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Candidatos indígenas defendem causa comum no Amazonas, mas com ideias diferentes

26 de agosto de 2018 @ zmanchete
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Candidatos indígenas fazem campanha para representar seus povos na ALE e na Câmara dos Deputados (Foto: Divulgação)
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Por Aldizângela Brito, da Redação

MANAUS – Causa comum, a demarcação de terras indígenas ainda é prioridade entre as etnias, mas não é a única reivindicação. Eles cobram outras necessidades como educação indígena, assistência à saúde, regulamentação das atividades dos pajés e parteiras e implantação de saneamento básico nas aldeias.

Esses direitos sociais estão na plataforma de campanhas de candidatos índios no Amazonas. Nove disputam cargos de deputado estadual e federal. Cinco deles expuseram ao ATUAL a motivação para disputar as eleições deste ano.

Em Manaus vivem 7.894 indígenas e no interior do Estado são 168.680, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os candidatos buscam a representatividade desse universo indígena no Estado.

As reivindicações foram expostas por 600 lideranças indígenas em fevereiro deste ano, quando foram escolhidos os nove representantes das comunidades para disputar os cargos proporcionais. São eles: Iza Maia (Solidariedade) e Angélisson Tenharim (Psol) concorrem à vaga na ALE (Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas); Marcos Apurnã (DC), Sinésio Ticuna (PP), Edilene Kukami (PDT) e Adriel Kokama (Avante) tentam ganhar uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Completam a lista Perpétua Tsuni, do Alto Rio Solimões e Turi Sateré, que foram indicados posteriormente pelos povos Kokama e Sateré-Mawé para concorrer aos cargos de deputada federal e deputado estadual pelo Psol, respectivamente.

Identificação

Conhecimento de causa não faltam aos índios que buscam cargos eletivos. Perpétua Kokama, por exemplo, é bibliotecária formada pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas). Ela fez uma primeira tentativa de representação parlamentar em 2016, quando disputou o cargo de vereadora em Manaus e não se elegeu, pois obteve 122 votos.

“Eu via a falta de representatividade, via os políticos falando dos povos indígenas sem propriedade e sem saber realmente o que estavam dizendo. Por isso, resolvi analisar quais os partidos políticos teriam projetos em prol da causa indígena, das ribeirinhas, mulheres e os menos favorecidos, sobretudo nas comunidades nas cabeceiras do rios, que são as mais esquecidas”, disse a candidata.

Perpétua morou até os 17 anos de idade na Aldeia Recreio, próxima ao município de São Paulo de Olivença (a 1.010 quilômetros de Manaus), e somente aos 18 anos foi estudar e morar em Santo Antônio do Içá, quando entrou pela primeira vez em uma sala de aula.

Na busca pelo voto dos indígenas, Kokama usa a plataforma ‘Democratize’ de doação coletiva pela internet para obter também apoio financeiro. “Não aceitamos dinheiro de empresários. Quem doa pela internet também colabora com sugestões de projetos e o valor que recebemos até agora, que foi R$ 420, é usado para fazer visitas nas comunidades. Eles pedem a nossa visita, não querem só ouvir, querem ver e tocar para saber das propostas”, disse.

Eu via a falta de representatividade, via os políticos falando dos povos indígenas sem propriedade e sem saber realmente o que estavam dizendo (Perpétua Kokama)

Interação

Ouvir a voz das aldeias para conhecer suas necessidades também é a missão de campanha de Turi Sateré, da tribo Sateré Mawé. Ele é aluno do curso de Turismo da UEA (Universidade do Estado do amazonas), defende a interação com o homem branco, mas preservando a cultura indígena. Turi cita o caso da saúde pública que, segundo ele, pode ser prestada pelo SUS, mas respeitando o conhecimento tradicional.

“Em Manaus, somos 45 povos que falam 16 idiomas diferentes. Alguns vêm do interior para fazer tratamento de saúde na capital, porque só aqui tem tratamento mais complexo. Faltam pessoas que entendam e respeitem a nossa cultura e o ideal é que sejam indígenas”, disse Turi.

O candidato, natural de Barreirinha, disse que pelo fato dos cursos técnicos e de ensino superior serem ministrados na capital, não existe um política de reconhecimento dos indígenas nas cidades. “Precisamos de recursos para desenvolver atividades econômicas e sustentáveis nas aldeias, políticas públicas voltadas para a educação, o manejo florestal, mas também, queremos ouvir dos povos sobre quais são as suas demandas”, disse Turi.

Para ele, o professor de educação indígena deve ser formado na comunidade, por indicação dela e não da prefeitura do município, levando em consideração a cultura de cada povo.

Educação ampla

Sinésio Tikuna (Foto: Divulgação)

Para obter assistência de qualidade na saúde pública e garantir direitos básicos, outro candidato, Sinésio Tikuna, formado em Gestão Pública, defende que as metodologias de educação indígena devem ser iguais às implantadas nas escolas convencionais. E os alunos indígenas devem ter o mesmo conteúdo do homem branco para ter mais oportunidades.

“Queremos melhorar a infraestrutura das grandes comunidades, levando saneamento básico, inclusive para os ribeirinhos. Vamos analisar como desenvolver as atividades econômicas, regularizar a segurança comunitária indígena e buscar recursos para a FEI (Fundação Estadual do Índio)”, disse Sinésio.

Conforme o candidato, o investimento para saneamento público nas comunidades seria o primeiro passo para a prevenção de doenças.

 

Atendimento preferencial

A saúde indígena também é bandeira da campanha de Edilene Kokama. Formada em Enfermagem pela Ufam, ela defende a implantação de um hospital de referência em Manaus específico para indígenas. “Os atendimentos de baixo risco deve ser feito de forma preventiva nas comunidades, por isso as doenças se agravam e o paciente tem que ir para Manaus. Se precisar de um exame, ele tem que esperar porque tem que entrar no sistema do SUS. Fica durante meses no Casai (Casa de Saúde Indígena) e depois volta para a aldeia sem atendimento e a doença agrava ainda amais. Por isso eu defendo a criação de um hospital com profissionais indígenas”, disse Edilene.

Edilene disse que houve aumento nos casos de câncer de útero entre as mulheres indígenas devido à falta de estrutura especial na saúde. “É uma questão cultural. A paciente tem vergonha e não vai se submeter a um exame feito por um homem branco. Já é difícil para elas fazerem o exame, ainda mais dessa forma”, disse Edilene, que é a favor de que sejam formados técnicos indígenas em saúde pública. Ela alerta que é necessário uma pesquisa para saber quantos profissionais indígenas estão sem trabalho, para que sejam inseridos no projeto.

Política nacional

Concorrente de Edilene, Sinésio, Turi e Perpétua nas urnas, Marcos Apurinã vai além e propõe a criação de um Ministério Indígena. Segundo ele, assim será possível garantir a implantação de projetos. Esse ministério, segundo Apurinã, garantiria um orçamento fixo que corresponderia a 1% do PIB (Produto Interno Bruto).

A nova pasta poderia beneficiar quilombolas e povos tradicionais que, segundo Apurinã, são taxados como “empecilho para o País”. “Vamos legislar em favor do nosso povo sim. Vamos envolver as associações indígenas e não indígenas nos programas de desenvolvimento. Queremos a demarcação das terras e a desocupação dos invasores. Somos respaldados pela Constituição e pela OIT e a ONU, então resolvemos nos organizar porque nas nossas aldeias nós temos voto e apoio,” afirmou.

O candidato pretende colocar em pauta o Estatuto dos Povos Indígenas, inserindo projeto de qualificação das atividades de pescado, extrativismo, artesanato, comercialização de remédios naturais e a promoção de turismo em terra indígena com pesca esportiva.

Não somos minoria, somos excluídos por um rolo compressor que nos destrói todos os dias e durante anos uma ou outra organização nos representou. Primeiro a Igreja, depois o Estado e por fim as ONG’s (Marcos Apurinã)

“Queremos legislar para o Estado do Amazonas, queremos que o Estado saia da mesmice de que nada pode no nosso Estado. Parece que o Amazonas está fora do Brasil. Precisamos de um meio de escoar os produtos, tanto dos pequenos produtores quanto dos grandes. Dessa forma, o custo dos produtos deve baixar. Queremos agilizar a BR-319 (Manaus-Porto Velho/RO), a Transamazônica e BR-230 respeitando o Código Florestal,” disse Apurinã.

Os candidatos já estão em plena campanha nas aldeias. Percorrem as terras indígenas em busca de voto. Entre eles não há demarcação de território político, mas uma área comum à causa indígena nacional.

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Assuntos Amazonas, Amazônia, indígenas
Redação 26 de agosto de 2018
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3 Comments
  • Angélisson Tenharin disse:
    30 de agosto de 2018 às 16:31

    Obrigado pela publicação da matéria, o meu projeto Politico é para representar toda a população do amazonas!!
    Sou uma opção de renovação na Politica Amazonense!!
    Conto com apoio e voto de todos no dia 7 de Outubro!!
    #PresidenteBoulos&Sonia
    #GovernadorBergdaUGT
    #Dep.Federal Marcos Apurinã 2727
    #Dep.Estadual Angélisson Tenharin 50.111
    A Hora da Mudança Chegou!!!

    Responder
  • Edilene Coelho Peres Pinto disse:
    4 de setembro de 2018 às 12:32

    Agradeço pela linda matéria. É necessário que nossas ideias sejam divulgadas assim como nossas candidaturas. voces estao de parabens.
    Enfermeira Edilene Kokama

    Responder
  • Alcir Ricado disse:
    17 de setembro de 2018 às 23:25

    apurinã iamado esta contigo ganhando ou predendo

    Responder

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