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Economia

Brasil registra queda de preços pela primeira vez desde maio de 2020

9 de agosto de 2022 Economia
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Cesta-básica
Preços dos alimentos também caíram em julho (Foto: Rafael Nedder/Fotos Públicas)
Por Leonardo Vieceli, da Folhapress

RIO DE JANEIRO – O Brasil registrou deflação (queda de preços) de 0,68% em julho, informou nesta terça-feira (9) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado foi puxado pela redução dos combustíveis, especialmente da gasolina e do etanol, e da energia elétrica.

A taxa é a menor já registrada pelo índice oficial de inflação do país, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), desde o início da série histórica, em janeiro de 1980. A queda vem após uma sequência de altas dos preços.

A queda de julho é a primeira desde maio de 2020. À época, a baixa havia sido de 0,38%, em um contexto de restrições a atividades econômicas com a chegada da pandemia.

Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam deflação de 0,65% em julho deste ano. O IPCA havia subido 0,67% em junho. Mesmo com a trégua, o índice de inflação ainda acumula alta de 10,07% em 12 meses, segundo os dados até julho. Nessa base de comparação, o avanço havia sido de 11,89% até o mês anterior.

O IPCA elevado às vésperas das eleições pressiona o governo Jair Bolsonaro (PL), que teme os efeitos da perda do poder de compra dos brasileiros.

A inflação é vista por membros da campanha do presidente como principal obstáculo para a reeleição dele. Para tentar reduzir os danos, o Planalto aposta no corte de tributos.

Em junho, Bolsonaro sancionou projeto que definiu teto para a cobrança de ICMS (imposto estadual) sobre combustíveis, energia, transporte e telecomunicações.

Um dos reflexos da medida foi a queda dos preços da gasolina nos postos ao longo das últimas semanas. O combustível é o subitem com maior peso na composição do IPCA.

Com o corte de impostos, analistas vêm reduzindo as projeções para a inflação no acumulado de 2022.

A estimativa do mercado financeiro recuou para alta de 7,11%, de acordo com a mediana do boletim Focus, divulgado na segunda-feira (8) pelo BC (Banco Central).

O efeito colateral tem sido o aumento das projeções para 2023. Segundo o Focus, a alta prevista para o próximo ano subiu para 5,36%. De acordo com analistas, a perda de receitas com tributos traz riscos para o quadro fiscal, com possíveis impactos negativos sobre a inflação mais à frente.

Para tentar conter a carestia, o BC vem subindo os juros, o que desafia a recuperação do consumo das famílias e encarece os investimentos produtivos de empresas.

O IPCA alcançou os dois dígitos no acumulado de 12 meses em setembro de 2021. O indicador caminha para estourar a meta de inflação perseguida pelo BC pelo segundo ano consecutivo.

Em 2022, o centro da medida de referência é de 3,50%. O teto é de 5%.

Disparada na pandemia A inflação voltou a assustar os brasileiros devido a uma combinação de fatores ao longo da pandemia.

Houve aumentos em preços administrados, como combustíveis e energia elétrica, além de carestia de alimentos e ruptura de cadeias globais de insumos da indústria.

A pressão inflacionária no Brasil foi intensificada pela desvalorização do real em meio a turbulências na área política.

No primeiro semestre de 2022, houve o impacto adicional da Guerra da Ucrânia. O conflito pressionou ainda mais o petróleo e parte das commodities agrícolas no mercado internacional. Recentemente, esses produtos deram sinais de trégua com o temor de uma recessão global.

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