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Política

Bolsonaro é orientado a evitar crise na Bolívia com os líderes do Brics

12 de novembro de 2019 Política
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Bandeiras dos países do Brics: reunião de cúpula no Brasil (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

Por Ricardo Della Coletta, Gustavo Uribe e Talita Fernandes, da Folhapress

BRASÍLIA-DF – Embora tenha visto com simpatia a renúncia de Evo Morales na Bolívia, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) tem sido aconselhado por auxiliares e diplomatas a evitar abordar a crise sucessória no país vizinho nas conversas no âmbito da cúpula dos Brics.

Nesta quarta-feira, 13, e quinta, 14, o presidente recebe em Brasília os chefes de governo de Rússia, Índia, China e África do Sul, na 11ª cúpula do bloco. A avaliação é que defender no encontro a transição de poder na Bolívia pode abrir um flanco de desgaste principalmente com duas nações do bloco: Rússia e China.

Aliados de Evo, os russos usaram termos duros para se referir à saída dele da Presidência e disseram que os fatos “se assemelham a um golpe de Estado instrumentado”. “Acompanhamos com inquietude a dramática evolução dos acontecimentos na Bolívia, onde onda de violência desencadeada pela oposição não permitiu a conclusão do mandato presidencial de Evo Morales”, disse, em comunicado, a chancelaria russa. A posição de Moscou difere da do governo brasileiro, que não considera a caída de Evo um golpe de Estado.

Evo tem afirmado que renunciou à Presidência em razão de um “golpe cívico, político, policial”. O anúncio foi feito no domingo, 10. Em mensagem publicada nas redes sociais, o chanceler Ernesto Araújo afirmou que Evo protagonizou uma “fraude eleitoral maciça” que o “deslegitimou” como governante. “Não há nenhum golpe na Bolívia”, escreveu o ministro das Relações Exteriores brasileiro. “O Brasil apoiará transição democrática e constitucional. Narrativa de golpe só serve para incitar violência”, afirmou.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também em redes sociais, afirmou que a saída de Evo se tratava de um ‘golpe de Estado’. Bolsonaro negou a ocorrência de um golpe. Ao Globo, no domingo, o presidente brasileiro afirmou que “a palavra golpe é muito usada quando a esquerda perde”.

Nas redes sociais, o presidente brasileiro comentou a queda de Evo e voltou a defender o voto impresso, uma de suas bandeiras. Ele também ironizou a renúncia e voltou a usar a expressão ‘grande dia’, seguida de um sinal de joinha, com uma foto sua com a faixa presidencial e da primeira-dama, Michelle, no dia a posse. A mesma expressão foi usada por Bolsonaro para celebrar a saída do ex-deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) do Brasil.

Ao ser perguntado sobre a oferta de asilo político a Evo pelo México, Bolsonaro disse que Cuba seria um bom destino para o ex-presidente boliviano. “Lá (no México) a esquerda tomou conta de novo. Tem um bom país para ele: Cuba”, disse. Nesta segunda, o México concedeu asilo a Evo –de acordo com o chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, o boliviano aceitou a oferta. Também próximos a Evo, os chineses usaram uma retórica mais moderada para tratar da crise na Bolívia.

A chancelaria do país asiático afirmou esperar que os “partidos relevantes resolvam pacificamente a disputa dentro dos limites da Constituição e da lei, para restaurar a estabilidade social o mais rápido possível”.

Auxiliares presidenciais disseram à reportagem que tratar da crise boliviana com os parceiros dos Brics pode deixar evidente mais um ponto de discordância entre os integrantes da aliança. Nesse sentido, eles aconselharam Bolsonaro a evitar mencionar o tema em discursos oficiais ou nas reuniões ampliadas com todos os mandatários dos Brics.

O Brasil já é voz dissonante no bloco em relação à crise na Venezuela.
Dos cinco países-membros, apenas o Brasil reconhece o líder opositor Juan Guaidó como presidente encarregado do país caribenho. O impasse na Bolívia pode ser discutido – dizem aliados de Bolsonaro – em reuniões bilaterais.

Um assessor presidencial afirma que Bolsonaro deverá transmitir a posição do Brasil caso seu interlocutor coloque o assunto sobre a mesa.

Diante do agravamento da situação no país vizinho, interlocutores no Itamaraty têm dito que o Brasil deve apoiar uma solução institucional pacífica, embora no momento não esteja claro qual seria essa saída. Uma alternativa discutida desde o domingo é que Jeanine Añez, a segunda vice-presidente do Senado, assuma o governo interinamente até a realização de novas eleições. Mas não está claro se o Parlamento boliviano – que registrou renúncias de vários apoiadores de Evo – se reunirá para dar posse à congressista.

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Assuntos Brics, crise na Bolívia, Jair Bolsonaro
Cleber Oliveira 12 de novembro de 2019
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