
Da Redação
MANAUS – Com exceção do Rio Madeira, todas as calhas do Amazonas têm registrado índices superiores à marca histórica da cheia deste ano. Caso os números continuem altos, a estimativa é que, no ano de 2022 todos os municípios do estado sejam atingidos pela cheia dos rios. O alerta foi feito nesta segunda-feira (27) pelo governador Wilson Lima na apresentação do plano de ação para a Operação Enchente 2022.
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O planejamento define as medidas do Estado para socorrer as famílias que, possivelmente, sofrerão prejuízos causados pela subida do nível dos rios da região. O plano observa dados de monitoramento hidroclimatológico que apontam risco de enchente dos rios acima da normalidade no ano que vem.
“Estive, há aproximadamente 10, 15 dias, nas calhas do Juruá e do Purus e constatei, junto com as prefeituras e os técnicos, a subida desses rios. Nós já estamos mobilizando toda a nossa estrutura, todos os nossos secretários”, disse Wilson Lima.
Os altos níveis dos rios do Amazonas são resultado do fenômeno La Niña, um resfriamento no Oceano Pacífico que altera a circulação e potencializa as chuvas na Região Amazônica.
“Ultimamente, os eventos extremos têm sido cada vez mais expressivos, tanto as cheias históricas quanto as secas. A exemplo disso, nós tivemos essa cheia de 2021, e o condicionante para que ela acontecesse é idêntico ao de agora”, afirmou Patrícia Guimarães, meteorologista da Defesa Civil.
Além do La Niña, a especialista também ressalta o aquecimento do Atlântico Sul tropical como responsável pelas chuvas na região. “Ele funciona como uma esteira transportando umidade para a Amazônia, ou seja, mais chuva ainda. Esse é o cenário que a gente se encontra e que vai perdurar até fevereiro”, acrescentou a meteorologista.
Parceria

Patrícia Guimarães explica que para que os impactos da cheia possam ser calculados com antecedência, é necessário um trabalho em parceria com os municípios. “É muito importante que os municípios deem um feedback de como está sendo a resposta da chuva. Ela [a resposta da chuva] é a lâmina d’água que vem aumentando gradualmente no rio, e a gente precisa dessa informação para fazer o monitoramento e entender se a cota desse rio está acima ou não da média”, disse.
Índices
Na calha do Rio Negro, onde a maior cheia já resgistrada foi neste ano, o nível está 2,88 metros acima do que estava no mesmo período do ano passado. Em 24 de dezembro de 2020, o rio estava com 20,29 metros de profundidade. No mesmo dia deste mês, chegou a 23,27 metros. Os indicadores têm como referência a capital Manaus. O Rio Negro em Manaus chegou a atingir 30 metros em junho deste ano.
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Além do Rio Negro, o monitoramento do nível dos rios das calhas nas estações dos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos aponta níveis atípicos, acima do esperado para a época. Se as previsões se confirmarem, os primeiros municípios serão atingidos entre a segunda quinzena de janeiro e a primeira metade de fevereiro.
