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Dia a Dia

Ambulanchas usadas para casos de emergência no AM são inadequadas

13 de agosto de 2022 Dia a Dia
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servidores semsa
Estudo mostra problemas que profissionais da saúde lidam para atender pacientes com ambulanchas (Foto: João Viana/Semcom)
Da Redação

MANAUS – Profissionais da saúde que precisam atender chamados de emergência no Alto Solimões no Amazonas precisam lidar com embarcações – ambulanchas – que não são adequadas para o deslocamento e a falta de infraestrutura, como a ausência de banheiros.

A situação é apresentada no Estudo da Atuação das Equipes de Saúde no Serviço de Embarcações do Samu-192, Regiões Fluviais, Ribeirinhas e Marítimas. A pesquisa é do Centro de Estudos Estratégicos Antônio Ivo de Carvalho da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), com o Departamento de Atenção Hospitalar Domiciliar e de Urgência do Ministério da Saúde, realizado entre 2019 e 2022. 

Foram visitados três estados onde há o serviço: Amazonas, Bahia e Rio de Janeiro. Os tipos e graus de urgência variam em torno de ocorrências como AVC, infarto, mal súbito, hipertensão, abuso de álcool, traumas e cortes relacionados ao trabalho no roçado, afogamentos, problemas de saúde mental e picadas de animais peçonhentos.

O estudo revela que a iluminação exterior é um problema nas ambulanchas usadas no Alto Solimões, onde as comunidades são isoladas e os condutores dependem exclusivamente do próprio farol para enxergar.

Os profissionais relataram que os faróis eletrônicos ou muito sofisticados rapidamente se estragam, e acabam usando a lanterna de mão, o condutor com o braço para fora da janela, ou o técnico na proa, segurando um refletor ligado à bateria que chamam “capivara”.

Também afirmam que quaisquer elementos de cor clara no campo de visão do condutor provocam ofuscamento do piso da proa aos pequenos botões do painel.

O posto do condutor foi um ponto de críticas por todos os profissionais entrevistados, tendo
sido considerado desconfortável pelas equipes e extremamente inadequado pelo grupo de pesquisa em todos os quesitos observados: altura, tipo de assento, suporte para coluna e pés, segurança, visibilidade da proa, posição dos instrumentos e controles. Em uma das lanchas, o condutor tem que permanecer em pé durante todo o trajeto, pois quando
sentado não possui visibilidade.

Outro problema é a ausência de banheiro a bordo, sentida, principalmente, nos
locais de longa navegação, e agravado quando não há uma base fluvial onde a tripulação esteja
instalada.

“No Alto Solimões, região das maiores distâncias percorridas pelas ambulanchas, apenas um município dispõe de uma base fluvial, em condições precárias. Adicionalmente, em nenhuma das ambulanchas da região há banheiro”, diz o estudo.

A pesquisa informa que, considerando também que há pacientes e acompanhantes a bordo, é indicado que haja um banheiro em todas as ambulanchas que prestem serviço ao Samu 192.

Atendimento a indígenas

Outro ponto destacado, que ocorre no Alto Solimões, são os atendimentos às populações indígenas.

O estudo informa que, em geral, elas buscam a cura por tradições, representadas pelo cacique e o pajé da tribo, que usam métodos culturais que são preservados e cultivados
nas aldeias.

“Por vezes quando são acionados para realizar atendimento nessas comunidades os profissionais do Samu não conseguem remover o paciente até a Unidade de Saúde, porque o cacique não autoriza, nesse caso assinam um documento recusando o atendimento, às vezes precisam esperar o pajé terminar o atendimento e nos casos mais extremos acabam socorrendo o paciente quando já está com o seu quadro de saúde bastante agravado, o que segundo relatos acaba até por levar ao óbito”, diz a pesquisa.

Agentes comunitários

O estudo destaca nas comunidades ribeirinhas a importância da figura dos agentes comunitários de saúde para o apoio às populações e para o acionamento do Samu, pois acabam sendo referência para os moradores e minimizam a chamada desnecessária dos atendimentos de emergência.

“Além disso, foi destacada a importância desses profissionais pelos médicos reguladores porque costumam passar o quadro de saúde do paciente a ser atendido de forma fidedigna em virtude do conhecimento que possuem sobre os cuidados básicos de saúde, facilitando desta forma o atendimento das equipes”, informa a pesquisa.

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Assuntos Alto Solimões, Amazonas, ambulanchas, emergência, Fiocruz, manchete
Redação 13 de agosto de 2022
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