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Dia a Dia

‘Apagões’ no interior geraram 5 mil processos contra a Amazonas Energia

8 de fevereiro de 2023 Dia a Dia
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apagoes
Especialistas alertam que consumidores prejudicados por ‘apagões’ podem ser indenizados (Foto: Divulgação)
Do ATUAL

MANAUS – Prejuízos causados por “apagões” motivaram, somente no interior, quase 5 mil processos judiciais contra a Amazonas Energia em 2022, segundo o Núcleo de Estatística do TJAM (Tribunal de Justiça do Amazonas). Em todo o estado foram mais de 8 mil processos.

Ano passado, diversos municípios como Iranduba, Manacapuru, Presidente Figueiredo, Carauari, Careiro da Várzea, Barcelos, Parintins e outros foram afetados com “apagões” de energia em abril e junho. Especialistas em código de defesa do consumidor alertam que a falta de energia elétrica pode gerar uma compensação financeira às unidades atingidas.

A comerciante Antônia Souza, moradora de Carauari (a 788 quilômetros de Manaus), recorreu à Justiça. “Aqui falta energia praticamente todos os dias. A energia é interrompida sem avisar nenhum de nós. A conta chega todos os meses caríssima, mas vamos dormir quase todos os dias sem energia”, reclamou.

Outro processo movido contra a prestadora foi da microempreendedora Karoline Azedo, que mora em Parintins (a 369 quilômetros de Manaus). Também ocorreram diversas interrupções do serviço que ocasionaram queima de eletrodomésticos, inclusive, no último sábado (4), os moradores ficaram desde 8h até 12h sem energia.

“Nesse último apagão perdi um ventilador e um frigobar, a luz ficava indo e vindo ou pegava apenas em uma fase, isso acabou queimando as coisas aqui. Os prejuízos financeiros que tive, infelizmente pelo péssimo serviço prestado, fizeram eu processar a Amazonas Energia. Outra que sou MEI, tenho uma pequena loja de roupa com minha mãe, ela é costureira, então por diversas vezes deixamos de entregar encomendas por falta de energia”, relatou.

apagões
Consumidora Karoline Azedo, em Parintins, teve os eletrodomésticos queimados com os apagões (Foto: Divulgação)

Em Barcelos (a 401 quilômetros de Manaus), a realidade não é diferente. Os moradores lidam constantemente com os apagões. A autônoma Joana Silva ingressou com um processo na justiça, por meio do Escritório de Advocacia Guerra Pelo Consumidor, pela falta do serviço da Amazonas Energia no município.

“Pagamos por um serviço que não é oferecido. O preço é um absurdo. Aqui tem muitas quedas de energia, inclusive de domingo, 5/2, para segunda-feira, 6/2, teve, e queimou um eletrodoméstico”, criticou.

Como proceder

Reginaldo Oliveira, presidente da Comissão Especial de Defesa do Consumidor da OAB-AM (Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Amazonas), afirma que em caso de falta de energia para serviços na rede elétrica, a concessionária deve avisar com antecedência os consumidores. Quando ocorrer a ruptura repentina causando prejuízos, a empresa deve indenizar o cliente prejudicado.

“O amazonense deve primeiramente requerer o ressarcimento por meio administrativo, em caso de negativa, deve procurar um advogado ou a Defensoria Pública para ajuizar uma ação de reparação de danos materiais e morais, o mesmo procedimento deverá ser adotado para os demais prejuízos como produtos, medicamentos entre outros que pereceram por falta da energia elétrica”, destacou Oliveira.

O especialista ressalta a importância de documentar os fatos ocorridos. “É importante reunir todo meio de prova, registrar o dia, horário e o período que o consumidor ficou sem energia elétrica, inclusive, anotar os protocolos de ligação para a concessionária, publicações de redes sociais e na mídia”.

“Falta boa vontade da Amazonas Energia”

Com mais de 8 mil processos contra a Amazonas Energia, Cecília Pereira, advogada do Direito do Consumidor, pondera que falta disposição da concessionária em solucionar os problemas dos consumidores.

“Os meios que existem são vários, mas parece que falta boa vontade da concessionária em resolver. Por exemplo, quando tem uma audiência de conciliação, o corpo jurídico leva uma proposta de acordo digna, mas, acontece que em algumas situações quem vai representar a empresa, nem sabe o que de fato está acontecendo, ou até mesmo procura de forma administrativa, resolver a demanda, para que não necessite buscar o judiciário para resolver situações litigiosas”.

Para Reginaldo Oliveira, os entes públicos de defesa do consumidor, como o Procon, Ministério Público e principalmente a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), devem ser mais atuantes no combate às práticas abusivas. Ele afirma que o legislativo também deve fazer o seu papel.

“O legislativo deve fiscalizar e legislar nas melhorias e leis que obriguem a concessionária a melhorar seus serviços. Porém, o Judiciário tem um papel importante neste contexto, porque, muitas das vezes, aplicam indenizações com valores ínfimos e algumas varas sequer condenam a empresa em danos morais, motivando ainda mais o descumprimento do Código do Consumidor por parte da concessionária”, enfatizou.

Os temas mais procurados para resolver dentro do judiciário com a Amazonas Energia, segundo a advogada Cecília Pereira, são os de irregularidade nas contas, como faturas com valores exorbitantes, faturamento errado, desvio de energia, ou corte indevido por faturas pagas, débitos preteridos, interrupção de energia em feriados e final de semana e não mudanças de débitos para inquilinos.

Outro lado
Amazonas Energia
Amazonas Energia diz que fez diversos investimentos na ordem de R$ 81,1 milhões (Foto: Reprodução/Facebook)

Em nota, a Amazonas Energia diz que no ano de 2022 realizou diversos investimentos na infraestrutura e melhoria da distribuição de energia elétrica no interior, na ordem aproximada de R$ 81,1 milhões.

“Além destas melhorias na rede de distribuição, a concessionária trabalha diariamente para alinhar os trabalhos junto aos produtores independentes de energia elétrica que abastecem os municípios isolados”, informou, e acrescentou que a revisão contínua na busca por oportunidades de melhoria ocorre de forma constante na empresa.

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Assuntos Amazonas Energia, apagões, destaque, indenização
Redação 8 de fevereiro de 2023
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