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Política

Analista sugere que mulher use empatia na política, candidatas rejeitam estereótipo

21 de setembro de 2020 Política
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mulheres na politica
Para analista, imposição não é natural da mulher e precisa ser trabalhada (Foto: Lula Marques/Fotos Públicas)
Por Iolanda Ventura, da Redação

MANAUS – A emoção e a empatia como ‘armas políticas’. É o que propõe Osmar Bria, analista comportamental que treina candidatos e candidatas que buscam sucesso na vida pública. Segundo ele, a mulher deve usar suas características emocionais para se eleger. Para Bria, o sorriso fácil e aperto de mão amigável são importantes, enquanto a imposição não é natural da mulher e precisa ser trabalhada. Consultadas ouvidas pelo ATUAL discordam e rejeitam o que definem como estereótipo.

“A característica mais importante que a mulher, digamos assim, tem como vantagem em relação ao homem é justamente a empatia. É a capacidade de entender a emoção do próximo”, diz.

Segundo ele, a mulher deve mostrar transparência e flexibilidade e tem mais facilidade para passar confiança. “Para alguém estar ao seu lado é preciso confiar em você. É muito mais fácil você confiar em uma mulher que em um homem. É muito mais fácil você estar alinhado a características emocionais de uma mulher do que às de um homem”, diz.

mulheres protesto
Mulheres afirmam que imagem emocional é um estereótipo (Foto: Marcello Casal Jr/ABr)

Erika Carmo, pré-candidata à vereadora pelo PT, discorda do analista. “Eu não concordo com ele, porque se isso fosse usado, esse estereótipo de mulher que a gente sempre é considerada afetiva, emocionalmente abalada, a gente estaria na política muito mais massivamente. Hoje a gente não ocupa nem 15% das casas legislativas pelo país, inclusive no Amazonas que esse índice é bem menor, não chega nem a 10%”.

O analista considera que é mais fácil para as mulheres criarem vínculos, pois sorriem mais facilmente e estabelecem melhor contato visual. “Essas são as características que ela precisa usar, o olhar nos olhos, o sorriso fácil, e principalmente mostrar que ela é confiável, coisa que o homem tem dificuldade”, diz.

Michelle Andrews (PSOL) concorreu às eleições em 2018 para deputada federal pelo Amazonas e este ano compõe a primeira candidatura coletiva para disputar uma vaga na CMM (Câmara Municipal de Manaus). Para Andrews, o carisma conta, mas não é o mais importante.

“Dentro do que pode decidir votos e o recebimento da confiança em um processo eleitoral o carisma conta, obviamente, mas trajetória política, confiança, transparência, dentre outras coisas, pesam muito mais. Igualdade de condições na disputa, com ações afirmativas dos partidos, são mais eficientes do que artifícios enlatados”, diz.

Já Erika Carmo afirma que conquistas importantes como o voto foram obtidas com embate. “Se isso fosse uma receita do sucesso da mulher estaríamos aí comandando o mundo. E não é bem assim. A gente vem de uma luta, principalmente no movimento feminista. Para conquistar o voto a gente teve que lutar. Para conquistar o voto, a educação e uma série de outros direitos”, afirma.

Para a pré-candidata, essa imagem não ajuda pois mesmo as que seguem o padrão ainda são usadas como ‘laranjas’. “Muitas mulheres que estão aí nos partidos, inclusive nos partidos de esquerda, continuam sendo laranjas. Mesmo bonitas, mesmo fazendo o estereótipo que vende pela mídia são manipuláveis por um grupo de homens”, diz.

Imposição
mulheres na politica
Analista e candidatas discordam sobre a mulher e a imposição na política (Foto: Roberto Parizotti/Fotos Públicas)

Sobre a imposição, característica necessária no meio político, Bria afirma que não é natural da mulher como a empatia e que precisa ser treinada. “Essa é uma coisa que realmente a mulher precisa ser trabalhada, precisa ser treinada, porque não é natural nela. A empatia é tão natural, mas essa questão da imposição, da postura, ela realmente precisa ser mais trabalhada. Normalmente as mulheres são mais recatadas neste caso”, diz.

Segundo Bria, o tratamento dado à mulher e a fisiologia a tornam retraída. “A mulher já nasce com um tratamento diferenciado. A própria postura comportamental, física, fisiologia. Se você for colocar a fisiologia do homem e a fisiologia da mulher, a mulher é educada para ter uma fisiologia mais retraída que o homem”, afirma.

Para Michelle Andrews, classificar a mulher nesses termos é desrespeitoso. “Temos muitos estudos de teorias feministas apontando o problema do estereótipo da mulher como uma figura recatada, frágil ou incapaz. E é apenas um estereótipo. Não é que mulheres são naturalmente menos impositivas, mas quando uma mulher se impõe é tratada de maneira condescendente ou recebe rótulos de louca e descontrolada”, afirma.

mulheres protesto
Segundo Erika Carmo, a mulher tem que se impor desde o início para conseguir espaço (Foto: Fernando Frazão/ABr)

Erika Carmo concorda e afirma que desde o início a mulher tem que se impor para conquistar espaço. “Se você não se impor você não sai do lugar. No partido político a gente começa assim. Brigamos dentro do nosso partido por espaço, para dizer que estamos preparadas para fazer política institucional. E isso é uma imposição mesmo, digamos que até às vezes violenta. Porque se você não pedir para o companheiro deixar você falar, você não fala”, diz.

“Mulher na política, principalmente no Amazonas, ela vai se impor primeiramente para depois ela formar a persona política dela. Não dá para a gente começar partindo desse lado estético para poder fazer o enfrentamento”, afirma.

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Assuntos candidaturas femininas, destaque, mulheres na política
Redação 21 de setembro de 2020
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