
MANAUS – Na semana em que Parintins se transforma no grande palco da cultura amazônica, com a força dos bois Garantido e Caprichoso, o deputado federal Amom Mandel (Republicanos – AM) defende a criação de uma política nacional permanente para proteger, financiar e valorizar as tradições culturais da região. O Projeto de Lei 6295/2025 institui o Programa Nacional de Valorização das Tradições Culturais Amazônicas, com o objetivo de reconhecer, preservar, promover e apoiar financeiramente manifestações como o Festival de Parintins, o Boi-Bumbá, o Círio de Nazaré e outras expressões que formam o patrimônio imaterial e identitário do povo amazônida.
A proposta chega em um momento simbólico. O Festival de Parintins, mais do que um espetáculo visto por turistas do Brasil inteiro, é uma engrenagem viva de arte, memória e trabalho. Por trás das alegorias, das toadas, das fantasias e da arena lotada, há artistas, costureiras, artesãos, músicos, coreógrafos, levantadores, brincantes, famílias inteiras e comunidades que mantêm de pé uma tradição passada de geração em geração.
Segundo o PL, o programa terá como finalidade fomentar ações de difusão das tradições culturais amazônicas, estimular o turismo sustentável, incentivar a geração de renda local, fortalecer o sentimento de pertencimento e garantir a continuidade das práticas artísticas, religiosas e folclóricas da região. A execução ficaria sob responsabilidade do Ministério da Cultura, em cooperação com governos estaduais e municipais, além de parcerias com universidades, associações culturais, instituições públicas e privadas e organizações da sociedade civil.
Na prática, a proposta permite que o poder público destine recursos específicos para projetos, festivais, oficinas, pesquisas e ações educativas voltadas à preservação das tradições amazônicas. O texto também prevê critérios de transparência, descentralização e incentivo à economia criativa, priorizando iniciativas que promovam inclusão social, desenvolvimento sustentável e o reconhecimento dos mestres e guardiões das tradições populares como agentes de preservação do conhecimento ancestral.
Para Amom, manifestações como o Festival de Parintins mostram que cultura também é desenvolvimento. A festa movimenta o turismo, gera renda, fortalece a identidade regional e projeta a Amazônia para o mundo a partir de sua própria voz, com sua estética, sua fé, sua criatividade e sua memória. A proposta busca transformar esse reconhecimento em política pública contínua, para que a valorização da cultura amazônica não dependa apenas de eventos isolados ou de apoio pontual.
Na justificativa do projeto, o parlamentar destaca que a Amazônia é berço de tradições que ultrapassam fronteiras, reunindo fé, arte e saber popular em celebrações de grande relevância histórica e social. O texto cita o Círio de Nazaré, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, e o Festival de Parintins, classificado como uma das maiores expressões artísticas do folclore brasileiro.
O projeto também chama atenção para os desafios enfrentados por muitas tradições amazônicas, como a falta de recursos, a desvalorização de saberes tradicionais e a ausência de políticas públicas permanentes. A proposta, segundo o texto, quer garantir apoio técnico, logístico e financeiro para que essas manifestações sejam preservadas e transmitidas às novas gerações.
Em plena semana do Festival de Parintins, a mensagem é direta: a cultura amazônica não pode ser tratada como enfeite de calendário. Ela é trabalho, identidade, economia, pertencimento e futuro. O que o boi leva para a arena é bonito aos olhos, mas também carrega história nas costas. E história, quando é viva, precisa de respeito, investimento e continuidade.
