
Do ATUAL
MANAUS – Novas tecnologias necessitam de profissionais capacitados para operá-las. E quando não há oferta no mercado de trabalho, a solução é formá-los. A chinesa BYD adotou a estratégia e, em parceria com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), capacitou 367 jovens em Tefé, Coari, Codajás e Parintins. Os cursos ocorrem no barco-escola do Senai.
Os conteúdos incluem sistemas fotovoltaicos, inversores, eletricidade, Indústria 4.0, tecnologia da informação, segurança e sustentabilidade, conhecimentos que podem abrir novas possibilidades profissionais sem necessariamente exigir que essas pessoas deixem suas comunidades.
Entre os alunos está a dona de casa Dhierli Gomes dos Santos, de 29 anos, que deixou temporariamente a comunidade onde vive e o filho de 8 anos para participar da formação em Tefé ao lado do irmão. Os dois chegaram a alugar uma kitnet na cidade durante o período das aulas.
“Eu e meu irmão moramos em Caburini a cerca de 45 minutos de lancha de Tefé. Para conseguir fazer o curso, decidimos ficar aqui durante o período das aulas. Não foi uma decisão simples, porque significa ficar longe de casa e assumir um custo que não teríamos normalmente, mas enxergamos nessa formação uma oportunidade que dificilmente chegaria até nós de outra forma”, disse Dhierli.
“Agora, queremos levar esse conhecimento de volta e poder trabalhar com uma tecnologia que pode melhorar a vida de muita gente na nossa região. Todo esse esforço vale a pena quando a gente pensa no que pode fazer com o que aprendeu”, acrescentou a estudante.
A iniciativa integra um conjunto de investimentos da BYD em pesquisa, desenvolvimento e inovação na Região Norte, de R$ 1,1 milhão. “É disso que falamos quando dizemos que a BYD é do Brasil. Ser do Brasil é produzir e investir aqui, mas também entender as diferentes realidades do país e fazer com que a tecnologia gere oportunidades para as pessoas. Formar 367 profissionais no interior do Amazonas é deixar conhecimento onde ele pode fazer diferença, abrir novas perspectivas e contribuir para o desenvolvimento da região”, afirma Tyler Li, presidente da BYD no Brasil.
A Companhia mantém em Manaus uma fábrica de baterias e desenvolve na região projetos de pesquisa e inovação voltados a soluções de energia adaptadas às características da Amazônia.
Segundo a BYD, a iniciativa ganha ainda mais relevância diante da realidade de muitas comunidades do interior do Amazonas. Em algumas delas, o acesso à energia elétrica ainda é limitado e depende de geradores movidos a diesel, um combustível caro, poluente e que enfrenta uma logística complexa para chegar a regiões acessíveis, muitas vezes, apenas por rios.
É nesse contexto que a energia solar pode transformar a rotina dessas populações. A expansão dos módulos fotovoltaicos ajuda a democratizar a energia no estado e a levar uma fonte mais limpa e acessível a regiões distantes da infraestrutura convencional.
A formação profissional segue a mesma lógica: preparar moradores para instalar, manter e multiplicar essas soluções a partir do conhecimento da própria realidade amazônica. A possibilidade de transformar a capacitação em profissão também motivou Keyvison de Souza, de 21 anos, morador do município de Alvarães.
Com uma rotina dividida entre duas graduações e o curso de instalador de sistemas fotovoltaicos do Senai, ele enxergou na formação uma oportunidade de se preparar para uma área que ainda conta com poucos profissionais capacitados na região.
“Quando surgiu a oportunidade, quis aproveitar porque sabia que esse conhecimento poderia fazer diferença onde eu moro. Em Alvarães, vou ser um dos poucos profissionais com formação específica para trabalhar com sistemas fotovoltaicos. Há comunidades que dependiam de geradores e tinham energia apenas por algumas horas à noite”, disse.
“Levar essa atuação ao interior do Amazonas é criar condições para que o conhecimento permaneça nas próprias comunidades e se transforme em oportunidade. Ao preparar profissionais locais para atuar com energia solar, ampliamos o acesso à tecnologia, fortalecemos a autonomia dessas comunidades e abrimos novas perspectivas de trabalho e desenvolvimento”, afirma Rogério Pereira, diretor regional do Senai Amazonas.
