
Por Eduardo Rodrigues e Cícero Cotrim, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – O Banco Central decretou na manhã desta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, com extensão do regime especial à Pleno DTVM. Em agosto do ano passado, o próprio BC aprovou a transferência do controle societário do banco Voiter, que fazia parte do conglomerado do Master, para Augusto Lima, passando a operar sob o nome de Banco Pleno.
De acordo com a autarquia, o conglomerado do Pleno é de pequeno porte, enquadrado no segmento S4 da regulação prudencial, com 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
“A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil”, informou o BC.
A autoridade monetária reforçou que continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais, o que pode levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes. Ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos administradores da instituição objeto da liquidação decretada.
Liquidante
O Banco Central nomeou como liquidante do Banco Pleno (ex-Voiter) e da Pleno DTVM o advogado José Eduardo Victória, que atua como liquidante em outros casos. No direito, ele tem experiência nas áreas de liquidações, falências e direito bancário.
Victória cuidou de dois outros processos de liquidação extrajudicial: da Govesa Administradora de Consórcios, que teve início em 2021, e da VKN Administradora de Consórcios, que começou em 2024. Antes, atuou como substituto na liquidação da Sicoob Credicazola.
Ao contrário dos liquidantes de empresas do conglomerado Master, Victória nunca foi servidor do BC. Ele é sócio-administrador do escritório Mattos, Rodeguer Neto e Victória (MRV Advogados), de São Paulo.
O Pleno (à época, Banco Voiter) foi vendido pelo Master para um ex-sócio do banco, Augusto Lima, em julho de 2025. Para conceder a autorização de compra, o Banco Central fez uma série de exigências, incluindo aumentos o capital e que a instituição não crescesse com base na emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), para limitar sua exposição ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Lima vinha aportando recursos e tentando encontrar fontes de captação para o banco, o que se tornou desafiador sem a emissão de CDBs. Ao mesmo tempo, tinha de honrar os CDBs vincendos. Os técnicos do BC, que acompanhavam o caixa do Pleno diariamente, constataram que essa equação vinha se deteriorando. Recentemente, constatou-se que o banco não tinha liquidez nem para honrar vencimentos de curtíssimo prazo. Por isso, houve a opção por uma liquidação.
