
Do ATUAL, com Agência BNDES
MANAUS – O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) destinará R$ 200 milhões para financiar projetos no programa Cidades Resilientes. O recurso é do Fundo Clima e as iniciativas incluem ações de desenvolvimento urbano sustentável e mitigação de riscos socioambientais, especialmente em áreas mais vulneráveis.
Um convênio foi assinado pelo banco com a Prefeitura de Manaus para executar os projetos. Esse é o primeiro financiamento aprovado no programa BNDES Cidades Resilientes, destinado a apoiar municípios com financiamento e estruturação de projetos de resiliência climática, capacidade adaptativa e redução de riscos de desastres naturais.
Pelo acordo, o BNDES será o responsável pela avaliação de risco climático e a elaboração da estratégia de resiliência climática, além de projetos de arquitetura e engenharia e estudos ambientais que subsidiem eventuais licenciamentos.
“A adaptação climática é um dos grandes desafios do desenvolvimento urbano brasileiro nas próximas décadas. Os municípios conhecem seus problemas e possuem oportunidades de financiamento disponíveis, mas encontram dificuldades para transformar essas demandas em projetos capazes de se converter em investimentos”, afirma o diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa.
“O Programa BNDES Cidades Resilientes foi concebido para atuar nesse ponto crítico, combinando estruturação de projetos e acesso ao crédito de forma coordenada e construindo uma agenda que conecta diagnóstico, planejamento, engenharia e financiamento para acelerar a implementação de soluções de adaptação climática nas cidades brasileiras”, acrescentou Nelson Barbosa.
De acordo com a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, o Cidades Resilientes conecta diagnóstico, projeto, licenciamento e financiamento. “”Não basta identificar riscos, é preciso transformar vulnerabilidades em projetos licitáveis, financiáveis e capazes de chegar ao território. Manaus é uma primeira experiência dessa estratégia”.

O projeto contempla, inicialmente, três regiões vulneráveis da periferia de Manaus: Igarapé da Sapolândia, no bairro Alvorada, na zona centro-oeste, e o Igarapé do Crespo, na zona sul. As duas comunidades sofrem com o lançamento direto de esgoto e resíduos sólidos, riscos de alagamento e assoreamento.
Também estão previstos investimentos na Comunidade Ouro Verde – Parque dos Tucanos, região com aproximadamente 20 mil habitantes, marcada por ocupação heterogênea, déficit de saneamento básico e vulnerabilidade urbanística.
São territórios que apresentam desafios relacionados a inundações recorrentes, ocupação de áreas ambientalmente sensíveis, erosão, assoreamento de cursos d’água, degradação ambiental e deficiência de infraestrutura de drenagem, fatores que ampliam a exposição da população aos impactos das mudanças climáticas.
Serão realizados diagnósticos ambientais, espaciais, urbanos e socioeconômicos, avaliação integrada de riscos climáticos, mapeamento de vulnerabilidades e identificação das áreas críticas para intervenção. O trabalho servirá de base para a elaboração de soluções de adaptação capazes de reduzir riscos hidrológicos, recuperar áreas degradadas, fortalecer a infraestrutura urbana e aumentar a resiliência das comunidades mais vulneráveis.
As soluções poderão incluir obras de drenagem urbana, recuperação e requalificação de igarapés, contenção de processos erosivos, requalificação urbana, infraestrutura verde e soluções baseadas na natureza, além de medidas voltadas ao fortalecimento institucional e à adaptação climática de longo prazo.
Eventos extremos
Os eventos climáticos extremos se intensificaram em Manaus nos últimos anos, evidenciando os impactos das mudanças climáticas na região amazônica. Em 2021, a cheia do Rio Negro bateu recorde e provocou alagamentos em diversas áreas da cidade, afetando famílias, comércio, mobilidade e exigindo grandes esforços emergenciais do poder público.
Em 2023, a estiagem histórica reduziu os níveis dos rios, deixando comunidades ribeirinhas isoladas, comprometendo o abastecimento de água potável, a navegação fluvial e o transporte de insumos e alimentos.
BNDES Cidades Resilientes
O programa foi concebido para apoiar os municípios brasileiros na preparação e financiamento de projetos de adaptação climática e redução de riscos de desastres, reduzindo a escassez de projetos maduros, tecnicamente estruturados e aptos. A iniciativa combina estruturação técnica e instrumentos financeiros de forma coordenada, criando condições para acelerar investimentos em infraestrutura resiliente em todo o país e superando a falta de projetos maduros e tecnicamente estruturados para acessar fontes de financiamento destinadas.
A metodologia é baseada na avaliação integrada de riscos, considerando a relação entre ameaças, exposição e vulnerabilidade dos territórios. A partir desse diagnóstico, são definidas intervenções prioritárias voltadas à redução de riscos, proteção da população e aumento da resiliência urbana.
