
Da Redação
MANAUS – Ao classificar de crime o lucro líquido da Petrobras, o presidente Jair Bolsonaro disse que o aumento sucessivo de preço dos combustíveis ameaça quebra o Brasil. Ele apelou para que a empresa não promova mais reajuste de preços.
“Se o Brasil tiver mais um aumento de combustível, pode quebrar. O momento é de guerra [na Ucrânia] e a gente apela à Petrobras. Não reajustem os preços dos combustíveis”, pediu na live semanal desta quinta-feira (5) nas redes sociais.
Bolsonaro disse que a projeção de lucro da empresa é absurdo. “O lucro da Petrobras é maior com a crise [da pandemia de Covid-19 e da Guerra na Ucrânia]. Isso é um crime, é inadmissível. O lucro da Petrobras para esse trimestre – janeiro, fevereiro e março – poderá chegar a R$ 40 bilhões. Nessa balada, será um lucro de R$ 120 bilhões [no ano]”, disse Bolsonaro.
“Outras petroleiras mundo afora como a ABP, a Shell e a Total, elas têm um lucro na casa de 10% a 15%. A Petrobras é na casa dos 30%. Quem paga a conta desse lucro? É a população brasileira”, disse.
O presidente citou que muitas petroleiras mundo a fora reduziram preços, baixaram mais o lucro. “Pra que isso? Para ajudar seu país a não quebrar”, afirmou.
“O lucro de vocês é um estupro. A Petrobras não pode aumentar mais o preço dos combustíveis. É um crime aumentar mais uma vez o óleo diesel no Brasil”, afirmou.
Bolsonaro lembrou a greve dos caminhoneiros no governo temer em que o baque na economia foi enorme, mas descartou interferir na empresa. “Eu não mando na Petrobras, quero deixar bem claro. Isso foi feito no passado e causou um endividamento de R$ 900 bilhões na Petrobras. Então, está descartado uma intervenção”.
Na quinta-feira, a Petrobras anunciou o lucro líquido do primeiro trimestre deste ano, de R$ 44,5 bilhões.
O presidente da estatal, José Mauro Coelho, disse que a Petrobra manterá a política de preço dos combustíveis atrelado à cotação do petróleo em dólar e defendeu os preços dos praticados no Brasil.
“Não é só preço do barril. É gestão responsável que tem sido feita nos últimos anos. Não podemos nos desviar da prática de preços de mercado. É uma condição necessária para a geração de riqueza não só para a empresa, mas para toda a sociedade brasileira, fundamental para a atração de investimentos do país e para garantir o suprimento dos derivados que o Brasil precisa importar”, disse ele Coelho.
