
Da Redação
MANAUS – A amizade com o dono da Cigás (Companhia de Gás do Amazonas), Carlos Suarez, foi um dos motivos que pesou contra o nome do presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, para a presidência da Petrobras, na avaliação do Comitê de Pessoas da estatal. A empresa amazonense trava disputa judicial com a Petrobras que envolve R$ 600 milhões.
O nome de Landim foi apontado pelo governo para presidir o conselho administrativo da Petrobras no começo de março. No entanto, no último domingo (3), em nota publicada no site do clube carioca, ele anunciou que iria abrir mão da indicação à presidência do conselho da estatal, “apesar do tamanho e da importância da Petrobras para o nosso país”.
Na nota, Landim afirmou que já encaminhou sua posição ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e agradeceu o convite. Segundo ele, as razões que o fizeram abrir mão da indicação seria a dificuldade de exercer ambas as funções “com a excelência por mim desejada e à altura que a Petrobras e o Flamengo merecem”.
De acordo com o jornal O Globo, Landim e Adriano Pires, outro nome cotado para presidir a estatal que desistiu do cargo, prestaram serviços a Suarez. Isso foi classificado como um problema para o Comitê de Pessoas da Petrobras, que produziu relatórios sugerindo que nenhum dos dois fossem aceitos no comando da companhia.
Entre os motivos que pesaram contra Suarez está os interesses dele no setor de gás. A Cigás, empresa que ele comanda no Amazonas, tem uma discussão judicial com a Petrobras que já dura sete anos envolvendo mais de R$ 600 milhões referente a recolhimento de PIS/Cofins sobre o fornecimento de gás para a Amazonas Energia.
Pelo contrato, a Petrobras produz o gás natural, que é adquirido pela Cigás. A companhia distribui o gás adquirido à Amazonas Energia, que realiza o depósito do valor devido em conta conjunta administrada pelo Banco do Brasil. O banco é responsável por fazer o pagamento da margem de distribuição à Cigás e das parcelas da commodity e transporte à Petrobras.
Na Justiça, a Cigás discute a responsabilidade pelo pagamento de PIS/Cofins incidente sobre o fornecimento de gás natural pela Petrobras à Amazonas Energia. Após atraso em repasses por parte da empresa de energia elétrica, a Cigás quer assegurar que o pagamento dessas parcelas tributárias seja feita com valores creditados na conta conjunta.
No âmbito dessa discussão, a Petrobras pediu o pagamento das cotas-partes que pertenciam a ela referentes aos anos de 2013 a 2015. Após a Petrobras oferecer caução, a Justiça autorizou a liberação de R$558,2 milhões para a estatal, mas a empresa de gás amazonense apresentou diversos recursos para barrar o pagamento desse valor.
A Cigás afirma que o dinheiro não deve ser liberado para a Petrobras porque será usado para pagar parcelas em atraso pela Amazonas Energia.
Suarez também é dono da Termogás, empresa que controla distribuidoras de gás encanado em regiões ainda não atendidas por gasodutos. Em julho do ano passado, autoridades da Suíça informaram ao MPF (Ministério Público Federal) o bloqueio de US$ 15,1 milhões de uma conta em nome da empresa por suspeita de lavagem de dinheiro. Uma das contas era de Landim.
