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Andrade Gutierrez, que construiu a Arena da Amazônia, admite propina em obras da Copa

27 de novembro de 2015 Política zmanchete
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A Arena da Amazônia foi licitada por R$ 499.508.704,17 e foi concluída ao preço de R$ 669,5 milhões (Foto: Chico Batata)

MANAUS – Reportagem da Folha de S. Paulo desta sexta-feira, 27, informa que a empreiteira Andrade Gutierrez acertou um acordo de delação e leniência com a Procuradoria-Geral da República e com a força-tarefa que atua na Operação Lava Jato, em Curitiba (PR), no qual ira relatar que pagou propina em obras da Copa do Mundo, na Petrobras, na usina nuclear Angra 3 e em Belo Monte e na ferrovia Norte-Sul.

A empreiteira aceitou pagar a maior multa da Operação Lava Jato, de cerca de R$ 1 bilhão, e, paralelo, acertou o acordo de delação e leniência. A maior indenização já paga na Lava Jato até agora foi da Camargo Corrêa: R$ 800 milhões.

A Andrade Gutierrez foi acusada junto com a Odebrecht de ter pago R$ 632 milhões de suborno em contratos com a Petrobras. A Odebrecht é a maior empreiteira do país, e a Andrade, a segunda. O suborno era pago para que agentes públicos não colocassem obstáculos nos acertos feitos pelas empreiteiras.

Na Copa do Mundo, a Andrade Gutierrez atuou, sozinha ou em consórcio, na reforma do estádio do Maracanã, no Rio, do Mané Garrincha, em Brasília, do Beira-Rio, em Porto Alegre, e na construção da Arena da Amazônia, em Manaus.

Três dos executivos da empresa que estavam presos (Otávio Azevedo, Élton Negrão de Azevedo Júnior e Flávio Barra) foram transferidos em definitivo do Complexo Médio Penal, que fica em Pinhais (PR), na Grande Curitiba, para a carceragem da Polícia Federal por razões de segurança. A transferência também facilita os depoimentos da delação e o contato dos presos com a família.

Havia duas dificuldades para o acerto final do acordo, que foram sanadas: o valor a ser pago e a necessidade de Otávio Azevedo confessar crimes que ele sempre negou. Os procuradores de Brasília queriam uma indenização de R$ 1,2 bilhão, quando a empreiteira alegava não ter mais do que R$ 800 milhões para pagar a multa.

Otavio Azevedo, que já foi eleito o executivo do ano pela revista “Exame”, relutava confessar seu envolvimento em pagamento de suborno alegando que a Polícia Federal não tinha prova de nada contra ele. Ele foi convencido por executivos da empresa: se ele não confessasse, os outros relatariam os casos em que ele esteve envolvido.

O valor de R$ 1 bilhão visa ressarcir as empresas que foram prejudicadas por acertos do cartel que atua em obras públicas.

Arena da Amazônia

Após quase quatro anos de construção e sucessivos adiamentos de entrega e aditivos no valor do contrato, a Arena da Amazônia foi inaugurada no dia 9 de março de 2014. As obras custaram R$ 669,5 milhões aos cofres públicos, R$ 170 mil a mais que o valor inicial.

O dinheiro para construção do estádio que recebeu quatro jogos da Copa do Mundo em Manaus saiu dos cofres federal e estadual. Foram R$ 400 milhões de financiamento federal do (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o restante, R$ 269,5 milhões, do Tesouro estadual. O dinheiro financiado está sendo pago pelo Estado.

Em 2012, o valor da obra chegou a saltar de R$ 499 milhões (valor original) para R$ 615,9 milhões. No entanto, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou sobrepreço e determinou que valor fosse reajustado para R$ 550 milhões, o que foi feito depois de alguns meses. Porém, as parcelas do investimento do BNDES foram paralisadas até a regularização, o que ocorreu em setembro de 2013. Depois, o governo precisou injetar mais recursos, e a obra, licitada por R$ 499.508.704,17 saiu R$ 170 milhões mais cara.

 

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Assuntos Andrade Gutierrez, Arena da Amazônia, delação premiada, empreiteira
Valmir Lima 27 de novembro de 2015
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