MANAUS – O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, esteve em Manaus nesta segunda e terça-feira, 30 e 31, para, entre outros assuntos, tentar resolver uma disputa interna pela direção estadual do partido. De um lado, o presidente da legente, Stones Machado; de outro, o deputado estadual Dermilson Chagas. Lupi não conseguiu resolver, mas deixou um recado para os dois: “Ou eles convivem ou vamos ter que tomar uma atitude mais drástica”, que seria a escolha de um nome pela direção nacional. O dirigente também conversou com o ex-deputado estadual Marcelo Ramos, que busca um partido para disputar a Prefeitura de Manaus no próximo ano. Lupi disse que estão conversando e teceu elogios ao político que ainda está filiado ao PSB, legenda pela qual disputou o Governo do Amazonas em 2014. A seguir, a entrevista de Carlos Lupi concedida ao jornalista Valmir Lima, nesta terça-feira, depois de um almoço com o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), em que os vereadores do PDT reafirmaram a permanência na base de apoio do tucano na Câmara Municipal de Manaus.
VL – Como o PDT está orientando a bancada no Congresso Nacional a votar o projeto de governo de ajuste fiscal?
CL – Uma coisa é a questão financeira. A gente percebe que o país está numa situação difícil e nós não podemos nos negar a colaborar com o país. Outra coisa é a questão que significa perda de direitos dos trabalhadores. Nós não votaremos a favor dessa retirada do seguro-desemprego. Por quê? Porque essa economia do seguro desemprego, essa aparente economia, significa um sacrifício principalmente para quem tá obtendo o primeiro emprego. Porque quando se passa dos atuais seis meses para 18 meses [o tempo para se ter direito ao seguro-desemprego], três vezes o tempo de carteira assinada, significa dizer que quem tem o primeiro emprego que é o mais afetado, o primeiro demitido, acaba sendo demitido e não tendo como sobreviver durante um ano e meio. Não podemos colocar o peso de um sacrifício de um momento grave da economia nas costas de quem não tem como dar nada porque já está no patamar mais baixo de sua vida de sobrevivência. Tirando esse aspecto, todo o resto o partido tá discutindo e deve votar favorável.
VL – A direção nacional do PDT tem recebido pedidos de parlamentares para que o partido deixe a base aliada do governo Dilma Rousseff. Como o senhor avalia esses pedidos?
Isso faz parte do jogo político. Eu digo sempre uma parábola: nós não somos ratos que sai do navio quando entra água no porão. Mas também não somos o comandante do Titanic, em que estava todo mundo morrendo afogado e ele escutando violino. Eu acho que não podemos faltar ao Brasil, hoje a crise não é do governo, ela afeta o Brasil. Nessa hora, em primeiro lugar está o Brasil e em segundo lugar, as questões partidárias ou as nossas diferenças pessoais. Depois de sairmos desse momento, é outra discussão.
VL – No Amazonas existe uma querela com os dirigentes do partido que brigam pela direção estadual. A sua vinda a Manaus conseguiu resolver essa questão?
Estamos buscando resolver. Eu penso que nós temos que dar exemplo à sociedade, quando ela cobra tanto dos partidos, com tanta desmoralização, de que o nosso partido é sério e as pessoas que fazem parte da legenda têm consciência da seriedade dele. Já conversei com o Dermilson [Chagas, deputado estadual], já conversei com o Stones [Machado, presidente estadual], já fiz reunião com os dois hoje, e vamos fazer uma nova comissão provisória que vai preparar as convenções e os dois vão ter que conviver. Ou eles convivem ou vamos ter que tomar uma atitude mais drástica.
VL – Quem vai definir o nome do presidente?
Em primeiro lugar, vamos uma comissão provisória e eu quero fazer um revezamento nessa comissão. Hoje está como presidente o Stones e como secretário-geral o Dermilson. Nós vamos inverter e fazer esse processo caminhar para ver se há entrosamento e entendimento.
VL – O senhor conversou com o ex-governador Amazonino Mendes. Qual é o papel dele no partido?
Eu conversei com ele. Estive pessoalmente [na casa do ex-governador], o Amazonino está muito ligado no processo político, acompanhando tudo, e quer ter direito àquilo que o partido faz. Ele é uma espécie de consultor mor da gente, de dar sua opinião, de dizer qual é o melhor caminho do PDT, mas nunca exigiu nada da gente, apenas quer ser ouvido, e será.
VL – E o Marcelo Ramos vem para o partido?
Estamos conversando. Conversei com todo mundo. É papel de presidente de partido conversar, ter ouvido de mercador: ouvir, ouvir, ouvir e, depois de cansar, ouvir mais ainda. [Marcelo Ramos] É um jovem, uma promissora liderança, tá querendo construir um projeto para a cidade de Manaus, eu o vejo com muita simpatia, mas é um processo que vamos ter que construir ao longo do tempo.
VL – O senhor já havia conversado com ele [Ramos] em outra ocasião?
Já havia conversado com ele em Brasília. Ele me procurou, tive muito boa impressão dele. É de uma nova geração e o nosso papel é abrir as portas para as novas gerações.

