
Por Felipe Campinas, da Redação
MANAUS – Em conversa com apoiadores no cercadinho do Palácio da Alvorada nesta segunda-feira (19), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chamou o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL), de “insignificante”, e o presidente da CPI da Covid do Senado, Omar Aziz (PSD), de “otário” e “anta amazônica”.
O ataque a Ramos ocorreu durante nova crítica do mandatário à aprovação pelo Congresso Nacional da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2022, que prevê Fundo Eleitoral de R$ 5,7 bilhões para as eleições do próximo ano. Bolsonaro, no entanto, não confirmou se vetará o trecho da lei. Ele disse que tem 15 dias para decidir.
“O presidente em exercício, lá de Manaus. Como é o nome do cara? É tão insignificante que eu esqueci o nome dele. Marcelo Ramos. Ele atropelou o regimento e não deixou votar (o destaque). Agora cai pra mim. Sancionar ou vetar. Tenho 15 dias úteis para decidir. Então, vou decidir acertadamente”, disse Bolsonaro.
O “atropelo” do regimento citado por Bolsonaro trata-se da rejeição do requerimento apresentado pelo partido Novo para votar em separado o artigo da LDO que fixou o percentual do Fundo Eleitoral para 2022. O destaque foi reprovado em votação simbólica, ou seja, sem o registro nominal dos votos de cada parlamentar.
No domingo (18), Ramos disse que o presidente e os filhos (o depurado federal Eduardo Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro) fogem de responsabilidades. O parlamentar disse que quem articulou o ‘fundão’ bilionário foram os líderes do governo na Câmara e Senado e que não protestaram quando houve a votação simbólica da matéria.
Os ataques a Omar Aziz foram proferidos quando Bolsonaro fazia críticas à CPI da Covid. Ao se referir, inicialmente, a Aziz, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Renan Calheiros (MDB-AL) como “três otários”, o presidente disse que se houvesse tratativas para compra superfaturada de vacinas não haveria vídeo.
“Tem essa CPI ainda. Os três patetas. Os três patetas, não. Os três otários – os três patetas, quando eu era moleque, eu assistia muito e dava muita risada – tentam de toda maneira colar ‘ah, mas o (Eduardo) Pazuello conversou com empresário’. Se estivesse se tratando de corrupção, não teria vídeo. Seria no porão ou em um canto qualquer”, disse.
Bolsonaro também disse que na época em que adotava cautela para comprar vacinas e era chamado de “negacionista”, o senador Omar Aziz e o deputado Renildo Calheiros (MDB-AL), irmão de Renan Calheiros, apresentaram uma emenda a uma medida provisória para viabilizar a compra dos imunizantes sem licitação e aprovação pela Anvisa.
“O que a imprensa fazia naquela época? (Dizia) ‘Tem que comprar a vacina, não importa o preço’. Agora, quem queria comprar a vacina, não interessando o preço e sem passar pela Anvisa, é o Omar Aziz. Está documentado em uma emenda que ele apresentou em uma medida provisória nossa sobre vacina”, disse Bolsonaro.
“O irmão do Renan Calheiros, Renildo Calheiros, apresentou uma emenda igualzinha, que estados e municípios podiam comprar vacinas sem a certificação da Anvisa e sem licitação. Imagina se aprova isso. Hein, Omar Aziz? Mais conhecido como ‘anta amazônica’. Imagina se tivesse passado isso?”, completou o presidente.
Omar reagiu à declaração do presidente afirmando que apenas “os valorosos militares” que serviram na Amazônia sabem a importância da anta amazônica para o meio ambiente. Aziz também voltou a comparar o presidente ao macaco guariba que, segundo o presidente da CPI, “defeca pela boca”, e disse que a onça vai pegá-lo.
“Sabe quem é o predador do macaco guariba? É a onça. É a onça, presidente, que está atrás do macaco guariba. É aquele que eu expliquei o que significa. É aquele que quando foge da onça, ele faz dejetos pelos orifícios, urina e defeca para se proteger da onça. Presidente, a onça vai pegar o macaco guariba. Tenha certeza”, disse Aziz.
Nas redes sociais, Marcelo Ramos disse que Bolsonaro “não se dá o respeito”, “não respeita a grandeza do cargo” e que “prefere o ódio e a baixaria”. “O Brasil precisa de uma mensagem de esperança, de combate à roubo em vacina, de retomada da economia e do emprego, de ajuda para os que têm fome. Mas ele prefere o ódio e a baixaria. É uma vergonha!”, disse.
Assista ao vídeo de Omar Aziz:
