
Do ATUAL
MANAUS – Senadores e governantes de estados da Amazônia pressionam o governo federal pelo reasfaltamento de trecho da BR-319 (Manau-Porto Velho/RO), diz reportagem do The Guardian publicada na segunda-feira (5).
O jornal diz que a reestruturação da rodovia é vista pelos políticos como um meio para beneficiar a indústria e o comércio, mas enfatiza os impactos da licença ambiental na floresta e nos territórios indígenas.
O The Guardian informa que a urbanização da rodovia gera ameaça à floresta e comunidades de povos originários, o que seria possível pela formação de uma “espinha de peixe” – termo ao qual se refere à estrutura da rodovia que inclui ramais abertos no entorno da estrada. A reportagem descreve relatos de uma expedição feita pelos jornalistas Leanderson Lima, do site Amazônia Real, e Micael Pereira, do Expresso.
“Plínio Valério, um dos três senadores que representam o estado do Amazonas no Congresso Nacional em Brasília, diz que o acesso é a chave para a prosperidade. Manaus é uma cidade grande, um polo industrial com uma população de 2 milhões de pessoas, mas também é isolada – uma ilha na floresta que só pode ser alcançada de forma confiável no rio Amazonas”, diz a reportagem.
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O governo federal informa que avalia a situação da BR-319, segundo o jornal. O The Guardian notícia que a recuperação da estrada foi promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula também prometeu zerar o desmatamento até 2030, mas, para isso, deve enfrentar a pressão do parlamento brasileiro, inclusive, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que promete revisitar a licença de asfaltamento do trecho do meio da rodovia concedida pelo governo Bolsonaro.

“Muitos políticos de direita pedem a demissão de Marina. Se ela for, assim – muito provavelmente – tem alguma chance de impedir que outra espinha de peixe desseque outra grande faixa de floresta e abra caminho para a Amazônia ocidental”, diz o The Guardian.
O jornal cita a ilegalidade de pessoas que invadem a floresta, inspiradas pela abertura da BR-319 na década de 1970, na ditadura militar, como um projeto de “integrar a Amazônia com o restante do Brasil”.
“Como dezenas de cientistas alertaram em uma carta aberta em 2021: ‘Uma vez que as estradas são construídas na Amazônia, os eventos que se seguem estão em grande parte fora do controle do governo'”, finaliza a reportagem.
