
Por Gustavo Uribe, da Folhapress
BRASÍLIA-DF – Em uma reação às críticas de que tem interferido na Polícia Federal e na Receita, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que foi eleito justamente para tomar decisões e que não será um ‘banana’ ou um ‘poste’ no exercício do mandato.
“Houve uma explosão junto à mídia no Brasil, uma explosão. Está interferindo? Ora, eu fui (eleito) presidente para interferir mesmo, se é isso que eles querem. Se é para ser um banana ou um poste dentro da Presidência, tô fora”, disse nesta quarta-feira, 21, na abertura do Congresso Aço Brasil.
A pedido do presidente, o que causou um constrangimento ao ministro da Justiça, Sergio Moro, foi trocado o comando da superintendência da PF no Rio de Janeiro. E, na segunda-feira, 19, também após uma interferência dele, foi afastado o subsecretário-geral da Receita Federal.
“Na Polícia Federal, eu indiquei o Moro. E o Moro indicou o diretor-geral. E ali, no quarto escalão, há as superintendências. Onze já foram mudadas. Quando apareceu a do Rio de Janeiro, eu fiz uma sugestão de pegar o superintendente de Manaus”, disse Bolsonaro.
O presidente ressaltou que a Receita Federal ‘tem problemas’ e que, por isso, deve haver novas mudanças, sem especificá-las. Uma das possibilidades cogitadas é a troca do secretário especial, Marcos Cintra. “A Receita Federal tem problemas. Faz um bom trabalho, mas tem problemas. E devemos resolver esses problemas trocando gente”, disse.
O cargo do subsecretário de Fiscalização da Receita, Iágaro Martins, por exemplo, também está em risco. Ele é visto como um integrante do órgão ligado ao Ministério Público e vem sendo criticado nos bastidores após investigações envolvendo a família de Bolsonaro.
A PF do Rio passa por momento delicado, especialmente após o caso Fabrício Queiroz, PM aposentado e ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Ele é pivô da investigação do Ministério Público do Rio que atingiu o senador e primogênito do presidente.
A apuração começou após um relatório do governo federal ter apontado a movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão na conta do ex-assessor do filho do presidente na Assembleia Legislativa do Rio, de janeiro de 2016 a janeiro de 2017. Esse caso especificamente não está com a PF, mas há investigações que podem envolver os mesmos personagens.
