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José Ricardo

Ato em defesa da democracia e contra o golpe

17 de dezembro de 2015 José Ricardo
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tiago paiva

Em 25 estados brasileiros e no Distrito Federal, ocorreram dia 16 de dezembro manifestações e atos públicos em defesa da democracia, da legalidade e contra a tentativa de afastamento da presidenta Dilma.

Foram quase 300 mil pessoas às ruas para denunciar o golpe contra o povo e contra o estado democrático de direito. Em Manaus, cerca de 5 mil pessoas participaram do ato que começou na Praça São Sebastião e em caminhada terminou na Av. 7 de Setembro. Organizado pela Frente Brasil Popular, contou com a participação de partidos políticos (PT, PCdoB, PDT, PSOL), entidades sindicais e estudantis, movimentos sociais, professores, e diversos grupos que lutam por moradia.

O ato também foi contra a corrupção e pedindo o afastamento do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, por envolvimento em inúmeros casos de corrupção, e que usa o seu cargo para dificultar as investigações e para atingir a presidenta Dilma.

Muitos moradores da comunidade Cidade das Luzes e da comunidade Coliseu, que recentemente foram desalojados e tiveram suas casas destruídas, a pedido do prefeito de Manaus, denunciavam a falta de política de moradia por parte da Prefeitura e do Governo do Estado.

Estamos vivendo um momento da história do Brasil, de fortalecimento das instituições, onde o combate à corrupção acontece, investigando e prendendo pessoas que no passado eram consideradas intocáveis. Dilma sancionou recentemente a lei que, pela primeira vez em nossa história, permitirá a condenação também dos corruptores. Antes, as empresas que corrompiam os políticos e funcionários públicos não eram punidas. Agora, os donos das maiores empreiteiras do país, os mais ricos, também são condenados.

Além disso, no atual governo da Dilma, os órgãos de fiscalização e investigação, como o Ministério Público e a Polícia Federal, estão podendo investigar sem a interferência do Executivo. As investigações da Operação Lava Jato mostram o envolvimento de muitos partidos e empresas na corrupção. Teve empresário que informou que repassou dinheiro para políticos de 28 partidos. Quase todos.

Junto ao STF, foram denunciados 49 políticos ou ex-políticos, de diversos partidos, incluindo o Eduardo Cunha , presidente da Câmara dos Deputados e Renan Calheiros, presidente do Senado, ambos do PMDB. Quase 30 dos deputados do PP estão acusados. Foi preso o senador Delcídio do Amaral, por atrapalhar as investigações (algo inédito no país). Esses dias, a polícia fez buscas na casa de Cunha e também políticos do PMDB, Solidariedade, PP, PSB, na operação Catilinárias.

Dilma foi eleita democraticamente. Teve a maioria dos votos do povo brasileiro. As suas contas de campanha foram aprovadas. Ela não responde a nenhum processo que envolva corrupção ou desvio de dinheiro público. Mas, desde o ano passado, a oposição e setores da grande mídia tentam tirá-la do poder, tentam um golpe contra a democracia.

Foi apresentado um pedido de afastamento (impeachment) junto à Câmara dos Deputados, sem nenhuma prova de irregularidades e justificativas previstas na Constituição Brasileira.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, tentou usar de sua influência para barganhar com partidos da base do Governo a manutenção do seu mandato, não conseguindo, agora tenta de qualquer jeito dar andamento no processo e também tenta impedir que o Conselho de Ética investigue o próprio Cunha por atos de corrupção. No dia 16 de dezembro, o Ministério Público Federal pediu ao STF que Cunha seja afastado de suas funções, por receber propina, chantagens, intimidações, abuso de poder, receber vantagens indevidas, manobras espúrias e obstrução em investigações e ameaças contra membros da comissão de ética.

Várias entidades e personalidades da sociedade brasileira se manifestaram contra o golpe que se tenta contra o povo brasileiro. Artistas, intelectuais e pessoas ligadas à cultura, como Chico Buarque, fizeram uma Carta ao Brasil onde dizem que “não aceitaremos qualquer retrocesso nas conquistas históricas que obtivemos no Brasil”. Também se manifestaram contra o golpe o MST, a CNBB, o Conic, partidos como o PSB, PSOL, PCdoB, PT, PDT e inúmeras instituições da sociedade civil.

O certo é que o povo nas ruas disse Não ao Golpe e Fica Dilma!


José Ricardo Wendling é formado em Economia e em Direito. Pós-graduado em Gerência Financeira Empresarial e em Metodologia de Ensino Superior. Atuou como consultor econômico e professor universitário. Foi vereador de Manaus (2005 a 2010), deputado estadual (2011 a 2018) e deputado federal (2019 a 2022). Atualmente está concluindo mestrado em Estado, Governo e Políticas Públicas, pela escola Latina-Americana de Ciências Sociais.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos democracia, golpe, Impeachment
Valmir Lima 17 de dezembro de 2015
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