazônia será explorada em parceria com os EUA e que iria rever a demarcação de terras indígenas, ameaçando os direitos dos povos que residem na região. Neste sentido, é lamentável a Medida Provisória que desmonta a Funai e a tentativa de acabar com a saúde indígena.

Na área da educação, tinha um ministro que chamou os brasileiros de ladrão e que dizia que a universidade era para a elite. Foi substituído por alguém que vem do setor financeiro e nada entende de educação. Só atrasos na educação. Foram cortados mais de R$ 6 bilhões do orçamento da educação e extinguiram 13 mil vagas de funções nas universidades. O Fundeb está ameaçado. O Plano Nacional de Educação não tem previsão de ser cumprido. Com a venda do Pré-Sal para os estrangeiros, também não tem mais recursos para a educação.

Na saúde e na segurança não é diferente. Nenhum investimento para os estados fortalecerem o atendimento nos hospitais. Não há interesse em melhorar o SUS. Em 3 meses, o Programa Mais Médico tem 1.052 desistências após saída dos cubanos. Na segurança, não tem ainda um plano nacional para diminuir a violência, que atinge os jovens e as mulheres, principalmente.

O ministro da Justiça apenas enviou um projeto para o Congresso Nacional para endurecer as penas dos criminosos. Só isso não resolve. Nada de projeto de prevenção. Nada de investimentos para as policias nos Estados e uma política para enfrentar o narcotráfico e garantir segurança nas fronteiras do país.

Nas cidades, os prefeitos aguardam ações que possam ajudar os problemas urbanos. A Medida Provisória 868/2018 afeta o saneamento urbano e dificulta as políticas de abastecimento de água, de tratamento de esgoto, de coleta de resíduos sólidos. Na Marcha dos Prefeitos, muita frustação, pois ficou apenas a promessa de aumentar os recursos para os municípios. Como vai cumprir, se a Emenda Constitucional 95 limita os gastos públicos por 20 anos?

Os indicadores de pobreza estão aumentando e também da fome. O Brasil tinha saído do Mapa da Fome. Agora o governo desmonta a política de segurança alimentar com o fim do Consea.

Com o projeto da Reforma da Previdência, o governo atinge os mais pobres. A CNBB emitiu nota dizendo que “a PEC 06/2019 sacrifica os mais pobres, penaliza as mulheres e os trabalhadores rurais, pune as pessoas com deficiência e gera desânimo quanto à seguridade social, sobretudo, nos desempregados e nas gerações mais jovens”.

O Amazonas também perde com esse desgoverno. Menos recursos para saúde, educação e segurança. Não tem previsão de nenhum investimento para o Estado. Obras inacabadas sem previsão de conclusão e ameaças do ministro da economia em relação aos incentivos da ZFM. Além disso, nesses primeiros 100 dias, o presidente disse que não tem nada de concreto para o Estado do Amazonas. O presidente disse que não nasceu para ser presidente, e sim para ser militar. Lamentável. Está no lugar errado, então. E, por isso, são 100 dias sem governo. Um desgoverno sem projeto, sem diálogo, sem futuro.


José Ricardo Wendling é formado em Economia e em Direito. Pós-graduado em Gerência Financeira Empresarial e em Metodologia de Ensino Superior. Atuou como consultor econômico e professor universitário. Foi vereador de Manaus (2005 a 2010), deputado estadual (2011 a 2018) e deputado federal (2019 a 2022). Atualmente está concluindo mestrado em Estado, Governo e Políticas Públicas, pela escola Latina-Americana de Ciências Sociais.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos governo Bolsonaro, José Ricardo Wendling
Cleber Oliveira 11 de abril de 2019
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