
Do ATUAL
MANAUS – Pela primeira o Bloco da Cobra Grande será em local público. O grupo promove no sábado (1º) a festa ‘Um Carnaval TransAmazônico’ a partir das 17h na Praça Dom Pedro II, no início da Avenida 7 de Setembro. O som terá ritmos da Paraíba.
Animam o carnaval a banda Casa de Caba, Antônio Bahia e Ravi Music On. Da Paraíba as atrações são Escurinho e Elon. A artivista Maria do Rio Negro Kaxinawá e a multiartista Ísis de Manaus também farão show.
Para a produtora Patrícia Borges, a ideia é associar o termo transamazônico com a cultura de João Pessoa.
“Para nós, carnaval como intercâmbio cultural. A Paraíba é um estado que me acolhe para estudar e me inspirou a pensar numa edição que fomenta a música do Norte e do Nordeste. Escurinho é uma entidade, um mestre da musicalidade brasileira. Elon é um dos maiores nomes da música contemporânea paraibana, está com o show Extraviado em circulação por diversas capitais do país. É uma alegria muito grande ter esse projeto contemplado com recursos públicos e poder receber aqui em Manaus esses artistas com os quais tive conexões ancestrais”, disse a produtora.
Também haverá bancas de gastronomia. Os shows terão tradução simultânea em Libras e uma ação experimental de audiodescrição
O Bloco da Cobra Grande foi criado em 2020 para fomentar as produções de música independente e autoral da cidade no período do carnaval. O formato inicial era de um evento privado, em clube fechado, para garantir segurança e conforto aos brincantes. “Com a renda adquirida pela venda dos ingressos e apoio de empresas parceiras buscamos remunerar uma rede de trabalhadores da cultura e empreendedores da economia criativa”, disse Patrícia Borges.
Agenor Vasconcelos, produtor executivo, conta que o Cobra Grande é inspirado no “Eu acho é pouco”, bloco de rua tradicional de Olinda (PE), com adaptação a um mito da região amazônica.
“O mito da cobra grande circula há, pelo menos, 4 mil anos entre os povos indígenas do Alto Rio Negro. Segundo esse mito, os primeiros humanos viajaram dentro desse animal mítico e foram “desovados” em cantos estratégicos. Conforme saíam da cobra, fundavam comunidades com muita festa e dança. A cobra grande é a origem de toda diversidade humana. É um conceito democrático que valoriza nossa cultura”, explica Agenor.
